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Vera Rosa, Estadão Conteúdo
"Não dá para deixar essa situação assim", afirmou a presidente a interlocutores
REUTERS/Ueslei Marcelino
Dilma Rousseff: a presidente disse que não quer mais nem ouvir falar
em uso de aviões da Força Aérea Brasileira por ministros e
outras autoridades fora do serviço e das normas legais
Brasília - A presidente Dilma Rousseff disse a interlocutores que não quer mais nem ouvir falar em uso de aviões da Força Aérea Brasileira por ministros e outras autoridades fora do serviço e das normas legais. "Isso não é sério", afirmou Dilma. "Não dá para deixar essa situação assim."
Foi a presidente quem determinou ao ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, a divulgação na internet de todos os dados sobre uso de aviões oficiais pelo Executivo.
O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, e os presidentes da Câmara, Henrique Alves, e do Senado, Renan Calheiros, foram flagrados recentemente fazendo uso particular dos aviões da FAB. Reveladas as viagens, decidiram ressarcir os cofres públicos.
Jorge Hage, da CGU, disse que o decreto 4.244, de 2002, limitando o uso de aeronaves oficiais, sofrerá mudanças e será mais detalhado. "Vamos abrir tudo o que é caixa preta", avisou Hage. "É um processo que não tem retorno."
Atualmente, os aviões da FAB podem ser requisitados apenas por "motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente".
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quem decreta sigilo absoluto sobre despesas realizadas pela Presidência da República através de cartão corporativo;
Quem decreta sigilo total sobre suas próprias despesas de viagem após o escândalo em recentes passeios à Roma e África do Sul;
Quem mantém uma estrutura faraônica de mais de 22 mil cargos inúteis pendurados no Tesouro;
Quem sustenta um ministério com 39 pastas apenas para abrigar interesses políticos, mandando às favas a obrigatória austeridade fiscal a que está sujeito todo o servidor público, presidente inclusive;
Quem torra mais de R$ 3 mil em cada sessão de maquiagem e cabeleireiro para um pronunciamento de não mais do que 10 minutos em rede de televisão;
Quem autorizou o gasto pelo Governo Federal de mais de R$ 286 milhões, em viagens aéreas e aluguel de carros, até maio de 2013, e, em 2012, este total fechou em mais de R$ 900 milhões;
Não tem moral nenhuma para criticar o mau uso de jatinhos da FAB por autoridades.
Para criticar o desperdício de dinheiro público e o abuso de poder político é preciso primeiro dar exemplo. E, neste quesito, dona Dilma não tem exemplos a exibir.
Deste modo, sua crítica, além de vazia dado que ela própria é exemplo de desperdício, soa mais como oportunista e demagógica.
Portanto, que a soberana aplique em si mesma a moral que professa aos outros. Depois sim, poderá criticar a vontade. Mas deve, SEMPRE, dar exemplo antes dos outros.
