O Globo
Relatório da agência da ONU para os refugiados atribui aumento principalmente a conflito na Síria
Total de refugiados ultrapassa 11 milhões de pessoas e deslocados internos superam os 20 milhões, diz Acnur
AP/15-12-2013
Refugiada síria lava utensílios fora de uma tenda em acampamento na Líbia:
número total de refugiados e deslocados internos pode bater recorde
RIO - O primeiro semestre de 2013 foi um dos períodos mais críticos de deslocamentos forçados das últimas décadas. O número de novas pessoas que buscaram proteção em lugares dentro ou fora das fronteiras de seus países superou os 5,9 milhões somente durante a primeira metade deste ano. O alerta foi feito pela agência da ONU para os refugiados (Acnur), que divulgou na noite desta quinta-feira um relatório inédito sobre a situação dos refugiados em vários países. No informe, a agência alerta que, com a intensificação de conflitos - principalmente na Síria, que vive uma guerra civil desde março de 2011 -, o número de refugiados e de deslocados internos em todo o ano de 2013 pode ser o mais alto já visto desde a crise em Ruanda, em 1994.
Os confrontos na Síria, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Mali forçaram mais de 1,5 milhão de pessoas a procurar refúgio nesse período, principalmente nos países vizinhos. A Síria é a origem de maioria deles: do país saíram 1,3 milhões de pessoas em busca de melhores condições para além de suas fronteiras no primeiro semestre de 2013.
Os novos refugiados uniram-se aos cerca de dois milhões de pessoas que passaram a se enquadrar nessa situação durante os anos de 2011 e 2012. Segundo o relatório, o primeiro semestre deste ano teve o número mais alto de novos refugiados desde 1999, quando 1,7 milhões de pessoas foram forçadas a cruzar as fronteiras de seus países.
O estudo também indica que ao menos 456 mil pessoas solicitaram asilo durante a primeira metade de 2013. Nos países em que o Acnur trabalhou com deslocados internos, os escritórios da agência relataram quase quatro milhões de novos deslocados devido a fatores como perseguição, violência generalizada, conflitos e violações de direitos humanos no primeiro semestre de 2013 - mais da metade deles oriundos da Síria.
O relatório indica ainda que, até a metade deste ano a população considerada em risco para o Acnur alcançou 38,7 milhões de pessoas. Entre eles, há 11,1 milhões de refugiados (600 mil mais do que no semestre anterior), 987.500 solicitantes de asilo, 189.300 refugiados repatriados no primeiro semestre e 20,8 milhões de deslocados internos atendidos pela agência da ONU. Também constam 688.200 deslocados internos que retornaram a seus locais de origem durante a primeira metade do ano, 3,5 milhões de pessoas sem nacionalidade definida e 1,4 milhões em outras condições de preocupação.
O número total de 38,7 milhões de pessoas em risco é o mais alto já registrado - são três milhões mais em comparação ao semestre anterior. A agência lamenta que, sem um fim à vista para o conflito na Síria, o total de pessoas em risco pode ultrapassar os 40 milhões no final do ano.
Os países que concentraram a assistência da agência nesse período são Colômbia, Síria, República Democrática do Congo, Paquistão, Sudão e Afeganistão.
