sexta-feira, março 28, 2014

Após críticas da S&P, BNDES diz que reduzirá participação no crédito

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Para Coutinho, objetivo do banco é sustentar investimentos sem criar pressões sobre a política fiscal

(Vanderlei Almeida/AFP) 
BNDES elevou sua previsão de gastos para R$ 1,463 trilhão entre 2014 e 2017 

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta terça-feira que a instituição reduzirá naturalmente sua participação no crédito, abrindo espaço para o avanço dos bancos privados, especialmente na área de infraestrutura. "A participação do BNDES no crédito tende a se tornar um pouco menor à medida que a participação privada vir a ocorrer", disse.

Segundo ele, o BNDES se estrutura para reduzir neste ano a necessidade de recursos corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 5% ao ano, e que é subsidiada com recursos da União. "A principal linha de atuação do banco neste ano é buscar sustentar um volume de recursos de investimentos sem que isso represente pressões sobre a política fiscal", afirmou Coutinho.

A participação do BNDES na economia foi um dos fatores, segundo a agência de classificação de risco Standard & Poor's, que motivou o rebaixamento da nota de crédito do país, conforme anunciado nessa segunda-feira. Os aportes do Tesouro aos bancos públicos, em especial ao BNDES, foram decisivos para a deterioração das contas públicas, apontou a agência.

No início do ano, o BNDES havia afirmado que reduziria seus aportes ao setor de consumo, como empresas reconhecidamente dependentes do banco de fomento, como a JBS e a Marfrig, mas que manteria os investimentos em infraestrutura. Contudo, segundo as últimas informações de Coutinho, também neste setor o banco vai lançar mão de mecanismos de captação privada para poupar o Tesouro. Na semana passada, o BNDES anunciou o lançamento de fundos de debêntures de infraestrutura, o que mostra a intenção de captar recursos no mercado para direcioná-los, por exemplo, às concessões anunciadas no ano passado pelo governo.

Importação de serviços - 
O aumento do total de serviços de engenharia importados pelo Brasil entre 2012 e 2013 foi apontado como natural por Coutinho. "Não estamos financiando gastos locais no exterior. Estamos financiando indústrias e serviços no País, que são exportados", afirmou. Coutinho apresentou dados segundo os quais o País aparece elevando a importação desses serviços, de 4,7 bilhões de dólares em 2012 para 5 bilhões de dólares, em 2013.

Na direção oposta, a exportação desse tipo de serviço caiu de cerca de 9 bilhões de dólares para 8,2 bilhões de dólares. "Não há remessa de divisas para fazer apoio de um projeto em um país estrangeiro. O BNDES libera recursos em reais ao exportador brasileiro, que compra produtos e serviços no Brasil", disse.
Investimentos - Coutinho apresentou, nesta terça-feira, as projeções de investimento do órgão para 2014 a 2017. O BNDES elevou a previsão de gastos, em relação ao intervalo 2009 - 2012, em 339 bilhões de reais. O montante de recursos saltou de 1,124 trilhão de reais para 1,463 trilhão de reais, na comparação entre os períodos.

Apesar de a indústria ter perdido terreno para o setor de energia na liberação de recursos pelo banco nos últimos dois anos, o BNDES prevê um aporte de 697 bilhões de reais para o setor produtivo entre 2014 e 2017. Somente em 2013, energia recebeu 62,2 bilhões de reais do BNDES, enquanto a indústria obteve 58 bilhões de reais em crédito do órgão estatal. Agora, o volume de recursos para a indústria representa um aumento de 166 bilhões de reais em relação aos 531 bilhões de reais autorizados para 2009 - 2012. Já o setor de energia receberá 178 bilhões dos 550 bilhões de reais previstos para infraestrutura entre 2014 - 2017, o que representa um aumento de 6 bilhões de reais do intervalo 2009 - 2012.

O plano de financiamento do BNDES aponta ainda um aumento de 39 bilhões de reais para o segmento de serviços de transporte, saltando de 176 bilhões reais (2009 - 2012) para 215 bilhões de reais (2014 - 2017). 

Portos - 
O BNDES trabalha com a perspectiva de elevar o desembolso para o segmento portuário. "Essa carteira está em crescimento e a apoiaremos. Esperamos que nos próximos anos a participação de portos possa crescer", disse. De acordo com Coutinho, o setor portuário respondeu por 19,2 bilhões de reais no total de 62,2 bilhões de reais desembolsados pelo banco para a área de infraestrutura em 2013. O BNDES projeta investimento de 550 bilhões de reais em infraestrutura entre 2014 e 2017. O segmento logístico, no qual estão os portos, deve receber 209 bilhões de reais.

Coutinho participa de audiência de pública conjunta nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal. O debate é sobre financiamentos do BNDES a projetos de infraestrutura no exterior - em especial nos setores rodoviário, aeroportuário, hidroviário e de logística.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não é apenas o BNDES que precisará reduzir o seu volume de operações. A Caixa Econômica Federal, por incrível que pareça, segundo informa a Folha, precisará puxar o freio em suas operações de crédito. A disponibilidade de recursos atual suporta apenas até setembro de 20015, quando precisará de novos aportes do Tesouro para dar conta das operações. 

Em outras palavras, o governo da senhora Rousseff está sugando até a liquidez dos bancos públicos para tentar alavancar o crescimento do país  e, como se vê, suas tentativas tem resultado em fracasso. A "presidente-economista" parece não ter achado o caminho das pedras e teima em querer perseguir soluções inadequadas.