Dona Dilma foi à Bahia inaugurar o novo estádio da Fonte
Nova. No cerimonial, ela não apenas deu
pontapé na bola que lhe ofereceram, mas
aproveitou para chutar o bom senso e a realidade.
Não critico que um governante seja ufanista em relação ao
país que governa. Isto é bom é saudável, mas, peralá, há limites para este
ufanismo. Quanto esta linha divisória é ultrapassada pelo excesso, o governante
corre o sério risco de não apenas afetar sua credibilidade, mas simplesmente
cumprir um desnecessário papel ridículo.
Dilma não precisaria dar discurso algum. Afinal, sua última
fala, aquela lá na África do Sul, na reunião dos BRICS terminou em confusão.
Precisou dizer que não disse aquilo que toda a imprensa ouviu (e gravou) o que
ela disse.
E a presidente lascou isto;”O Brasil não só é insuperável
dentro de campo, mas fora dele também”. Referia-se neste “fora dele” à
organização e preparação brasileira para receber as Copas das Confederações e
do Mundo, como ainda os Jogos Olímpicos de 2016.
Dentro de campo, bem que dona Dilma poderia ter lido, ou
sido ao menos alertada, que o Brasil ocupa um desonroso 18° lugar no ranking da
FIFA.
Quanto o “insuperável”
fora dos gramados, bem a coisa
fica mais feia ainda. Vejamos.
O Itália será uma das participantes da Copas Confederações a
se realizar no meio do ano. Faltando menos de 3 meses para a realização do
evento, é lógico que toda uma logística de preparação, treinamentos,
deslocamentos e estadias já foi previamente planejada e desenhada. O campo de treinamentos escolhido foi o
Engenhão que, vejam vocês, está interditado por tempo indeterminado por
problemas estruturais. Assim como não se sabe até onde tais falhas comprometem
não apenas a cobertura do estádio, mas
também todo o complexo esportivo, também não se não tem notícia por quanto
tempo o estádio permanecerá interditado. Assim, a Itália . há menos de 90 dias do evento, não sabe onde
poderá realizar seus treinamentos. Como dos 18 estádios disponíveis, 15 estão em
péssimas condições, o leque de opções é pequeno. Do que sobrou como
alternativa, já se sabe, nenhuma estará disponível. Assim, já com o calendário
de jogos estabelecido, é provável que a Itália precise se deslocar para outro
estado ou, simplesmente mudar de sede. Moral da história, o “insuperável” aqui é a incompetência brasileira.
Semana passada, o mundo foi sacudido e ficou chocado com o
assalto seguido de estupro a um casal de turistas que visitavam a “Cidade
maravilhosa”. A respeito desta tragédia, não deixem de ler reportagem da
revista Época nesta edição.
Em consequência, França e Canadá já emitiram avisos aos seus
cidadãos que, em viagem ao Brasil, evitem o uso de transporte coletivo. Motivo:
violência. E, como se sabe, a segurança é um dos pontos mais cobrados pela FIFA
e pelo COI para autorizarem eventos. Em
tempo: os casos de estupros no país simplesmente dobraram nos últimos anos.
Portanto, fica claro, mais uma vez, que somos “insuperáveis” mesmo é na insegurança
pública.
Mas o que fascina nesta declaração tola e surreal da
soberana, é que se noticiou que a presidente fez questão de vistoriar o estádio
da Fonte Nova.
Agora, observem a foto abaixo.
Observaram bem? Pois então, tornou-se o maior mico lá no
exterior a tal placa de sinalização da “Saída”. Reparem que a tradução em
inglês foi grafado um tal de “entrace” que,
traduzido, significaria “entrada”. E para piorar a besteira, ainda
grafado de forma incorreta, pois deveria ser “Entrance”.
Em tempos de um governo que aprova que é correto escrever
“nós pega peixe” (e tal aceitação está escrita num livro didático”, em que
receita de miojo e hino do Palmeiras são plenamente aceitos num redação cujo
tema deveria ser imigração, não se estranha a patacoada cometida numa placa de
sinalização de um estádio que abrigará jogos de seleções estrangeiras. Se o
próprio governo ensina e estimula que escrever errado o idioma pátrio está
certo, por que deveríamos nos surpreender quando expressões estrangeiras são
escritas de forma errada e mal traduzidas em seus idiomas originais?
Assim, em apenas dez dias, temos aí uma amostra do quanto
somos insuperáveis, sim, mas em
incompetência, dentro e fora de campo.
É vergonhoso que um/a
presidente não tenha senso de realidade. Poderíamos mostrar por exemplo
a questão dos hotéis, das obras de mobilidade urbana, a tal banda larga 4G que,
se estiver instalada nas cidades sedes, ao menos, o serão em forma precária. E
o que se dizer dos aeroportos, então? ´
E tão gritante a incompetência brasileira na organização e
preparação destes eventos que a própria FIFA já reconhece que tanto a Copa das
Confederações quanto a Copa do Mundo não terão 100% de qualidade nos serviços.
Até para que o leitor
possa medir a imensa extensão desta incompetência, recomendamos a
leittura da matéria da ESPN sobre as 10 mentiras sobre a realização da Copa do
Mundo. E é bom lembrar que a escolha do Brasil se deu em outubro de 2007 e,
somente a partir de 2010, alguma coisa começou a sair do papel.Alguma coisa,
porque grande do estava programado somente começou a andar de 2011 em diante.
Sem esquecer, claro, que muita coisa até já foi abandonado do projeto inicial.
Ou alguém anda mentindo para a presidente sobre esta
decantada organização destes três eventos, ou ela, mesma sabendo das porcarias
que estão sendo feitas, tenta colar no discurso, o que a realidade está
exibindo aos olhos de todo mundo.
Dias depois, parece que alguém resolveu pegar no dicionário
e corrigir a placar. Menos mal. Só que o mico já tinha sido pago.
