por Paulo Moreira Leite, Estadão Online
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Alguém sabe quem inventou o Guaraná Antártica? Ninguém. Nos arquivos da Antártica, a história perdeu-se no tempo, na falta de registros precisos de nossa indústria. A Antártica sabe apenas quem inventou o Guaraná Diet, muito mais recente. Foi um químico, profissional que tornou-se uma lenda na empresa. Anos atrás, fiz uma reportagem com ele.
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Alguém sabe quem inventou o Guaraná Antártica? Ninguém. Nos arquivos da Antártica, a história perdeu-se no tempo, na falta de registros precisos de nossa indústria. A Antártica sabe apenas quem inventou o Guaraná Diet, muito mais recente. Foi um químico, profissional que tornou-se uma lenda na empresa. Anos atrás, fiz uma reportagem com ele.
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Certas palavras da mídia tem a mesma história coletiva de um produto industrial, que começa na prancheta de um engenheiro para sofrer mudanças sucessivas até ganhar a forma final. Todos repetem mas ninguém sabe quem teve a idéia pioneira. Jornalistas são autores anônimos e só uma parte de seu trabalho é divulgado na forma de textos assinados.
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Hoje, muitas pessoas se perguntam quando a imprensa passou a usar a expressão “pizza” para falar em impunidade. Pouca gente sabe. Isso é normal.Mas o termo “pizza” foi empregado pela primeira vez nos anos 80, no final do governo José Sarney, na redação da VEJA. Eu estava lá. Os escândalos envolvendo auxiliares do presidente José Sarney eram periódicos, ainda que nem de longe possam ser comparados ao que viria depois. Depois da apuração de duas ou três denúncias que não deram em nada, os editores da revista discutiam o fechamento de mais uma edição sobre o assunto. Inconformado, o diretor de redação, José Roberto Guzzo, reagiu: “Mais uma vez, tudo vai acabar em pizza.”
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A idéia era simples: depois de muita agitação, todos iriam confraternizar em torno de uma mesa – como acontece nas noites de domingo, em São Paulo. A expressão pegou. Saiu nas páginas da revista, depois chegou aos jornais, à TV e à conversa do cidadão comum.
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Tempos atrás procurei o Guzzo, que hoje é membro do Conselho Editorial da Abril, para lembrar deste episódio. Ele disse que não se recordava de nada. Também disse que essa idéia não tinha pai. “Não faço idéia do que aconteceu. Posso ter ouvido essa expressão num jantar e só repeti mais tarde, na redação. O autor não importa.”