terça-feira, abril 09, 2013

Ming e uma avaliação perfeita sobre a economia brasileira.


Comentando a Notícia

 Em seu artigo para o Estadão na quarta feira, 03/04, Celso Ming fez um apanhado perfeito da situação real da economia brasileira neste 2013.  E a resume bem ao afirmar logo na primeira linha que a “...A economia brasileira está sob processo de implacável desarrumação...”. Só que este processo não teve início agora,  as causas poderemos encontrá-las no segundo mandato de Lula.

O colunista não poderia ser mais feliz. De fato, analisando-se os diferentes indicadores macro e micro, e  examinados na ótica das decisões expedidas pelas autoridades econômicas e monetárias, fica claro que  se está reagindo de acordo com a intensidade do soluço. Se mais forte e consecutivo, aumenta-se a quantidade de goles de água para aplacá-los. Se, ao contrário, diminuem os goles e a intensidade da água ingerida.

Fica cada vez mais difícil entender a resistência que Dilma impõem ao Banco Central para, pela via dos instrumentos de que dispõe, permitir que os use para combater a resistente inflação que o próprio BC reconhece. Nem precisamos lembrar que, quem sofre com a inflação são os mais pobres, certo?

É preciso dar um choque de realidade ao mercado,  e o recado precisa ser forte, na medida certa.  Os agentes econômicos já se aperceberam da tibieza do governo federal, e pouco a pouco vão aumentando as doses de inflação que, se nada for feito no curtíssimo prazo, estourará a meta prevista até a metade do ano. Inflação é a mais perversa das maldades que se pode cometer contra os pobres. Estes não tem meios de se proteger, estão vulneráveis. Seu poder de compra míngua mês a mês, e logo se veem na obrigação de cortarem gastos, atrasarem seus pagamentos, deixarem de atender suas necessidades básicas. 

O caminho para o crescimento impõe regras e ele não se faz por decreto, por obra e graça apenas da vontade soberana do governante da ocasião. É um processo que exige disciplina, certa dose de sacrifícios, a implementação de medidas que, à primeira vista podem até ser impopulares mas que, ao cabo, resulta em amplos benefícios para todos.  São visíveis os enormes gargalos que fragmentam nosso crescimento econômico, que segue  ora lá no alto, e depois seguido de vários anos de índices baixíssimos. 

Contudo, o governo federal, o de Dilma mais especificamente, ainda não se deu conta da armadilha que criou para si mesmo. De um lado, um excesso de ações para alimentar o seu projeto de poder. De outro, o incentivo exagerado ao crédito e, por consequência, ao consumo, num mercado que se mostra incapaz de atender a demanda aquecida.   Isto cria uma enorme distorção que resultará, é inevitável, numa deterioração rápida tanto da balança comercial, e por conseguinte das contas externas, quanto do equilíbrio fiscal. Quando a demanda não encontra o respaldo na oferta, os preços se elevam. Isto é tão velho quanto o mundo. 

Assim como o crescimento não se faz de uma hora para outra, é um processo construtivo que demanda anos a fio na colocação de tijolo por tijolo, a situação miserável de uma nação também não se produz apenas   em um  mês, um ano, ou um mandato presidencial. É preciso teimar na imposição de uma mesma política burra para que se resulte num processo de estagnação duradoura. Isto foi exatamente o que aconteceu com o regime militar. Não apenas aumentou-se brutalmente a exclusão social, a má distribuição de renda, como também todos os indicadores sociais, que já não eram nenhuma maravilha, despencaram brutalmente. Resultado: levamos 25 anos para desfazer o novelo no qual o país foi enredado. Mas isto não o ponto de partida, foi o ponto de chegada.  

Primeiro com Lula, e foram oito anos, agora com Dilma e lá se vão dois anos, o país vive um verdadeiro retrocesso. Excesso de estado na economia, políticas protecionistas tirando do mercado interno sua capacidade de inovar, ampliação demasiada da máquina pública, com engessamento de gastos correntes em contínuo processo de crescimento,  até que resultasse em completo estrangulamento das receitas federais e praticamente zerasse a capacidade deste mesmo Estado em investir. O estado miserável em que se encontra toda a infraestrutura brasileira, é bem o resultado desta odiosa receita que não deu certo em lugar nenhum do mundo, e que agora os governos petistas tentam a qualquer custo ressuscitar. 

