Por Pedro do Coutto, na Tribuna da Imprensa
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Num gesto do mais absoluto ridículo, incompatível com o cargo que ocupa, de confiança do presidente Lula, o ministro Valdir Pires, durante a audiência pública promovida pela Câmara dos Deputados para debater a crise nos aeroportos, queixou-se do salário que recebe, segundo disse, 6 mil reais por mês, muito baixo. A colocação, impensada, não tem cabimento.
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O titular da Defesa, que, diga-se de passagem, não consegue resolver problema algum, não é obrigado a permanecer no posto. Se tem restrições ao que recebe, basta pedir exoneração e cuidar de sua vida de advogado, aliás competente e bem-sucedido. Foi consultor geral da República no governo João Goulart e, depois do retorno à vida política, elegeu-se governador da Bahia, derrotando Josafá Marinho, apoiado por Antônio Carlos Magalhães. Isso foi em 86. Em 89, renunciou para concorrer a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães. Já não estava vendo bem o panorama político. Caso contrário, perceberia que, naquelas condições, Ulisses não possuía a menor perspectiva de vitória.
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Valdir Pires jogou o mandato fora. Foi ministro da Previdência no governo José Sarney. Agora, francamente, ocupa um cargo com o qual não tem a menor afinidade. Nem motivação. Só diz obviedades, acha tudo no melhor dos mundos. Como aliás considerou também quando, já na administração Luís Inácio da Silva, exerceu a Controladoria Geral da União. Não controlou nada. Não tomou providência alguma nos casos de corrupção que foram colocados à sua frente. Adotou o escapismo como forma de administrar. Um equívoco duplo. Do presidente da República e dele próprio, Valdir Pires. Pior para o País.
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Num gesto do mais absoluto ridículo, incompatível com o cargo que ocupa, de confiança do presidente Lula, o ministro Valdir Pires, durante a audiência pública promovida pela Câmara dos Deputados para debater a crise nos aeroportos, queixou-se do salário que recebe, segundo disse, 6 mil reais por mês, muito baixo. A colocação, impensada, não tem cabimento.
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O titular da Defesa, que, diga-se de passagem, não consegue resolver problema algum, não é obrigado a permanecer no posto. Se tem restrições ao que recebe, basta pedir exoneração e cuidar de sua vida de advogado, aliás competente e bem-sucedido. Foi consultor geral da República no governo João Goulart e, depois do retorno à vida política, elegeu-se governador da Bahia, derrotando Josafá Marinho, apoiado por Antônio Carlos Magalhães. Isso foi em 86. Em 89, renunciou para concorrer a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães. Já não estava vendo bem o panorama político. Caso contrário, perceberia que, naquelas condições, Ulisses não possuía a menor perspectiva de vitória.
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Valdir Pires jogou o mandato fora. Foi ministro da Previdência no governo José Sarney. Agora, francamente, ocupa um cargo com o qual não tem a menor afinidade. Nem motivação. Só diz obviedades, acha tudo no melhor dos mundos. Como aliás considerou também quando, já na administração Luís Inácio da Silva, exerceu a Controladoria Geral da União. Não controlou nada. Não tomou providência alguma nos casos de corrupção que foram colocados à sua frente. Adotou o escapismo como forma de administrar. Um equívoco duplo. Do presidente da República e dele próprio, Valdir Pires. Pior para o País.
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Agora, a questão do salário. Em primeiro lugar, um ministro de estado não ganha apenas 6 mil reais. Tem verba de representação e suas despesas pagas. Reclamando de sua situação, agrediu a população trabalhadora brasileira que enfrenta gravíssimas dificuldades em razão dos baixos vencimentos. Para início de conversa, Valdir Pires não leu o Anuário Estatístico de 2005 do IBGE. Ou a PNAD. Se tivesse lido pelo menos o resumo que saiu nos jornais, veria que 27,6 por cento da mão-de-obra ativa do País, formada por cerca de 90 milhões de pessoas, ganham até um salário mínimo.
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Apesar da lei em vigor, muitos recebem abaixo do piso. A faixa dos que recebem de 1 a 2 mínimos abrange 28,7 por cento. Os que se encontram entre o segundo e o terceiro degraus são 10,2 por cento. Assim, nada menos que 56 por cento não ultrapassam três pisos. Aqueles cujos vencimentos oscilam de 3 a 5 mínimos são 11 por cento. Assim, 77,5 por cento dos brasileiros e brasileiras não ganham mais do que 1 mil e 750 reais por mês. Doze por cento não possuem rendimento algum - acentua o IBGE. Acima de 20 salários mínimos mensais só 1 por cento dos que trabalham. O ministro Valdir Pires, incluídas todas as vantagens inerentes ao cargo que ocupa, está na faixa de 1 por cento. Não pode reclamar.
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Aliás a reclamação que expôs para si significa uma crítica direta ao governo Lula, do qual faz parte. Isso porque os reajustes salariais não acompanham a inflação. De janeiro de 2003 a dezembro deste ano, o custo de vida - eis aí o IBGE de novo - subiu 27 por cento. Qual o salário que acompanhou este índice? Nenhum. A raiz da defasagem está aí. Ela vem se afirmando desde janeiro de 95, quando FHC assumiu o Planalto.
