O Globo
Confira as dúvidas que persistem no caso
Um dos negócios mais polêmicos da Petrobras, a compra da refinaria de Pasadena (EUA) é cercada de dúvidas, atos secretos e cifras impressionantes. Adquirida em 2005 por US$ 42,5 milhões pela Astra Oil, a refinaria foi revendida à estatal por US$ 1,2 bilhão em duas parcelas (2006 e 2012). Há denúncias de que cláusulas importantes foram omitidas dos diretores e conselheiros que aprovaram o negócio, entre eles, Dilma Rousseff. Agora vem à tona, em entrevista exclusiva ao GLOBO, a existência de um comitê de proprietários de Pasadena, desconhecido da presidente da estatal até segunda-feira, em que o representante da Petrobras era o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso na semana passada por envolvimento com doleiros e suspeita de irregularidades na construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco.
Por que a Petrobras demorou tanto para investigar a compra?
Graça Foster (foto), presidente da estatal, anunciou apenas nesta terça-feira, em entrevista ao GLOBO, a criação de uma comissão de apuração interna para analisar a compra. Mas o negócio é alvo de polêmicas desde o seu início. Desde junho de 2013 o Ministério Público Federal no Estado do Rio apura possíveis infrações na compra da refinaria. Nesta terça-feira, a presidente diz ainda que descobriu apenas na segunda-feira um comitê de proprietários de Pasadena, cujo representante brasileiro era o ex-diretor Paulo Roberto Costa, atualmente preso. Além da demora, há falhas gerenciais na estatal?
Por que, em vez de punir, a Petrobras homenageou e manteve o diretor que conduziu o negócio?
A presidente Dilma Rousseff, outros conselheiros da Petrobras em 2006 e a própria presidente da estatal reconhecem que a compra de Pasadena foi feita sem que todos tivessem conhecimento de cláusulas importantes do negócio. Dilma disse que aprovou a transação baseada em um relatório falho e incompleto elaborado por Nestor Cerveró (foto), então diretor da Área Internacional. Ao recusar, em 2007, a compra dos 50% restantes da refinaria, e então conhecer a existência da cláusula de 'put option' (que tratava da venda do restante da refinaria) a estatal ainda manteve o diretor, que só saiu da Petrobras em 2008 e, segundo o blog de Gerson Camarotti, do G1, sob elogios do conselho, presidido por Dilma. Cerveró foi para a diretoria da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, de onde só foi demitido na última sexta-feira.
Pode ter havido problemas como estes em outros negócios?
Na época em que comprou a refinaria de Pasadena (foto), a Petrobras estava em expansão internacional e comprou outros ativos, como uma refinaria no Japão. Já há indícios de que o negócio japonês pode não ter sido bom para a estatal. Mas, ao saber agora das cláusulas secretas e do comitê de proprietários que se reunia sem conhecimento da estatal no caso de Pasadena, este não pode ter sido o padrão dos negócios de então? Pode haver mais atos secretos em outros negócios da estatal? A Petrobras vai fazer uma devassa em outros contratos da época?
Qual é a responsabilidade de Dilma e Gabrielli no negócio?
Dilma Rousseff era, na época da decisão da compra de Pasadena, ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da empresa. Ela já alegou que aprovou a venda baseada em um relatório incompleto e falho. O presidente da estatal, no momento, era José Sergio Gabrielli (foto), atualmente secretário de Planejamento da Bahia, na atual gestão petista. Ele também não sabia destas cláusulas? Qual é, de fato, a responsabilidade dos dois no negócio, que pode trazer prejuízos à estatal?
Qual é a relação entre Petrobras e as operações investigadas de Paulo Roberto Costa com doleiros?
O caso de Pasadena voltou aos noticiários no momento em que Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Negócios de Abastecimento da estatal, foi preso por sua ligação com doleiros, investigada na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que apura movimentações atípicas de até R$ 10 bilhões pelo Brasil. O delegado responsável pelo caso tem dito que há uma relação entre Costa, os doleiros e a construção da refinaria Abreu e Lima (foto), em Pernambuco. Qual é esta relação? Que tipo de irregularidade pode haver nesta obra, polêmica desde o seu início por causa da proposta de parceria com a estatal venezuelana PDVSA e depois pelo forte crescimento de seu orçamento, iniciado em US$ 4,5 bilhões e hoje superando os US$ 20 bilhões?
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