Disse certa vez que a mim não importa quem governa o Brasil, seja Pedro, Paulo ou a Maria. Como ainda pouco interessa a qual partido pertença. O que interessa não é quem, e sim o projeto que traz consigo para comandar o país. Se o projeto beneficiar o Brasil como um todo, e não apenas os amigo próximos do poder, se o projeto destravar os principais obstáculos que obstruem o desenvolvimento sustentável, que ataque de maneira inteligente os principais nós da educação, do ambiente de negócios, da burocracia excessiva, do intervencionismo caquético, que favoreça investimentos nas nossas maiores carências, então este projeto terá simpatia. 

Porém, se o projeto centrar-se apenas na perpetuação do poder, o que em si mesmo já seria uma heresia numa democracia plena como a nossa, então, este projeto não serve ao país. Pode servir aos políticos sentados no poder, mas jamais aos brasileiros como sociedade moderna e livre. 

Quando se olha para as ações (e principalmente para as omissões graves) do governo Dilma, é forçoso reconhecer que a presidente se acomodou numa espécie de tabernáculo sagrado, segura de que os índices de aprovação lhe garantem um futuro auspicioso. Contudo, Dilma foi eleita para governar um país de 200 milhões de interesses sortidos e variados, e não apenas e exclusivamente para cuidar dos seus interesses pessoais, partidários e eleitoreiros. 

Não importa se sua ação vai agradar ou desagradar. O que importa é que elas garantam bem estar ao país, fortalecimento das instituições, modernização da nossa economia, o aperfeiçoamento do sistema de ensino – basilar para quem quer ser desenvolvido e justo socialmente -, e isto impõe, por certo, um ônus que precisa ser pago. Sem esquecer que os serviços básicos devem ser aperfeiçoados, dada a sua situação degradante.
Quando assumiu, e durante seu primeiro ano de mandato, várias vezes afirmei que chegaria o momento em que Dilma precisaria fazer uma opção: ou olhava para o país e suas mazelas, tratando de enfrentá-las, sem olhar para a balança do poder, ou se abraçava ao projeto de poder de seu partido ligado à ideia de hegemonia política. As duas coisas juntas, simultâneas, não poderiam ser atendidas de jeito nenhum. 

Quando convenceu-se de que precisaria rasgar o manual petista de não conceder serviços básicos à iniciativa privada, e até por conta do alto custo necessário para recuperar estes serviços - falo da infraestrutura em geral -,  mas também pelo esgotamento e insuficiência da capacidade de investimento do Estado para recuperar, ampliar  e modernizar estes serviços, pensei que sua escolha fosse em favor do país. Porém, pouco a pouco, Dilma para agradar os políticos do PT, foi criando tamanha dificuldade para que as concessões fossem ofertadas à iniciativa privada, que ficou claro que seguiria a outra escolha, a pior delas para o Brasil, que é atender ao projeto de poder petista. Diz que concede, mas impõem tamanha barreira ao   capital privado que o resultado acaba sendo nulo. 

Assim, o PT pode até permanecer no comando deste barco durante vinte, trinta, ou cinquenta anos. Isto não representa nada em termos de modernização do país, representa apenas uma bem sucedida estratégia política. Cedo ou tarde, esta estratégia se esgotará em si mesma e, será a partir daí, que o Brasil se dará conta do mal que fez para si mesmo. 

Porque, senhores, tão certo quanto dois mais dois são quatro, a herança que os governos petistas deixarão será a maldição das maldições.  Assim, recomendo que não apenas leiam, mas reflitam no artigo do Celso Ming (post anterior). Ali está dada a senha do que nos espera se nada for feito. Porque, mais do que desarrumada, a casa brasileira está virando é uma imensa bagunça, muito pior do que a que herdamos da ditadura militar.