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O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou ontem que começará a desmontar gradualmente, a partir de janeiro, as medidas de estímulo monetário adotadas em 2008, no auge da crise mundial. O Fed reduzirá de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões a injeção mensal de recursos que vem fazendo na economia americana por meio da compra de títulos públicos e privados.
A decisão de iniciar os cortes já em janeiro surpreendeu os mercados, mas tanto o comunicado da deliberação quanto as declarações de ontem do presidente do Fed, Ben Bernanke, procuraram acalmar os investidores quanto ao ritmo das mudanças. O plano é diminuir o afrouxamento monetário lentamente e de forma condicionada à melhora dos indicadores econômicos dos EUA.
Bernanke deu a entender que o Fed, em cada uma das oito reuniões que realizará em 2014, reduzirá em US$ 10 bilhões o montante de títulos adquiridos no mercado, zerando esse mecanismo de estímulo até o fim do próximo ano. Ele deixou claro, entretanto, que se a inflação não subir - de 1,1% para 2% - e a taxa de desemprego não cair - de 7% para 6,5% -, a instituição poderá diminuir o ritmo de corte ou até mesmo aumentar as compras mensais de ativos.
"O processo de recuperação [da economia] está longe de ser concluído", disse Bernanke. "Nossa perspectiva é que a inflação volte a 2%, mas levamos isso muito a sério e tomaremos as ações apropriadas se não houver sinais de que não voltará a esse patamar", afirmou, acrescentando que "é preciso, obviamente, um pouco de sorte e uma boa política".
O Fed prevê crescimento do PIB dos EUA entre 2,2% e 3,2% no ano que vem e entre 3,0% e 3,4% em 2015. A expectativa é que, em 2016, a maior economia do planeta avance entre 2,5% e 3,2%. Já a inflação, mostram as projeções, só deve chegar ao parâmetro de 2% em 2015.
Isso significa que a taxa de juros, hoje fixada entre zero e 0,25% ao ano, deverá ser mantida nos níveis atuais pelo menos até o fim de 2015. "A política [monetária] acomodatícia ainda é forte e continuará até atingirmos metas de emprego e inflação", informou o presidente do Fed, que deixará o cargo em fevereiro, quando será substituído por Janet Yellen.
Os mercados reagiram positivamente ao anúncio do Fed, indicando a possibilidade de uma transição suave na política monetária americana. As bolsas dos EUA passaram a operar em alta após a reunião da instituição. No Brasil, o Banco Central anunciou a extensão, até 30 de junho, do programa de oferta de proteção cambial que acabaria no fim do ano. Os recursos oferecidos por meio de leilões serão reduzidos de forma significativa.
