sábado, fevereiro 03, 2007

Governo Lula e a Privatização da folha do INSS

Armação: Lula faz acerto de contas na Previdência, para entregar a gestão do setor a banqueiros estrangeiros
Por Jorge Serrão, Alerta Total
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A entrega da gestão da arrecadação da Previdência para grandes bancos (principalmente europeus) está por trás das boas intenções do governo em promover um “acerto de contas” para diminuir, contabilmente, o déficit previdenciário (que não deveria existir, se o governo cumprisse a lei que destina verbas para a seguridade social). Não foi coincidência que a promessa de fazer "um mero arranjo burocrático" na Previdência foi apresentada ontem, em Londres, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a 15 analistas graduados de bancos e fundos de investimentos da City londrina.
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Aos futuros donos do bem negócio, Guido Mantega, destacou que o governo brasileiro está disposto a fazer mudanças no setor. Aos investidores da nobreza econômica européia, com quem se reuniu na Inglaterra, Mantega chegou a empregar o termo “reforma” da previdência. O ministro anunciou a medida provisória que vai transferir para a conta do Tesouro Nacional R$ 18 bilhões classificados como “gastos” previdenciários. A mudança na forma de contabilizar as receitas e despesas da Previdência Social está em avaliação no governo. O presidente Lula da Silva já havia batraqueado que o governo refaria as contas previdenciárias, por considerar os benefícios como política social.
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Com as mudanças contábeis, o governo pretende reduzir o que chama de “déficit da Previdência”. O “rombo” induzido cairá de R$ 42 bilhões para R$ 3 bilhões e 800 milhões de uma só tacada. O ministro da Previdência Social, Nelson Machado, confirmou que o governo pretende fazer uma reformulação nas contas da previdência dos trabalhadores privados. A jogada do governo petista consiste em separar o que é benefício do que é subsídio concedido a diversos setores, através da isenção ou redução de alíquotas da contribuição.
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As renúncias de receitas somaram, em 2006, R$ 18 bilhões. Os recursos serão contabilizadas como subsídios do Tesouro. A mágica do governo consiste em dar maior transparência às contas. Além disso, o governo quer indicar que existe um problema atuarial a ser enfrentado no longo prazo. E a solução seria um “novo formato de gestão”, no qual o remédio seria dado pela receita dos investidores estrangeiros interessados em gerenciar nossa rica previdência, em parceria com os bancos privados brasileiros.