Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Escolhidos os novos presidentes da Câmara e do Senado, que pretexto o presidente Lula encontrará para protelar a reforma do ministério? Pela lógica, não há mais nenhum, a menos que tenha voltado atrás e decidido manter a equipe com pequenas retificações. O problema é que o segundo mandato foi anunciado como uma nova fase do governo, e a divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento só confirmou a expectativa. No ano passado, com a debandada de ministros para a corrida eleitoral, diversos ministérios foram preenchidos por "regra-três", nomeados como "interinos".
Sinais, para uns, inconfidências, para outros, a verdade é que começam a freqüentar a imprensa e o Congresso nomes de futuros prováveis ministros, sem falar nos que permanecerão por mérito, acima das barganhas partidárias. Dilma Rousseff, da Casa Civil, Luiz Dulci, na Secretaria Geral da Presidência, Celso Amorin, das Relações Exteriores, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, Luiz Furlan, do Desenvolvimento Industrial, e Silas Rondeau, das Minas e Energia.
Márcio não quer continuar
Dos capazes de serem nomeados sem causar surpresa, citam-se Tarso Genro, para a Justiça, dada a decisão irrevogável de Márcio Thomaz Bastos não continuar; Marta Suplicy, para Cidades ou Educação, desde que se comprometa a não disputar a prefeitura de São Paulo; Nelson Marchezelli, para Agricultura, caso o PTB se componha com o governo. E outros.
Se a reforma não for outra vez adiada, que critérios o presidente utilizará para compor o novo ministério? Meses atrás, ele falou da competência técnica como fator fundamental, sem esquecer as motivações partidárias, agora melhor dimensionadas pelo próprio adiamento. O PMDB já pleiteou copiar a hidra de sete cabeças, imaginando conquistar sete ministérios. As pretensões numéricas diminuíram, mas os candidatos são os mesmos: Geddel Vieira Lima, Eunício Oliveira, Hélio Costa (para continuar nas Comunicações) e Cesar Schirmer.
O PT copia a fábula da assembléia dos ratos que decidiram colocar um guizo no pescoço do gato. Segunda-feira, na reunião da Executiva Nacional, foram grandes as exortações e até as imposições de que não deveriam perder espaços na administração federal, mas um dia depois, no gabinete presidencial, ninguém se animou a falar grosso com o presidente.
Os blocos partidários governistas, em plena ebulição e sofrendo transformações contínuas, passam o chapéu pelas proximidades do Planalto, mas não sabem se obterão sucesso. O PP e o PR engrossam suas bancadas com trânsfugas do PFL e talvez do PTB, mas, enquanto seus dirigentes não forem convocados para especificamente discutirem o ministério, continuarão apenas especulando, como a imprensa. Vale o mesmo para os aliados fiéis, como PC do B e PSB.
A grande dúvida é saber se o presidente Lula apresentará aos partidos um prato-feito, com escolhas já definidas, ou se ficará submetido ao desgastante jogo das pressões partidárias, dos quais nem Tancredo Neves escapou.
Se a moda pega
Apesar de fazermos fronteira com a Venezuela e com a Bolívia, e de estarmos a algumas centenas de quilômetros do Equador, são grandes as diferenças de estilo de governo e de concepções políticas e doutrinárias entre eles e nós. Sob esse aspecto, parece vivermos em outro mundo. Ou eles.
Mesmo assim, começa a germinar em certos grupos de esquerda, inclusive diplomáticos, situados no PT e adjacências, uma espécie de aceitação e até de admiração pelo que vem fazendo Hugo Chávez e seus pupilos. Assembléia Constituinte, poderes especiais aos chefes de governo, estatizações e nacionalizações andam longe de se constituir anacronismo e coisa do passado.
São fenômenos cíclicos, como privatizações, neoliberalismo e globalização. É a teoria do pêndulo, que quando se solta da parede onde estava amarrado vai para o extremo oposto. Seria bom a equipe econômica da dupla Guido Mantega-Henrique Meirelles prestar atenção. Colarinho que aperta o pescoço não demora a perder o botão...
