Míriam Leitão
O Globo
Os governos seguraram os reajustes de tarifas públicas após as manifestações. O certo seria, depois disso, analisar como elas são calculadas, porque, às vezes, podem ter premissas que ficaram defasadas. Vamos imaginar, por exemplo, que o custo financeiro embutido num contrato esteja com uma taxa de juros muito acima das praticadas atualmente. Isso poderia ser revisto, sem ferir o contrato e trazer prejuízos à empresa, como uma atualização normal. Esse seria o jeito certo.
Mas suspender por populismo, apenas para acalmar todo mundo, é uma bomba-relógio, como diz matéria de hoje do Globo, que mostra aumentos adiados que vão virar inflação mais adiante. Isso tem o nome de inflação reprimida, que nunca é bom. Mas como ano que vem é de eleições, ficará para o próximo governo. É uma herança maldita.
O preço da gasolina é mais uma complicação. Quando o dólar sobe, aumenta o preço para a Petrobras, que a importa. Um cálculo feito pelo economista Fábio Silveira, publicado pelo Globo, mostra que o preço da gasolina no mercado interno ficou 16% abaixo da cotação externa. Para a Petrobras, subiu 6% em função da valorização do dólar, chegando a R$ 1,54. Mas o preço doméstico ficou em R$ 1,29. Isso dificulta a vida da empresa, que precisa investir. Amanhã, por exemplo, sairá o edital do leilão do pré-sal. A Petrobras tem que estar forte, financeiramente, para participar.
O "cobertor" é curto. É preciso fazer as coisas de forma economicamente correta, não só para atender a questão política de tentar elevar a popularidade caída da presidente.