quarta-feira, julho 10, 2013

O enigma do 11 de julho

Fernando Gabeira

As centrais sindicais marcaram greve geral para o 11 de julho. Para um setor delas, a Força, a greve é exclusivamente econômica, visando sobretudo a redução das horas de trabalho.

Para a CUT é uma greve política na qual os sindicalistas do PT vão pedir um plebiscito. É um protesto a favor do governo, algo raro no mundo.

As duas centrais sindicais divergem e Paulinho, líder da Força, já ameaçou gritar Abaixo Dilma, caso os seus rivais no movimento peçam o plebiscito.

A CUT quer segurar Dilma, a Força Sindical empurrá-la para o buraco.

E as pessoas que não são sindicalizadas? O que farão nesse dia?

Essa é uma incógnita. Elas podem ficar em casa, vendo tudo acontecer. Mas podem também sair às ruas para mais um protesto.

O PT se recusa a ponderar os revezes que têm sofrido na rua. Em São Paulo, o estrategista Rui Falcão, pediu uma invasão vermelha nas ruas e eles foram expulsos das demonstrações.

Em Salvador, durante as comemorações do 2 de Julho, data da independência baiana, vários petistas tentaram desfilar com bandeiras. O resultado foi mais humilhante do que em São Paulo: usando aqueles versos do Campeão voltou, que se cantam nos estádios,os manifestante entoaram: o PT roubou, o PT roubou.

É uma ilusão da CUT supor que vai fazer manifestação de rua e que as pessoas com seus protestos serão envolvidas numa manobra de apoio ao governo.

Isso não tira o direito dos petistas de irem as ruas com seus cartazes do plebiscito. Devem ser respeitados como os jovens que escreveram na cartolina: não é pelos 20 centavos, mas por um gol do Taiti.

O que é absolutamente necessário é que recebam uma lição pela sua esperteza, sua permanente tendência a trapacear.

Quinta feira ainda está longe. Mas poderá ser mais um dia esclarecedor nessa crise brasileira.