Sebastião Nery
Tribuna da Imprensa
Seu Quié era fogueteiro em Casa Amarela, no Recife. Passou a vida enfeitando o céu de taliscas incendiadas e espocando alegrias nas noites de São João. Mas Seu Quié tinha suas fidelidades políticas, sonhos revividos de velhos tempos da Coluna Prestes, do Cavaleiro da Esperança.
Todo ano, dia 3 de janeiro, era Seu Quié quem fornecia os foguetões que estouravam de madrugada anunciando o aniversário de Carlos Prestes. Iam lá buscar, ele entregava e só. Era sua participação política e sua glória.
Em 1964, veio o golpe militar, prendem Seu Quié. Interrogado, nega:
- Faço fogos há mais de cinquenta anos. Não vou ficar apurando quem compra e para que é que compram. Vendo, levam, acabou-se.
- Você fazia foguetões para o aniversário de Luis Carlos Prestes. Você sabe quem é ele?
-Não sei, não. Sei só que é um moço ai, que é contra umas coisas aí, mas não sei, não.
Foi solto. Voltou ao xadrez para pegar a escova e a pasta de dentes. Os outros presos queriam saber como tinha sido o interrogatório. Seu Quié estava de fala curta:
- Neguei. Neguei tudo.
- Mas você negou suas convicções?
- E eu ia gastar minha dialética com eles?
E voltou para Casa Amarela com seus foguetes e sua dialética.
PIBINHO E PIBEZINHO
O ministro Guido Mantega não tem o caráter de Seu Quié. É um homem sem posições, sem convicções, sem dialética. Cada dia, cada hora fala uma coisa diferente. Diz isso aqui, diz aquilo logo ali. E continua com a mesma cara de sorriso lerdo, torto, morto, trazido de sua Calábria italiana.
Agora, não tendo mais como mentir sobre o desastre da Política Econômica do Governo comandada por ele e que já pariu o “Pibinho” da Dilma em 2012 e está parindo o “Pibezinho” de 2013, teve que confessar:
- “A economia brasileira está andando sobre duas pernas mancas”.
Quer dizer, é uma economia trôpega, aleijada, amantegada.
PETROBRAS
1- A Petrobras está sendo estuprada pelo atual governo, em níveis inadmissíveis e atentatórios aos interesses nacionais. No governo Dilma, em valores de mercado, a Petrobras teve, até agora, uma desvalorização de 101 bilhões e 500 milhões de dólares.A fonte é a consultoria Economática
2 – A maior empresa da América Latina tem seu Conselho de Administração presidido pelo ministro da Fazenda Guido Mantega. Fato inédito na sua história. Sempre foi presidido pelo ministro das Minas e Energia. O engenheiro Silvio Sinedino, representante dos trabalhadores no órgão, afirma: “O Conselho não está decidindo os rumos estratégicos da Petrobrás. Isso é feito em outro lugar. Uma coisa é usar a empresa para o desenvolvimento do País, outra é para atender a baixa política.”
3 – No governo Dilma o endividamento bruto da Petrobras deu um salto triplo. Em 2011 era de R$ 115 bilhões. Em outubro de 2013 atingiu, oficialmente R$ 250,9 bilhões. A indefensável política de represamento de preços, para segurar a inflação, está estrangulando o seu futuro.
O economista Amir Khair, fundador e militante do PT, com seriedade e competência diz: “É lamentável a política do governo usando a Petrobras como biombo da inflação. Ao segurar o reajuste de preços está ocasionando os péssimos resultados que estão aparecendo. Falhas desse tipo maculam a imagem do governo e da Petrobras. Incompetência ou irresponsabilidade?”
DEDO-DURO
Quando o Mensalão deixou Lula de calças curtas, ele pulou fora:
- “Não vi, não sei de nada. Fui traído, apunhalado pelas costas”.
Presidente, Lula nomeou o delegado Romeu Tuma Junior Secretário Nacional de Justiça, vice-ministro da Justiça. Ninguém entendeu. Ele era filho do homem que prendeu Lula. Por que aquilo?
Desfez-se o mistério. O delegado Tuma Júnior acaba de publicar um livro-bomba (“Um Crime de Estado”-Topbooks 557 pags). Ele conta tudo:
-”Eu era investigador subordinado a meu pai e vivi tudo isso. Eu e Lula vivemos juntos esses momentos.Vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Lula era informante do meu pai no Dops. “Barba”era o codinome dele. Lula combinava tudo com Tumão.Tinham uma relação muito sigilosa”
Com nove dedos Lula era um dedo-duro. Imaginem se tivesse dez.
