Por Ranier Bragon e Letícia Sander, na Folha :
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Do total da "verba indenizatória" que a Câmara destinou aos deputados em janeiro, 15% se referem ao ressarcimento de supostos gastos com a chamada "divulgação do mandato parlamentar". A Folha constatou que o dinheiro público é usado, entre outras coisas, para fins eleitorais e para a compra de reportagens benéficas aos deputados em órgãos de imprensa regionais.O caso mais evidente é o do líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que afirmou, em um primeiro momento, manter um contrato com o jornal que controla, a "Tribuna do Norte".O diário publicaria notícias sobre as atividades do deputado em Brasília e, em troca, receberia como remuneração a verba do deputado destinada à "divulgação do mandato"."Tem contrato, tem recibo, tudo direitinho do jornal, tem recibo guardado, tudo direitinho", afirmou o deputado, em um primeiro contato.Depois, ele retificou: "Não é um contrato formal. Eu pago e eles dão recibo."O peemedebista afirma que as "reportagens" são produzidas quase sempre por meio de entrevistas que ele concede ao seu assessor de imprensa.Entre as "reportagens" destacadas pelo deputado está a sua eleição para a liderança do PMDB, uma entrevista sobre o apoio do PMDB a Luiz Inácio Lula da Silva e a descrição da sessão para a eleição do novo presidente da Câmara, presidida por ele em 1º de fevereiro."Quando fui presidir a eleição da Câmara, publicamos uma página inteira, uma foto nossa, tenho dez mandatos. Tô no décimo mandato, aí fizemos uma página no jornal muito bonita", disse. Alves presidiu a sessão por ser o deputado com o maior número de mandatos.Em janeiro, ele foi reembolsado pela Câmara em R$ 10,5 mil por gastos a título de "divulgação do mandato". Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o líder do PMDB declarou um patrimônio de R$ 1 milhão, que inclui ações em rádio e TV.
COMENTANDO A NOTÍCIA: E o cretino tem a cara-dura de querer se justificar e com uma desculpa vagabunda dessas! Só num país em que o Poder Judiciário é uma mera piada (cara, mas ainda assim piada), um cafajeste como este tem mandato parlamentar e anda solto ! E o que é pior é que um salafrário destes se voltar a candidatar-se vai ser eleito com aclamação !!! É justo por isso que Educação neste país não é tratada nem como prioridade nem com respeito !
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O butim
por Clóvis Rossi, na Folha
Do total da "verba indenizatória" que a Câmara destinou aos deputados em janeiro, 15% se referem ao ressarcimento de supostos gastos com a chamada "divulgação do mandato parlamentar". A Folha constatou que o dinheiro público é usado, entre outras coisas, para fins eleitorais e para a compra de reportagens benéficas aos deputados em órgãos de imprensa regionais.O caso mais evidente é o do líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que afirmou, em um primeiro momento, manter um contrato com o jornal que controla, a "Tribuna do Norte".O diário publicaria notícias sobre as atividades do deputado em Brasília e, em troca, receberia como remuneração a verba do deputado destinada à "divulgação do mandato"."Tem contrato, tem recibo, tudo direitinho do jornal, tem recibo guardado, tudo direitinho", afirmou o deputado, em um primeiro contato.Depois, ele retificou: "Não é um contrato formal. Eu pago e eles dão recibo."O peemedebista afirma que as "reportagens" são produzidas quase sempre por meio de entrevistas que ele concede ao seu assessor de imprensa.Entre as "reportagens" destacadas pelo deputado está a sua eleição para a liderança do PMDB, uma entrevista sobre o apoio do PMDB a Luiz Inácio Lula da Silva e a descrição da sessão para a eleição do novo presidente da Câmara, presidida por ele em 1º de fevereiro."Quando fui presidir a eleição da Câmara, publicamos uma página inteira, uma foto nossa, tenho dez mandatos. Tô no décimo mandato, aí fizemos uma página no jornal muito bonita", disse. Alves presidiu a sessão por ser o deputado com o maior número de mandatos.Em janeiro, ele foi reembolsado pela Câmara em R$ 10,5 mil por gastos a título de "divulgação do mandato". Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o líder do PMDB declarou um patrimônio de R$ 1 milhão, que inclui ações em rádio e TV.
COMENTANDO A NOTÍCIA: E o cretino tem a cara-dura de querer se justificar e com uma desculpa vagabunda dessas! Só num país em que o Poder Judiciário é uma mera piada (cara, mas ainda assim piada), um cafajeste como este tem mandato parlamentar e anda solto ! E o que é pior é que um salafrário destes se voltar a candidatar-se vai ser eleito com aclamação !!! É justo por isso que Educação neste país não é tratada nem como prioridade nem com respeito !