Escolhidos os novos presidentes da Câmara e do Senado, que pretexto o presidente Lula encontrará para protelar a reforma do ministério? Pela lógica, não há mais nenhum, a menos que tenha voltado atrás e decidido manter a equipe com pequenas retificações. O problema é que o segundo mandato foi anunciado como uma nova fase do governo, e a divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento só confirmou a expectativa. No ano passado, com a debandada de ministros para a corrida eleitoral, diversos ministérios foram preenchidos por "regra-três", nomeados como "interinos".
Sinais, para uns, inconfidências, para outros, a verdade é que começam a freqüentar a imprensa e o Congresso nomes de futuros prováveis ministros, sem falar nos que permanecerão por mérito, acima das barganhas partidárias. Dilma Rousseff, da Casa Civil, Luiz Dulci, na Secretaria Geral da Presidência, Celso Amorin, das Relações Exteriores, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, Luiz Furlan, do Desenvolvimento Industrial, e Silas Rondeau, das Minas e Energia.
Márcio não quer continuar
Dos capazes de serem nomeados sem causar surpresa, citam-se Tarso Genro, para a Justiça, dada a decisão irrevogável de Márcio Thomaz Bastos não continuar; Marta Suplicy, para Cidades ou Educação, desde que se comprometa a não disputar a prefeitura de São Paulo; Nelson Marchezelli, para Agricultura, caso o PTB se componha com o governo. E outros.
Se a reforma não for outra vez adiada, que critérios o presidente utilizará para compor o novo ministério? Meses atrás, ele falou da competência técnica como fator fundamental, sem esquecer as motivações partidárias, agora melhor dimensionadas pelo próprio adiamento. O PMDB já pleiteou copiar a hidra de sete cabeças, imaginando conquistar sete ministérios. As pretensões numéricas diminuíram, mas os candidatos são os mesmos: Geddel Vieira Lima, Eunício Oliveira, Hélio Costa (para continuar nas Comunicações) e Cesar Schirmer.
O PT copia a fábula da assembléia dos ratos que decidiram colocar um guizo no pescoço do gato. Segunda-feira, na reunião da Executiva Nacional, foram grandes as exortações e até as imposições de que não deveriam perder espaços na administração federal, mas um dia depois, no gabinete presidencial, ninguém se animou a falar grosso com o presidente.
Os blocos partidários governistas, em plena ebulição e sofrendo transformações contínuas, passam o chapéu pelas proximidades do Planalto, mas não sabem se obterão sucesso. O PP e o PR engrossam suas bancadas com trânsfugas do PFL e talvez do PTB, mas, enquanto seus dirigentes não forem convocados para especificamente discutirem o ministério, continuarão apenas especulando, como a imprensa. Vale o mesmo para os aliados fiéis, como PC do B e PSB.
A grande dúvida é saber se o presidente Lula apresentará aos partidos um prato-feito, com escolhas já definidas, ou se ficará submetido ao desgastante jogo das pressões partidárias, dos quais nem Tancredo Neves escapou.
Se a moda pega
Apesar de fazermos fronteira com a Venezuela e com a Bolívia, e de estarmos a algumas centenas de quilômetros do Equador, são grandes as diferenças de estilo de governo e de concepções políticas e doutrinárias entre eles e nós. Sob esse aspecto, parece vivermos em outro mundo. Ou eles.
Mesmo assim, começa a germinar em certos grupos de esquerda, inclusive diplomáticos, situados no PT e adjacências, uma espécie de aceitação e até de admiração pelo que vem fazendo Hugo Chávez e seus pupilos. Assembléia Constituinte, poderes especiais aos chefes de governo, estatizações e nacionalizações andam longe de se constituir anacronismo e coisa do passado.
São fenômenos cíclicos, como privatizações, neoliberalismo e globalização. É a teoria do pêndulo, que quando se solta da parede onde estava amarrado vai para o extremo oposto. Seria bom a equipe econômica da dupla Guido Mantega-Henrique Meirelles prestar atenção. Colarinho que aperta o pescoço não demora a perder o botão...