sexta-feira, dezembro 20, 2013

Novo truque na área da energia para controlar a inflação

Míriam Leitão  
O Globo

O governo decidiu que os freios ABS e os freios são realmente obrigatórios a partir de 1º de janeiro, só que para ajudar a inflação, a decisão de mudar a fórmula de calcular as contas de luz foi empurrada para 2015, ou seja, depois do ano eleitoral. A conta vai para o Tesouro.

A economia já é cheia de complicações, mas o governo complica um pouco mais. Neste ano, o governo reduziu a conta de luz na hora em que o custo aumentou, por causa do baixo nível de água dos reservatórios que fez com que o uso das termelétricas, mais caras, aumentasse. Nesse período, as empresas passaram a receber menos por causa da decisão de reduzir a conta de luz. O Tesouro, então, pagou a diferença desse custo do uso das térmicas: R$ 10 bilhões. O Tesouro, como se sabem, é sustentado por todos nós que pagamos impostos. É o caixa de todos.

Pensou-se, então, em fazer uma bandeira na conta de luz: quando o nível dos reservatórios estivesse mais baixo, "acenderia" uma luz, passando a ser cobrado um percentual a mais exatamente para cobrir o eventual uso das termelétricas. Mas como isso poderia prejudicar a inflação logo de cara, em janeiro de 2014, e o governo considera essa medida impopular, ficou para 2015.

Isso é jogar a conta para debaixo do tapete. Ela vai aparecer em algum momento. Além disso, piora o quadro fiscal, que já não está bom.

A área de energia está descapitalizada, porque o governo está fazendo gambiarras como essa. É mais um fato a complicar as contas públicas que parecem, na verdade, piores do que os números dizem. Houve muito truque e contabilidade criativa. E o governo fez isso de forma tão insistente que até os economistas que defendem o governo disseram "chega".

No caso dos equipamentos de segurança nos veículos, a ideia era adiar a inclusão deles, porque tornariam os carros mais caros e a inflação iria aumentar. Mas como todo mundo falou que era um absurdo, o governo recuou, felizmente. Está fazendo, porém, uma nova medida para não afetar a inflação, jogando uma conta para 2015.