Vannildo Mendes e Venilson Ferreira
O Estado de S. Paulo
Definição do novo titular deve ocorrer após as eleições; exoneração foi antecipada por jornalista do 'Estado'
Desgastado e sem apoio político, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Arraes, pediu demissão nesta segunda-feira, 1. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, aceitou e designou a diretora de Administração e Finanças, Vânia Beatriz Rodrigues Castiglioni, para responder interinamente pelo cargo.
A exoneração do dirigente, que deve ser publicada nesta terça do Diário Oficial da União,foi antecipada pela coluna Direto de Brasília, assinada pelo jornalista João Bosco Rabello. A definição do novo titular deve sair depois das eleições municipais. Quadro da Embrapa desde 1980, ex-chefe da Unidade de Arroz e Feijão em Goiânia, Arraes pediu demissão menos de dois meses após ser reconduzido ao cargo pela presidente Dilma Rousseff.
O ministro disse ao Grupo Estado que Arraes alegou estar insatisfeito com as críticas, feitas pelo conselho de administração da estatal, à Embrapa Internacional, criada por ele em abril para articular as ações de pesquisa nos diversos continentes. Ribeiro Filho não detalhou quais seriam as falhas de processo de internacionalização da empresa, nem entrou no mérito das insatisfações que vinham afetando a capacidade gerencial da estatal.
Pioneira na corrida tecnológica da agricultura do País, a Embrapa acabou perdendo sua visão estratégica e a liderança em pesquisas para corporações multinacionais, segundo relatório de análise interna entregue às autoridades.
Com isso, grandes multinacionais tomaram a dianteira nas novas descobertas e a Embrapa saiu da agenda dos empresários brasileiros, que passaram a buscar soluções no exterior. Procurado, Arraes não se manifestou sobre as críticas até o início da noite desta segunda.
******COMENTANDO A NOTÍCIA:
Acredito que funcionários, técnicos, cientistas e pesquisadores, em grande maioria, deverão comemorar a notícia.
Contudo, um pouco de cautela é recomendável. Não se sabe quem irá substituí-lo, tampouco qual será a orientação a ser dada para a nova gestão.
É claro que se tem esperança de que a instituição possa recuperar o tempo perdido. E tempo perdido recentemente, não como certo comentarista que teve a cara de pau de afirmar que os problemas da EMBRAPA se devem ao período em quem o país foi governado por FHC, o que é um absurdo. Pois mesmo que fosse, será que 10 anos de petismo não foram suficientes para recuperação da excelência e da qualidade da empresa?
Pelo menos desde 2007, estamos alertando para o desmantelamento a que EMBRAPA vem sendo submetida. De 2011 para cá, pelo menos cinco artigos foram aqui reproduzidos e todos tocando na mesma tecla, e apontando como causa praticamente única, o aparelhamento irresponsável da entidade e a mudança de missão estratégica que a tornaram pioneira no campo da pesquisa .
Assim, é prudente que, antes de comemorarmos a saída de Pedro Arraes, tentarmos saber e conhecer quem o irá substituir. Deseja-se que a presidente acerte a mão e coloque na presidência da EMBRAPA alguém com formação técnica e que tenha um comprometimento único em recuperar a EMBRAPA para o país, em vez de mantê-la privatizada para servir de cabide para a companheirada. Alguém que recupere a empresa para servir ao país, e ponha a ideologia de lado.
A empresa não pode ser sucateada da forma como foi submetida desde que Lula assumiu. Se a estabilidade econômica do Brasil tem nome e sobrenome, estes são, de um lado, o Plano Real e as reformas estruturais implementadas e, de outro, a EMBRAPA, pois foi graças ao seu corpo técnico que o país experimentou enorme salto de qualidade na sua produção agropecuária, esteio no qual se construíram as reservas internacionais que sustentam o Brasil diante da atual crise econômica internacional, e mantém positiva a nossa balança comercial. Além disso, a EMBRAPA está à frente das causas que colaboraram para a interiorização do progresso e do desenvolvimento, principalmente, no centro-oeste brasileiro.
Quanto aos artigos que acima informamos, quem desejar acessá-los é só clicar nos links abaixo. Eles contam a história recente de um movimento deplorável que, ao menos é o desejo de todos os brasileiros que aprenderam a admirar e respeitar a honrosa história da estatal e seu corpo técnico, não se repita e tenha, definitivamente, ficado para trás.
SAIBA MAIS:
A Embrapa perdeu o bonde
Os problemas da Embrapa
Perde a Embrapa, perde o Brasil
Uma vitória da Embrapa
A ignorância é audaciosa