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O presidente venezuelano voltou a falar em repressão para aqueles que não baixarem os preços. Já a oposição alerta que a “paciência tem um limite”
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Centenas de venezuelanos lotaram as lojas da rede Daka em Caracas para comprar eletrodomésticos
a preços reduzidos, neste sábado (09) após determinação do presidente Nicolás Maduro de que a rede
havia sido alvo de intervenção e sancionada por aumentar seus preços de forma irregular
O presidente venezuelano Nicolás Maduro não está satisfeito em perseguir somente os donos e gerentes de estabelecimentos que comercializam aparelhos eletrodomésticos. O mandatário afirmou nesta terça-feira que exercerá uma ferrenha fiscalização para reduzir os preços de carros, celulares, notebooks e tablets vendidos no país. Segundo Maduro, os empresários que obtêm lucros com a venda desses produtos estão contribuindo para a “guerra econômica” que, no discurso da propaganda bolivariana, é protagonizada pela oposição e pelo “inimigo externo”.
“Os celulares também vão para baixo, porque eles estavam sendo vendidos a preços exorbitantes. Com isso, ratifico a minha vontade total de vencer a guerra econômica contra nossa pátria”, disse Maduro. O mandatário também comentou sobre as recentes ocupações militares em lojas de eletrodomésticos. Segundo o presidente venezuelano, uma das empresas vendia um refrigerador a 854 mil bolívares, quando o seu preço deveria ser calculado em 40 mil bolívares. “Com esse preço, a Venezuela construiria três apartamentos de setenta metros quadrados”, acrescentou, de acordo com o jornal El Nacional.
Os delírios de Maduro, no entanto, já começaram a prejudicar a imagem do país perante os investidores. Receosos com a real possibilidade de empresas iniciarem uma debandada para fora do país, os políticos de oposição se manifestaram nesta terça-feira. O líder do movimento contrário a Maduro, Henrique Capriles, alertou o governo de que “a paciência tem um limite”. “Nós não desejamos um golpe de estado ao país. Agora, o governo parece estar buscando outros tipos de saídas para o país que ninguém as conhece, somente eles as conhecem”, afirmou.
“A produção nacional foi reduzida a níveis nunca antes vistos. Somos um país dependente das importações. Hoje, a Venezuela é o país do mercado negro”, acrescentou Capriles. O mercado ilícito ao qual o líder opositor se refere cresceu com o ferrenho controle cambial imposto pelo caudilho Hugo Chávez desde 2003. O dólar no país é cotado oficialmente a 6,30 bolívares, valor que no câmbio paralelo é superado em mais de oito vezes. Analistas avaliam que a deterioração da economia venezuelana se deve justamente à falta de dólares em um país que depende em larga escala das importações.
A ofensiva do governo de Maduro ao livre-comércio, iniciada na semana passada, resultou até agora na detenção de 28 pessoas e emissão de outras dez ordens de prisão, afirmou a procuradora-geral do país, Luisa Ortega Díaz. Segundo ela, a ação foi "contra donos e gerentes das empresas e não contra trabalhadores". Em outra manobra para se mostrar implacável com os supostos inimigos da "Revolução Bolivariana", o presidente da Venezuela anunciou na segunda-feira a criação de uma procuradoria e de tribunais especiais para "atender em tempo real" os casos de "usura" cometidos pelos empresários, qualificados pelo próprio mandatário de "parasitas da burguesia", "bandidos” e “ladrões".