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O butim
por Clóvis Rossi, na Folha
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Quem ainda lê o noticiário político está sendo embromado há praticamente quatro meses com noticiário inútil em torno da reforma ministerial. Nunca neste país, para me apoiar na muleta retórica do presidente, foi tão oco o debate em torno da composição do ministério.
Quem ainda lê o noticiário político está sendo embromado há praticamente quatro meses com noticiário inútil em torno da reforma ministerial. Nunca neste país, para me apoiar na muleta retórica do presidente, foi tão oco o debate em torno da composição do ministério.
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Nunca se diz uma palavra sobre duas coisas essenciais: 1 - Quais os planos e projetos de cada partido que ambiciona sua cota de poder no governo Lula? 2 - Quais os planos e projetos de cada “ministeriável” apresentado pelos partidos ao presidente?
Nunca se diz uma palavra sobre duas coisas essenciais: 1 - Quais os planos e projetos de cada partido que ambiciona sua cota de poder no governo Lula? 2 - Quais os planos e projetos de cada “ministeriável” apresentado pelos partidos ao presidente?
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Alguém aí acha, a sério, que o PMDB, por exemplo, tem algum plano ou projeto para o país? Não tem nem pode ter, porque, para ficar em apenas dois nomes, Roberto Requião, governador do Paraná, e Delfim Netto, neoguru de Lula, não falam a mesma língua, embora ambos sejam do PMDB. Poderia estender a lista dos incompatíveis entre si no partido (e em vários outros, quase todos aliás) até acabar o espaço desta coluna.
Alguém aí acha, a sério, que o PMDB, por exemplo, tem algum plano ou projeto para o país? Não tem nem pode ter, porque, para ficar em apenas dois nomes, Roberto Requião, governador do Paraná, e Delfim Netto, neoguru de Lula, não falam a mesma língua, embora ambos sejam do PMDB. Poderia estender a lista dos incompatíveis entre si no partido (e em vários outros, quase todos aliás) até acabar o espaço desta coluna.
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Nem o PT, que passou seus primeiros 20 e poucos anos sendo repetidamente citado como único partido realmente ideológico, tem um projeto para o Brasil. Tanto que várias de suas lideranças/correntes ficam falando em “socialismo”, como se fosse possível qualquer coisa remotamente parecida com essa palavra em um governo cujo chefe já disse que não é bom da cabeça quem, de velho, continua de esquerda. Sem falar que os quatro primeiros anos de Lula foram de rendição absoluta ao velho capitalismo.
Nem o PT, que passou seus primeiros 20 e poucos anos sendo repetidamente citado como único partido realmente ideológico, tem um projeto para o Brasil. Tanto que várias de suas lideranças/correntes ficam falando em “socialismo”, como se fosse possível qualquer coisa remotamente parecida com essa palavra em um governo cujo chefe já disse que não é bom da cabeça quem, de velho, continua de esquerda. Sem falar que os quatro primeiros anos de Lula foram de rendição absoluta ao velho capitalismo.
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Você aí tem alguma idéia do que Marta Suplicy faria de diferente do atual ministro das Cidades? Nunca ninguém disse a diferença, até porque pouca gente sabe o nome do ministro (Márcio Fortes) e o que ele fez até agora, se fez. Não seria mais honesto trocar a expressão “reforma ministerial” por “repartição do butim”?
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Na gaveta
Eminentes diplomatas, como o ministro Gilberto Moura, em Berlim, voltam ao Brasil lotados no Departamento de Escadas e Corredores.
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O custo de uma promessa
Editorial de O Estado de S.Paulo:
"A Petrobrás suspendeu a licitação para a construção das plataformas de exploração de petróleo P-55 e P-57, porque os preços pedidos pelos estaleiros instalados no Brasil foram superiores em até 60% aos valores estimados pela estatal. Com quatro anos de atraso, o governo Lula rende-se à realidade: definir índices mínimos de nacionalização de plataformas, cumprindo promessas feitas com requintes de demagogia durante a campanha eleitoral de 2002, foi um erro que já produziu elevados custos para a Petrobrás e para o País.
Na reta final para as eleições presidenciais de 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva criticou com grande alarde a Petrobrás pela contratação da plataforma P-50 no exterior. Em setembro daquele ano, em plena campanha eleitoral, sob intensa pressão política - o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a proibir a direção da Petrobrás de divulgar campanha publicitária para se defender das acusações do candidato petista -, a estatal adiou as licitações das plataformas P-51 e P-52, para que o processo de escolha fosse conduzido pelo novo governo.
