sexta-feira, março 28, 2014

Especialistas criticam governança da estatal

O Globo 

Para analistas, após ação do TCU, executivos deveriam conhecer detalhes

RIO - As revelações feitas pela presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em entrevista ao GLOBO, na terça-feira, levaram especialistas a criticar o modelo de governança da companhia. Para analistas, o fato de Graça Foster desconhecer vários assuntos relacionados à compra da refinaria de Pasadena mostra uma falha no mecanismo de delegação de poderes na estatal.

Na terça-feira, a executiva informou que criou uma comissão interna para apurar a compra da refinaria no Texas e revelou que não sabia de detalhes, como a existência de um “comitê de proprietários” no negócio, no qual Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, era o representante brasileiro. Costa está preso sob suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro.

Para Edmar Fagundes de Almeida, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico, do Instituto de Economia da UFRJ, embora seja compreensível que a presidente e os executivos da estatal não conheçam todos os detalhes de decisões da empresa.

Porém, no caso específico de Pasadena, a operação vem sendo investigada desde 2008 pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Portanto, afirma ele, seria de se esperar que os executivos soubessem do assunto com mais detalhes.

Fagundes afirmou que, de qualquer forma, o importante agora é apurar se houve irregularidades:

— A Petrobras investe mais de US$ 100 mil por dia, é humanamente impossível acompanhar tudo. É preciso explicar quanto se pagou e se houve má-fé — afirmou Fagundes.

Autonomia de gestão
Segundo uma fonte técnica da estatal, na gestão anterior, de José Sergio Gabrielli, os diretores tinham muita autonomia. Do mesmo modo, as áreas operacionais também gozavam de liberdade para fazerem aditivos aos contratos.

— O caso Pasadena mostra que existe uma grande falha no processo de governança , na aprovação de investimentos e gastos — disse um analista, que prefere não se identificar.