Ricardo Noblat
Ministro Celso de Mello
A sessão em curso do julgamento do mensalão - a 30ª - não servirá apenas para condenar ou inocentar alguns dos 37 réus do processo mais complexo da história do Supremo Tribunal Federal (STF). Não.
Uma pergunta importante será respondida pelos ministros que ainda não o fizeram: o mensalão foi Caixa 2 para pagamento de despesas de campanha como apregoa o PT desde 2005?
Ou o mensalão foi um esquema montado para a compra de apoios políticos na Câmara dos Deputados, segundo a denúncia do Procurador Geral da República?
Os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Gilmar Mendes já deram sua opinião: mensalão foi compra de votos.
Ayres Britto, que votará daqui a pouco, concorda com os três.
Marco Aurélio Melo acaba de dar isso como certo. Antes dele, também o fez José Antonio Dias Toffoli.
As ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia não entraram no mérito da discussão sobre a compra de apoio. Mas ao dizer que votava de acordo com o relator salvo em poucos pontos, Rosa Weber deixou claro que rejeitava a tese do Caixa 2.
A tese de Caixa 2 foi encampada por Ricardo Lewandowski, ministro-revisor do processo.
No momento, está votando Celso de Mello. Que também desprezou a tese do Caixa 2:
- O Estado não pode tolerar quem corrompe e é corrompido - disse. E acrescentou:
- É intolerável o cinismo (dos que pregam caixa 2).
Até o fim do julgamento, qualquer ministro poderá mudar seu voto.
Ainda hoje, se houver tempo, terá início o julgamento da turma da primeira classe do processo - José Dirceu de Oliveira, José Genoino, Delúbio Soares.
Os ministros decidirão se eles são culpados pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.
Se alguém se vendeu - e o STF condenou políticos de quatro partidos por corrupção passiva -, alguém comprou. É disso que se trata.
