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Por Jorge Serrão, no Alerta Total
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As chamadas “elites”, que não foram seus eleitores, serão o principal alvo do pacote do presidente Lula da Silva que pretende “destravar” a economia. O governo espera conseguir recursos para investimentos em infra-estrutura taxando ainda mais a classe média alta e os ricos. A equipe econômica estuda um imposto sobre grandes fortunas e uma taxação sobre consumo de artigos de luxo – como carros mais sofisticados e jóias. O acordo para as medidas é costurado com industriais, empreiteiros e banqueiros. O Alerta Total teve acesso a algumas idéias.
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Entre as medidas mais polêmicas em estudo, o governo pensa em criar um imposto de 0,5 a 1% sobre os salários acima de R$ 4 mil. O valor seria destinado a um mega-programa de construção de casas populares. Os fundos de investimento, com depósitos acima de R$ 50 mil, também seriam sobre-taxados e os recursos destinados a programas sociais produtivos. As medidas de impacto seriam anunciadas esta semana pelo presidente. Mas ele preferiu adiá-las, temendo que o governo fosse tragado pela onda negativa da repercussão dos 90,7% do aumento salarial dos deputados e senadores.
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O governo também pretende mudar as regras da caderneta de poupança. Não haverá confiscos – como se comenta em boatos via Internet. A idéia é criar uma nova modalidade de aplicação, combinada com títulos de capitalização de curto prazo. A poupança daria maior remuneração a aplicações de três a seis meses. Mas o poupador ficaria proibido de retirar o dinheiro durante este período, sob pena de perder a remuneração em juros e correção. A grande alteração seria na destinação e na possibilidade maior de uso dos recursos dos poupadores – atualmente restrita ao financiamento imobiliário. Parte do dinheiro financiaria a Saúde ou socorreria a Previdência.
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Se pensa em taxar ainda mais os mais ricos, o governo estuda medidas para agradar a classe média e baixa. Um dos projetos é retirar os impostos sobre artigos de primeira necessidade, como a cesta básica, a exemplo do que já fizeram alguns estados. A regra seria nacional, aprovada pelo Conselho de Política Fazendária (o Confaz). Além disso, seriam reduzidos os impostos sobre eletrodomésticos e eletroeletrônicos, como fogões, geladeiras, máquinas de lavar, televisores, computadores e aparelhos de áudio e vídeo. A intenção de Lula é aumentar o poder de consumo do seu eleitorado, agradando aos segmentos econômicos que agora lhe dão sustentação na indústria, no comércio, na construção civil e no sistema financeiro.