segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Eles são café-com-leite

Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo

O ministro da Fazenda ficou refém de bandidos por quatro horas e meia e o Brasil nem soube. Faz todo o sentido.

É o mesmo ministro colegial que faz em público um apelo ao presidente do Banco Central, dizendo em tom meio jocoso, meio sorridente, que o país quer que os juros caiam – e obviamente nada acontece. É a autoridade derretendo como Mantega aos olhos da nação.

Como pode um ministro da Fazenda desse, que faz declarações “desenvolvimentistas” sem a menor conseqüência, que faz discursos político-eleitorais dizendo que o adversário do presidente da República “é o candidato do mercado”, e a conjuntura econômica não sofre um arrepio sequer?

Resposta: o ministro da Fazenda, esse que agora está com síndrome de Estocolmo e resolveu preservar os bandidos que o encarceraram, não tem a menor importância. Nem ele, nem a trupe “desenvolvimentista” importada da Fiesp para a área econômica, que está lá só para fazer discursos em favor do PAC e outras ilusões.

A vida real do país hoje não depende mais desse tipo de autoridade. Por um lado foi bom, porque Lula, que não é bobo, pôde dar corda a toda essa entourage acadêmico-partidária que o acompanha com a bula da salvação do mundo. Podem dizer o que quiserem, podem prometer suas melhores fantasias, a hora é essa. Hora do recreio.

Para se ter uma idéia, Paulo Nogueira Batista Jr., um dos economistas que arquitetaram a famosa moratória do Funaro de 1987 – um desastre que o país levou pelo menos dez anos para começar a reparar – foi indicado pelo governo e aceito para ocupar uma diretoria do FMI.

Vinte anos depois, quando o risco-Brasil está quase desaparecendo porque foi feito exatamente o contrário do que Nogueira Batista pregou, ele arranja uma vaga no camarote da comunidade financeira internacional que sempre deplorou.

Tudo isso acontece no auge do “governo de esquerda”. Viva Lula. Agora é a hora de levar os catadores de papel para dentro da Secretaria do Tesouro, mandar os sem-terra invadirem a Receita Federal, quem sabe nomear Maria da Conceição Tavares presidente do Banco Central.

Vai ser lindo, e não fará mal a ninguém. Assim como Mantega, hoje são todos café-com-leite.