André De Souza
O Globo
Trechos foram escolhidos com base num estudo do Ipea e da Polícia Rodoviária Federal
Operação dos governos federal, estaduais e municipais tem por objetivo reduzir acidentes
BRASÍLIA - Os cem trechos mais perigosos das rodovias federais brasileiras, espalhados por 19 unidades da federação, vão ter sua fiscalização intensificada neste fim de ano. A Operação Rodovida - uma parceria do governo federal com os estados e municípios - começa nesta quinta-feira e vai até o dia 31 de janeiro. Ela será retomada durante o Carnaval (21 de fevereiro a 9 de março). O objetivo é reduzir os acidentes nessa época do ano, quando os brasileiros aproveitam as festas de fim de ano, as férias e o carnaval para viajar. O foco serão os motociclistas, motoristas em alta velocidade, ultrapassagens e consumo de bebidas alcoólicas.
Os trechos mais perigosos foram escolhidos com base num estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que leva em conta o número de acidentes, vítimas e fatalidades. Em geral, esses trechos atravessam cidades ou estão localizados na confluência de rodovias estaduais. Eles respondem por 26,9% dos acidentes, 19,4% dos feridos e 9,6% das mortes nas estradas federais.
A PRF prevê mais de 1.130 ações, com a utilização de 130 radares móveis e 1.300 agentes por dia (totalizando 7,5 mil ao longo de toda a operação). Além disso, dos 1.745 equipamentos de controle eletrônico de velocidade instalados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) nas estradas brasileiras, 279 estão nos cem trechos mais perigosos. O custo estimado da operação é R$ 1,5 milhão.
Segundo o ministro da Justiça, o esforço nos cem trechos mais perigosos não significará o abandono da fiscalização no restante das rodovias do país. Ele também reconheceu que o efetivo da PRF no Brasil é baixo diante da necessidade.
- Como nós aumentamos muito a malha viária brasileira, é necessário que tenhamos também a elevação do efetivo. Agora, nossa capacidade de reposição é marcada por uma série de fatores que não podem ser desprezados. Nós temos que fazer concursos público para ingresso. Às vezes concursos públicos são impugnados na Justiça. Depois que você realiza um concurso, tem a fase de treinamento do policial, que leva seis meses. Essa situação toda considerando que muios policiais se aposentam, morrem, são demitidos, mudam de emprego - afirmou Cardozo.
Esta é a terceira edição da Operação Rodovida. Segundo o governo federal, as duas operações anteriores reduziram em 24,5% a taxa de mortes por milhão de veículos. O índice estava em 13,5 no fim de ano de 2010 e Carnaval de 2011, quando ainda não havia Operação Rodovida. No fim de 2012 e Carnaval de 2013, a taxa foi de 10,2.
Em 2013, o trecho de rodovia federal mais crítico foi o localizado entre os kms 200 e 210 da BR 101, no litoral sul de Santa Catarina. Em nenhum outro lugar houve tantos acidentes e feridos como lá: 1.049 e 516 respectivamente. Também foi um dos que registraram mais mortes: 13. O trecho entre os kms 210 e 220 dessa mesma rodovia aparece em quarto lugar entre os mais crítico, com 531 acidentes, 339 feridos e 14 mortes. O trecho com mais mortos foi entre os kms 490-500 da BR 381, em Minas Gerais, com 20 mortes em 2013.
São 16 trechos críticos no Paraná, 12 em Santa Catarina, 11 no Rio de Janeiro e em São Paulo, nove em Minas Gerais, seis no Rio Grande do Sul, cinco em Pernambuco, três no Espírito Santo, Ceará, Paraíba, Goiás, Rondônia e Bahia, dois no Pará, Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas, Distrito Federal e Maranhão. No Rio, o trecho mais crítico em 2010 foi entre os kms 170 e 180 da BR 116, com 617 acidentes, 171 feridos e 11 mortes.
Além da PRF, que é vinculada ao Ministério da Justiça, estão envolvidos na operação os ministérios da Saúde, das Cidades e dos Transportes. Pelos estados, participarão o Departamento de Trânsito (Detran) e a Polícia Militar (PM). Também integrarão a operação órgãos de trânsito municipais. Haverá ainda uma campanha de conscientização.
