Valor
Empresas, bancos e governos de países da América Latina captaram US$ 10,6 bilhões com a emissão de dívida no mercado internacional desde o início de novembro. Desse total, apenas US$ 557 milhões se referem a captações brasileiras, embora o Brasil seja tradicionalmente o país com maior volume de operações na região.
Há um mau humor do mercado com o Brasil, segundo a opinião de banqueiros, investidores e gestores de recursos que negociam bônus. "Estamos vivendo um momento mais negativo que outras economias", afirma Samy Podlubny, do BCP Securities.
Além disso, companhias brasileiras estão menos dispostas a ir ao mercado internacional. Carlos Gribel, diretor de renda fixa para a América Latina da corretora americana INT, observa que empresas com boa classificação de risco conseguem levantar recursos no mercado local e, por isso, têm recorrido menos às captações externas.
É provável que a atual tendência seja mantida até o fim do ano. Só nesta semana, US$ 2,6 bilhões em captações de emissores do México, Chile, Argentina e países da América Central foram anunciados. Enquanto isso, bancos de investimentos dão o ano como praticamente encerrado para captações de companhias brasileiras. Havia a expectativa de que a Petrobras fosse ao mercado para fazer uma emissão de bônus denominados em euros, mas fontes ouvidas pelo Valor acreditam que a estatal vai deixá-la para o ano que vem. Se não sair hoje, dificilmente será feita em 2013. Depois do tumultuado processo de reajuste dos combustíveis, a Petrobras passou a ser vista como um investimento arriscado, segundo algumas fontes.
Apesar dessa tendência, o Brasil mantém posição privilegiada nas captações latino-americanas, que somaram US$ 78,7 bilhões desde o início do ano, sendo US$ 39,1 bilhões de companhias brasileiras. Em 2012, emissores brasileiros levantaram US$ 51,5 bilhões, melhor desempenho da história.
Desde o começo de novembro, só a Companhia Brasileira de Cartuchos, com operação de US$ 250 milhões, e o Banco do Brasil, que captou 275 milhões de francos suíços, fizeram emissões externas. No BCP Securities, a participação das captações de emissores brasileiros caiu de 60% da receita do banco, em 2011, para algo entre 15% e 20% desde o ano passado.