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A derrota dos vencimentos para a inflação é um fato. Basta dizer que o último aumento linear coletivo foi estabelecido pelo presidente Itamar Franco (22 por cento em dezembro de 2002), com vigência a partir de janeiro de 2003. De lá para cá, um desastre. Exceto quanto ao salário mínimo que, em maio deste ano, período eleitoral, foi elevado em 16 por cento. Mas exatamente pelo fato de o piso ter sido corrigido acima da inflação de 2005, que foi de 5 pontos, é que maior número de trabalhadores e funcionários públicos passou a ganhar o básico. E toda vez que se aumentar o mínimo em escala superior à dos demais salários, o fenômeno vai se fazer sentir. Uma forte compressão para baixo.
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A crítica do ministro Valdir Pires estaria completa se ele acrescentasse uma comparação entre o baixo subsídio que recebe e as taxas de juros pagas pelo governo aos bancos para rolar a dívida interna, 13,25 por cento ao ano. Mais completa ainda ficaria se confrontasse as reposições inflacionárias nos vencimentos aos juros em torno de 100 a 105 por cento, ao ano, cobrados pelo comércio no crédito direto e pela rede bancária em matéria de empréstimos pessoais. Não vale a pena sequer citar as taxas dos cheques especiais e as cobradas pelos cartões de crédito. Que país é esse? - como de certa feita perguntou o então governador de Minas Gerais, Francelino Pereira. Eis aí uma boa pergunta para o ministro Valdir Pires colocar para si mesmo, diante do espelho.
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No que se refere aos juros pagos aos bancos para girar a dívida interna, forçoso é reconhecer que Lula conseguiu reduzi-los à metade. Quando assumiu o governo os encontrou na escala de 26,5 por cento. Conseguiu reduzi-los para 13,25 pontos. Mas no seu período, o endividamento subiu de 670 bilhões para 1 trilhão e agora 75 bilhões de reais. Quem está pagando a conta? Claro que todos nós, assalariados. Muito mais do que o ministro Valdir Pires. Ele falou sem pensar na repercussão. Cometeu mais um erro da série.
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Apesar da lei em vigor, muitos recebem abaixo do piso. A faixa dos que recebem de 1 a 2 mínimos abrange 28,7 por cento. Os que se encontram entre o segundo e o terceiro degraus são 10,2 por cento. Assim, nada menos que 56 por cento não ultrapassam três pisos. Aqueles cujos vencimentos oscilam de 3 a 5 mínimos são 11 por cento. Assim, 77,5 por cento dos brasileiros e brasileiras não ganham mais do que 1 mil e 750 reais por mês. Doze por cento não possuem rendimento algum - acentua o IBGE. Acima de 20 salários mínimos mensais só 1 por cento dos que trabalham. O ministro Valdir Pires, incluídas todas as vantagens inerentes ao cargo que ocupa, está na faixa de 1 por cento. Não pode reclamar.
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Aliás a reclamação que expôs para si significa uma crítica direta ao governo Lula, do qual faz parte. Isso porque os reajustes salariais não acompanham a inflação. De janeiro de 2003 a dezembro deste ano, o custo de vida - eis aí o IBGE de novo - subiu 27 por cento. Qual o salário que acompanhou este índice? Nenhum. A raiz da defasagem está aí. Ela vem se afirmando desde janeiro de 95, quando FHC assumiu o Planalto.
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A derrota dos vencimentos para a inflação é um fato. Basta dizer que o último aumento linear coletivo foi estabelecido pelo presidente Itamar Franco (22 por cento em dezembro de 2002), com vigência a partir de janeiro de 2003. De lá para cá, um desastre. Exceto quanto ao salário mínimo que, em maio deste ano, período eleitoral, foi elevado em 16 por cento. Mas exatamente pelo fato de o piso ter sido corrigido acima da inflação de 2005, que foi de 5 pontos, é que maior número de trabalhadores e funcionários públicos passou a ganhar o básico. E toda vez que se aumentar o mínimo em escala superior à dos demais salários, o fenômeno vai se fazer sentir. Uma forte compressão para baixo.
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A crítica do ministro Valdir Pires estaria completa se ele acrescentasse uma comparação entre o baixo subsídio que recebe e as taxas de juros pagas pelo governo aos bancos para rolar a dívida interna, 13,25 por cento ao ano. Mais completa ainda ficaria se confrontasse as reposições inflacionárias nos vencimentos aos juros em torno de 100 a 105 por cento, ao ano, cobrados pelo comércio no crédito direto e pela rede bancária em matéria de empréstimos pessoais. Não vale a pena sequer citar as taxas dos cheques especiais e as cobradas pelos cartões de crédito. Que país é esse? - como de certa feita perguntou o então governador de Minas Gerais, Francelino Pereira. Eis aí uma boa pergunta para o ministro Valdir Pires colocar para si mesmo, diante do espelho.
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No que se refere aos juros pagos aos bancos para girar a dívida interna, forçoso é reconhecer que Lula conseguiu reduzi-los à metade. Quando assumiu o governo os encontrou na escala de 26,5 por cento. Conseguiu reduzi-los para 13,25 pontos. Mas no seu período, o endividamento subiu de 670 bilhões para 1 trilhão e agora 75 bilhões de reais. Quem está pagando a conta? Claro que todos nós, assalariados. Muito mais do que o ministro Valdir Pires. Ele falou sem pensar na repercussão. Cometeu mais um erro da série.