Tales Faria, Informe JB
O presidente Lula entrou, enfim, na disputa pela presidência do PMDB. Exatamente da mesma forma que se meteu na guerra pela presidência da Câmara, entre o petista Arlindo Chinaglia (SP) e o ex-presidente da Casa Aldo Rebelo (PCdoB-SP): emitindo sinais desencontrados em todas as direções.
Enquanto ontem Lula dizia de viva-voz ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao senador José Sarney (PMDB-AP) que só escolherá os ministérios do partido depois da convenção peemedebista, seus principais ministros políticos, como Tarso Genro (Relações Institucionais), informavam ao presidente do partido, Michel Temer, que a reforma virá "por volta do carnaval, nunca em março", que é quando a convenção se realiza.
Temer anunciou aqui na coluna, no domingo, sua candidatura à reeleição para o comando do PMDB. Desde então, seus principais adversários na legenda, Renan e Sarney, pegaram em armas, lançando a candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim. Temer sabe que Lula tem mais simpatia por Jobim. Mas Tarso argumentou com ele que, no caso, não se trata de simpatias pessoais.
É o chamado jeito Lula de deixar o pau comer solto em torno dele para, depois, tentar recolher os cacos. Devido a esse jeito, no primeiro mandato a guerra pelo comando da Câmara foi tamanha que ficou impossível recolher qualquer coisa. Na eleição de agora, entre Aldo e Chinaglia, talvez seja possível, pelo menos, jogar os caquinhos para debaixo do tapete. Mas eles vão ficar por lá atazanando o governo.
Se não é uma boa estratégia em geral, é pior ainda no PMDB. Acirrar a guerra entre deputados e senadores do maior partido do Congresso serve para não dar à legenda todo o poder que seus integrantes desejam arrancar da coligação governista. Mas pode resultar em irreversíveis surpresas, por exemplo, na votação em plenário do Programa de Aceleração do Crescimento, o tal PAC.
Jobim não é fraco
Na contagem de Renan Calheiros e José Sarney, a candidatura de Nelson Jobim - além de ser fortíssima nas áreas onde Michel Temer não tem influência no partido - tem grande potencial para dividir os votos de aliados de Temer na Região Sul.
Padilha virou
O ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha (RS) é unha e carne com o grupo de Michel Temer e do deputado Geddel Vieira Lima (BA). Mas, com Jobim candidato, votará contra Temer. A coluna encontrou Padilha em Londres e perguntou em quem ele vota. Resposta: "Nesse caso, não tenho outra opção, pois fui eu o primeiro a sugerir a candidatura de Jobim para presidente do partido. Eu e o Rio Grande do Sul inteiro votamos com ele".
Terceiro nome
O senador José Sarney estava ontem tentando convencer o ex-presidente do PMDB Paes de Andrade a também concorrer. Para rachar mais ainda os votos de Michel Temer.
Separatismo
As bancadas do PSB, PCdoB e PDT no Senado reúnem-se na primeira terça-feira depois do carnaval. Oficialmente, para "analisar a conjuntura política", mas as cúpulas dos três partidos pretendem discutir mesmo se devem ou não desembarcar do bloco de esquerda que formam no Senado com o PT. Para repetirem o bloco da Câmara, apenas PSB, PCdoB e PDT, contra a hegemonia petista.
Bancada rebelde
Na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal que derrubou a ampliação do pagamento das pensões por morte, votaram contra o governo três dos seis ministros nomeados por Lula: Eros Grau, Ayres Britto e Cezar Peluso. Bancada mais rebelde que as do PT e do PMDB juntas.
Tucanos na moita
O mapa do ministro Tarso Genro, com os cargos do governo distribuídos entre os partidos, é dividido em cores para cada legenda. Está ainda cheio do azulzinho do PSDB.
O presidente Lula entrou, enfim, na disputa pela presidência do PMDB. Exatamente da mesma forma que se meteu na guerra pela presidência da Câmara, entre o petista Arlindo Chinaglia (SP) e o ex-presidente da Casa Aldo Rebelo (PCdoB-SP): emitindo sinais desencontrados em todas as direções.
Enquanto ontem Lula dizia de viva-voz ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao senador José Sarney (PMDB-AP) que só escolherá os ministérios do partido depois da convenção peemedebista, seus principais ministros políticos, como Tarso Genro (Relações Institucionais), informavam ao presidente do partido, Michel Temer, que a reforma virá "por volta do carnaval, nunca em março", que é quando a convenção se realiza.
Temer anunciou aqui na coluna, no domingo, sua candidatura à reeleição para o comando do PMDB. Desde então, seus principais adversários na legenda, Renan e Sarney, pegaram em armas, lançando a candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim. Temer sabe que Lula tem mais simpatia por Jobim. Mas Tarso argumentou com ele que, no caso, não se trata de simpatias pessoais.
É o chamado jeito Lula de deixar o pau comer solto em torno dele para, depois, tentar recolher os cacos. Devido a esse jeito, no primeiro mandato a guerra pelo comando da Câmara foi tamanha que ficou impossível recolher qualquer coisa. Na eleição de agora, entre Aldo e Chinaglia, talvez seja possível, pelo menos, jogar os caquinhos para debaixo do tapete. Mas eles vão ficar por lá atazanando o governo.
Se não é uma boa estratégia em geral, é pior ainda no PMDB. Acirrar a guerra entre deputados e senadores do maior partido do Congresso serve para não dar à legenda todo o poder que seus integrantes desejam arrancar da coligação governista. Mas pode resultar em irreversíveis surpresas, por exemplo, na votação em plenário do Programa de Aceleração do Crescimento, o tal PAC.
Jobim não é fraco
Na contagem de Renan Calheiros e José Sarney, a candidatura de Nelson Jobim - além de ser fortíssima nas áreas onde Michel Temer não tem influência no partido - tem grande potencial para dividir os votos de aliados de Temer na Região Sul.
Padilha virou
O ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha (RS) é unha e carne com o grupo de Michel Temer e do deputado Geddel Vieira Lima (BA). Mas, com Jobim candidato, votará contra Temer. A coluna encontrou Padilha em Londres e perguntou em quem ele vota. Resposta: "Nesse caso, não tenho outra opção, pois fui eu o primeiro a sugerir a candidatura de Jobim para presidente do partido. Eu e o Rio Grande do Sul inteiro votamos com ele".
Terceiro nome
O senador José Sarney estava ontem tentando convencer o ex-presidente do PMDB Paes de Andrade a também concorrer. Para rachar mais ainda os votos de Michel Temer.
Separatismo
As bancadas do PSB, PCdoB e PDT no Senado reúnem-se na primeira terça-feira depois do carnaval. Oficialmente, para "analisar a conjuntura política", mas as cúpulas dos três partidos pretendem discutir mesmo se devem ou não desembarcar do bloco de esquerda que formam no Senado com o PT. Para repetirem o bloco da Câmara, apenas PSB, PCdoB e PDT, contra a hegemonia petista.
Bancada rebelde
Na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal que derrubou a ampliação do pagamento das pensões por morte, votaram contra o governo três dos seis ministros nomeados por Lula: Eros Grau, Ayres Britto e Cezar Peluso. Bancada mais rebelde que as do PT e do PMDB juntas.
Tucanos na moita
O mapa do ministro Tarso Genro, com os cargos do governo distribuídos entre os partidos, é dividido em cores para cada legenda. Está ainda cheio do azulzinho do PSDB.