Por Reinaldo Azevedo
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Já se criou a chamada “estagflação”, lembram-se? A palavra apareceu para designar uma realidade econômica que se julgava impossível: estagnação com inflação. Nós provamos que não havia necessariamente contradição entre as duas coisas. Acabo de criar uma outra: a “estagnabilidade”, que vem a ser a combinação de estabilidade com estagnação. É a cara do governo Lula. O país corre o risco de crescer apenas 2,5% neste ano. E querem saber? Estudos sólidos indicam que, no ano que vem, talvez não passe de 2,8%. E o que garante o sucesso de Lula nas pesquisas de opinião? A “estagnabilidade”.
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Já se criou a chamada “estagflação”, lembram-se? A palavra apareceu para designar uma realidade econômica que se julgava impossível: estagnação com inflação. Nós provamos que não havia necessariamente contradição entre as duas coisas. Acabo de criar uma outra: a “estagnabilidade”, que vem a ser a combinação de estabilidade com estagnação. É a cara do governo Lula. O país corre o risco de crescer apenas 2,5% neste ano. E querem saber? Estudos sólidos indicam que, no ano que vem, talvez não passe de 2,8%. E o que garante o sucesso de Lula nas pesquisas de opinião? A “estagnabilidade”.
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Como ela pode ser caracterizada? Vejam bem: a inflação que temos aí decorre, basicamente, de serviços — e alguns que só dizem respeito às camadas que ganham acima de 10 mínimos: escola particular, por exemplo. Para os pobres, isso não tem importância. A inflação, suponho, na faixa até 3 mínimos é zero — se não houver deflação. Vale dizer: para essas camadas, o salário até aumenta. Para elas, o “crescimento” da economia já é maior do que 5%... Daí que o país possa crescer essa merreca, porém com relativa paz social.
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E no médio prazo? No médio prazo, o Brasil vai para o vinagre, com uma classe média, como demonstra a Veja desta semana, congelada, com cada vez menos folga para acumular, investir, empreender. Países que romperam o ciclo do baixo crescimento, ao contrário do Brasil, viram justamente essa classe média se ampliar, como ocorreu durante o regime militar no Brasil. A ditadura não tinha nada a ver com isso.
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Na “estagnabilidade”, enquanto ela durar, o capital especulativo continua a ser bem remunerado, o que garante a paz dos mercados; políticas compensatórias criam a ilusão da distribuição de renda, e o esmagamento da classe média alimenta a ilusão da diminuição das desigualdades. O baixo crescimento garante a clientela das políticas assistencialistas — e seu subproduto político: o proselitismo. Pode durar para sempre? Não pode, é claro. Fica na dependência da expansão da economia mundial. Quando se romper o equilíbrio, a gente arruma uma boa desculpa externa.
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Se eu tivesse de eleger um caso-símbolo da “estagnabilidade”, escolheria o apagão aéreo. Está provado: o país não consegue voar direito. Mas a larga maioria, que não anda de avião, considera esse problema muito distante da sua realidade. A “estagnabilidade”significa a opção consciente, política e moral pela mediocridade. A "estagnabilidade" é o modelo econômico do pobrismo.