quarta-feira, julho 10, 2013

Mercosul: Paraguai em crise com sócios

Eliane Oliveira
O Globo

Em reunião amanhã e sexta, país recusará Venezuela na presidência do bloco

BRASÍLIA - A Venezuela se prepara para assumir a presidência pro tempore do Mercosul nesta sexta-feira, em meio a uma crise com o Paraguai. Excluídos do convívio com os sócios do Mercosul desde meados do ano passado, quando o ex-presidente Fernando Lugo foi destituído pelo Legislativo do país, os paraguaios ameaçam sair do bloco definitivamente, porque se recusam a retornar com os venezuelanos presidindo a união aduaneira. Também avisaram, informalmente, que não aceitam o que foi acordado em sua ausência: o ingresso da Venezuela, o convite feito à Bolívia para entrar no Mercosul e o início das negociações com esse mesmo objetivo.

A crise com o Paraguai será o principal tema da reunião de cúpula de presidentes do Mercosul amanhã e sexta-feira, em Montevidéu. Na ocasião, os venezuelanos receberão a presidência do bloco das mãos dos uruguaios. O presidente eleito do Paraguai, Horácio Cartes, queria que a reunião de chefes de Estado fosse realizada somente em agosto, após sua posse e ainda com o Uruguai na presidência pro tempore. No entanto, Brasil e Argentina foram contra essa posição.

Ao lado da ameaça do Paraguai de deixar o Mercosul, há um fato concreto que sinaliza o rompimento com o bloco: o país atua como observador da Aliança do Pacífico — acordo de livre comércio entre Chile, Peru, México e Colômbia que começou a vigorar há dois meses.

Brasil e Argentina não cedem
Se depender do Brasil, não há chance de o Mercosul ceder aos apelos do Paraguai. Em uma avaliação interna, o governo brasileiro considera que a volta dos paraguaios é uma decisão política e que as condições e o ambiente em que a reunião de presidentes vai ocorrer ditarão a decisão dos líderes da região.

A Argentina também tende a apoiar a Venezuela. É extremamente grata ao país andino, já que sob o comando do então presidente Hugo Chávez, que morreu em março deste ano, os venezuelanos foram praticamente os únicos a comprarem títulos argentinos em momentos de crise. Já o Brasil tem em andamento uma série de obras de infraestrutura e logística na Venezuela, o que beneficia, e muito, as empreiteiras brasileiras.

Por outro lado, há forte dependência dos paraguaios das compras brasileiras. Além da energia comprada de Itaipu, destacam-se trigo, milho, carnes, soja e arroz na pauta de importação brasileira daquele país.