segunda-feira, fevereiro 26, 2007

A esquerda e os crimes sem criminosos

Blog do Reinaldo Azevedo
.
Então ficamos assim. Sindicatos filiados à CUT se associam ao livre atirador sem-terra José Rainha Jr. para invadir terras em São Paulo. A direção da central diz que apóia a luta pela reforma agrária, mas que não tem nada com isso porque respeita a autonomia dos sindicatos. O próprio MST, que hoje hostiliza um tanto José Rainha, também diz que não pode responder por aquelas ações.
.
É uma tática conhecida da esquerda: cometer o crime, mas sem criminosos. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nem mesmo tem existência jurídica. Não pode ser legalmente responsabilizado por nenhum de seus atos. É uma espécie de entidade espiritual que congrega cooperativas. Na hora de receber dinheiro dos governos federal e estaduais, são elas que comparecem como entes jurídicos. Quando se trata de procurar os invasores, aí se passa a lidar com um ente abstrato: o MST.
.
Luiz Antonio Marrey, secretário de Justiça de São Paulo, diz que o governo não negocia com os sem-terra enquanto eles não deixarem as fazendas invadidas no Estado. É o certo. Como sabem, defendi aqui essa posição. Aliás, mesmo depois, é preciso saber o que eles querem. Mais: é preciso saber quem quer o quê. Se o MST não existe, não pode reivindicar nada. Se cooperativas têm reivindicações, que assinem um termo de responsabilidade com o ente estatal. O resto é banditismo político e sindical.
.
Ademais, o que se tem aí é só a frente, digamos, rural de desgaste do governo do Estado. Há também a urbana — esta, sim, mais complicada porque conta com o apoio de parcelas importantes da mídia. Trato disso em outros textos.