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A reforma que não sai
De O Estado de S.Paulo:
A reforma ministerial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cozinha em fogo brando há quase quatro meses será menor do que deseja fatia expressiva dos partidos aliados. Em conversas reservadas, Lula tem afirmado que, se dependesse dele, nem mexeria na equipe porque, no seu diagnóstico, o governo “está dando certo”, com menos estrelas e mais técnicos. Pelos últimos cálculos do presidente, as trocas previstas para a segunda quinzena de março não devem atingir nem um terço dos 34 ministros.
Os maiores problemas residem em questões que envolvem ruidosas disputas entre governistas e imbróglios na seara do PT. Apesar de se divertir testando o humor da base de apoio com informações contraditórias, Lula ainda planeja levar a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para o primeiro escalão. A dúvida é como encaixá-la no Ministério das Cidades sem causar grandes traumas para o PP, que hoje administra a pasta. A Executiva Nacional do PT reforçará amanhã a indicação de Marta.
O segundo impasse diz respeito à indicação do ministro da Saúde. Lula acertou com o governador do Rio, Sérgio Cabral, a nomeação do médico José Gomes Temporão, mas a bancada do PMDB na Câmara esperneia. Motivo: tem outros cinco pré-candidatos à vaga, todos deputados, e não aceita Temporão.
O presidente também tem dúvidas sobre como contemplar o PDT, o mais novo integrante da coalizão. Quer desalojar o PT da Previdência Social para entregar ao PDT, desde que o nomeado seja o deputado Miro Teixeira (RJ), ex-ministro das Comunicações. Os pedetistas, porém, lutam para emplacar Carlos Luppi, presidente do partido".
Você aí tem alguma idéia do que Marta Suplicy faria de diferente do atual ministro das Cidades? Nunca ninguém disse a diferença, até porque pouca gente sabe o nome do ministro (Márcio Fortes) e o que ele fez até agora, se fez. Não seria mais honesto trocar a expressão “reforma ministerial” por “repartição do butim”?
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Na gaveta
Eminentes diplomatas, como o ministro Gilberto Moura, em Berlim, voltam ao Brasil lotados no Departamento de Escadas e Corredores.
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O custo de uma promessa
Editorial de O Estado de S.Paulo:
"A Petrobrás suspendeu a licitação para a construção das plataformas de exploração de petróleo P-55 e P-57, porque os preços pedidos pelos estaleiros instalados no Brasil foram superiores em até 60% aos valores estimados pela estatal. Com quatro anos de atraso, o governo Lula rende-se à realidade: definir índices mínimos de nacionalização de plataformas, cumprindo promessas feitas com requintes de demagogia durante a campanha eleitoral de 2002, foi um erro que já produziu elevados custos para a Petrobrás e para o País.
Na reta final para as eleições presidenciais de 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva criticou com grande alarde a Petrobrás pela contratação da plataforma P-50 no exterior. Em setembro daquele ano, em plena campanha eleitoral, sob intensa pressão política - o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a proibir a direção da Petrobrás de divulgar campanha publicitária para se defender das acusações do candidato petista -, a estatal adiou as licitações das plataformas P-51 e P-52, para que o processo de escolha fosse conduzido pelo novo governo.
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A reforma que não sai
De O Estado de S.Paulo:
A reforma ministerial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cozinha em fogo brando há quase quatro meses será menor do que deseja fatia expressiva dos partidos aliados. Em conversas reservadas, Lula tem afirmado que, se dependesse dele, nem mexeria na equipe porque, no seu diagnóstico, o governo “está dando certo”, com menos estrelas e mais técnicos. Pelos últimos cálculos do presidente, as trocas previstas para a segunda quinzena de março não devem atingir nem um terço dos 34 ministros.
Os maiores problemas residem em questões que envolvem ruidosas disputas entre governistas e imbróglios na seara do PT. Apesar de se divertir testando o humor da base de apoio com informações contraditórias, Lula ainda planeja levar a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para o primeiro escalão. A dúvida é como encaixá-la no Ministério das Cidades sem causar grandes traumas para o PP, que hoje administra a pasta. A Executiva Nacional do PT reforçará amanhã a indicação de Marta.
O segundo impasse diz respeito à indicação do ministro da Saúde. Lula acertou com o governador do Rio, Sérgio Cabral, a nomeação do médico José Gomes Temporão, mas a bancada do PMDB na Câmara esperneia. Motivo: tem outros cinco pré-candidatos à vaga, todos deputados, e não aceita Temporão.
O presidente também tem dúvidas sobre como contemplar o PDT, o mais novo integrante da coalizão. Quer desalojar o PT da Previdência Social para entregar ao PDT, desde que o nomeado seja o deputado Miro Teixeira (RJ), ex-ministro das Comunicações. Os pedetistas, porém, lutam para emplacar Carlos Luppi, presidente do partido".