Wladimir D'Andrade
Agência Estado
Os grupos que apresentaram aceleração da alta foram Comunicação, Saúde e Cuidados Pessoais, Habitação, Transportes e Despesas Diversas
SÃO PAULO - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) encerrou setembro com taxa de 0,54%, informou nesta segunda-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em agosto, o indicador havia avançado 0,44% e, na terceira quadrissemana do mês passado, a alta dos preços foi de 0,53%. Com o resultado de setembro, o IPC-S acumula altas de 4,07% no ano e de 5,73% nos últimos 12 meses.
Os grupos que apresentaram aceleração da alta de preços na passagem da terceira para a quarta quadrissemana do mês passado foram: Comunicação (0,27% para 0,51%); Saúde e Cuidados Pessoais (0,38% para 0,42%); Habitação (0,37% para 0,40%); Transportes (0,11% para 0,14%) e Despesas Diversas (0,23% para 0,25%).
Já os grupos que registraram desaceleração da alta de preços no mesmo período foram: Alimentação (1,28% para 1,23%); Vestuário (0,64% para 0,60%) e Educação, Leitura e Recreação (0,11% para 0,07%).
Altas
As tarifas de telefonia celular e de luz foram dois dos principais itens responsáveis pela aceleração da alta de preços dos grupos Comunicação e Habitação, respectivamente, e consequente alta no IPC-S no encerramento de setembro.
A tarifa de telefone móvel passou de alta de 0,48% na terceira quadrissemana de setembro para 0,89% na leitura seguinte, divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Já a tarifa de eletricidade residencial acelerou de 0,24% para 0,70% no período.
Além de Comunicação (0,27% para 0,51%) e Habitação (0,37% para 0,40%), apresentaram aceleração da alta de preços na passagem da terceira para a quarta quadrissemana de setembro os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (0,38% para 0,42%), Transportes (0,11% para 0,14%) e Despesas Diversas (0,23% para 0,25%).
Para cada uma dessas classes de despesa, as maiores influências de alta foram registradas pelos itens artigos de higiene e cuidado pessoal (0,22% para 0,57%), serviço de reparo em automóvel (-0,07% para +0,69%) e alimentos para animais domésticos (0,37% para 0,92%), respectivamente.
Entre os grupos que desaceleraram a alta na última leitura de setembro ante a anterior o destaque ficou com Alimentação, que passou de 1,28% para 1,23% nesta base de comparação com o grupo sendo puxado para baixo pelo item hortaliças e legumes (1,50% para -2,09%). Vestuário (0,64% para 0,60%) e Educação, Leitura e Recreação (0,11% para 0,07%) também desaceleraram por causa, principalmente, de calçados (0,64% para 0,31%) e salas de espetáculo (0,71% para -0,73%).
Na lista dos cinco itens que exerceram maior pressão de alta no IPC-S da última quadrissemana de setembro em relação a anterior, aparecem batata-inglesa (de 24,38% para 25,12%), cebola (de 18,59% para 19,78%), tarifa de eletricidade residencial (de 0,24% para 0,70%), plano e seguro de saúde (estável em 0,63%) e pão francês (de 2,47% para 2,65%). Por outro lado, as maiores pressões de baixa no indicador foram registradas pelos itens tomate (de -5,68% para -13,55%), alface (de -7,79% para -7,88%), cenoura (de -4,73% para -9,96%), sanduíches (de 0,15% para -0,58%) e pimentão (de -2,95% para -15,50%).
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Vamos ver até a hora em que, de fato, acontecer a transformação de promessa em realidade, o quanto a tarifa de energia continuará subindo. Semana passada, demonstrei aqui que, com a recente alta nas tarifas ocorridas em Mato Grosso, o resultado final, se a redução acontecer como o prometido, ao invés de 16% será, na realidade, de 10%. Este tipo de promessa, às vésperas de eleição, sempre foi aquilo que parece ser: demagogia barata, ou populismo.
Nem os anunciados 16% estão garantidos. Há inúmeras incertezas a serem debatidas pelo Congresso, antes da promessa virar realidade.
Mas o texto traz uma preocupação: a inflação, já em 5,37% nos últimos 12 anos, não dá mostras de desacelerar, pelo contrário, a tendência continua sendo de alta. Isto, num cenário de crescimento baixo, acaba se refletindo, mais adiante, em retração do consumo, já contido pela inadimplência ainda alta.