segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O que falta é mais governo...

Adelson Elias Vasconcellos
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A falta de conhecimento especialista faz do presidente Lula a pessoa menos indicada para fazer afirmações do tipo”a redução da maioridade penal não vai resolver o problema da criminalidade”, ou ainda do tipo “precisamos descobrir onde foi que erramos, onde a sociedade errou”.
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Na verdade o que precisamos é de ação e não de discussão. Discussão já existe muita neste país abençoado por Deus, bonito por natureza mas esquecido pelos governantes.
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Não é apenas a falta de Estado que nos trouxe a situação de caos atual. É falta de vergonha, é falta de ação, é falta de tomada de consciência dos mais elementares deveres de quem é eleito e muito bem pago para fazer, e fica eternamente pesando o peso político da decisão e tentando “achar” que, empurrando com a barriga, os problemas se resolverão. Como temos visto, não se resolvem, se agravam.

Ainda neste final de semana, publicamos e comentamos tres notícias que dão bem a dimensão do porque estamos vivendo a barbárie plena. De um lado, e diante de vergonhoso resultado de avaliação dos estudantes do ensino médio, o Ministro da Educação, não apenas ignorou a perda de qualidade no ensino nos últimos dez anos, como teve a ousadia de dizer que os resultados sejam do ENEM ou do SAEB, não podem ser comparativos. Ora, se não podemos aferir pela comparação se a qualidade melhorou ou piorou, para que avaliar ? Só para torrar o dinheiro do contribuinte e engabelar o estudante ? E se o resultado tivesse sido ao contrário, isto é, se houvesse a pontuação crescido em comparação com anos anteriores, o ministro insistiria na mesma tese ? E porque falo do exame no nível médio ? Por que é nesta faixa de idade que situa o início ou não do jovem nos perigosos caminhos da criminalidade. E vai aqui outro dado: mesmo que o ensino fosse de melhor qualidade do que aquele que temos, ainda assim, o jovem brasileiro permaneceria na mesma encruzilhada. Vejam: cerca de 50% dos jovens, a partir dos 16 até os 24 anos, não encontra trabalho. Não é que ele não consiga se empregar: não há geração de empregos que absorva a quantidade de jovens que todos os anos chegam ao mercado de trabalho. Ora, justo na idade em que temos o melhor da vitalidade e energia de nossas vidas, não encontramos campo para darmos vazão a esta vitalidade e energia. Mas, acreditem, se a sociedade não oferece oportunidade para os seus jovens, o crime vai abrir as portas. E as abre. E a terceira notícia, da Joana a quem se negou atendimento médico, já se encontrando ela em trabalho de parto, e depois de 22 horas de agonia, morreram ela e o filho que nem chegou a nascer...

Portanto, muito embora muita gente fale e discorra teses e enunciados e teorias para a violência crescente no país, uma das razões está na falta de geração de empregos. Empregos que não se geram por falta de crescimento necessário para o país poder absorver este contingente de milhares de jovens que aportam ao mercado todos os anos. Portanto, além da má qualidade na formação escolar, nossos jovens amargam o resultado de um país que não lhe oferece alternativa de vida.

E que tal aproveitar parte deste contingente na prática desportiva ? Sim, está provado que o esporte é um caminho saudável para todos. As artes ? Também. E que tal se os governos criassem programas sociais em que se aproveitassem a participação de jovens ? Pois é, eis algumas iniciativas que poderiam ser tomadas pelo Estado, e ele dá às costas.

Mas também, precisamos estar atentos que, além de não oferecer outras alternativas para os jovens, e sonegar-lhes melhor formação por não melhorar a qualidade do ensino público que ano após ano se deteriora, o estado ainda manda um recado errado e perigoso: por suas instituições, o Estado como que mostra ao jovem que o crime compensa. De um lado, o Judiciário, lerdo, pesado, decidindo em favor dos mais ricos, e punindo pesadamente os mais pobres, mesmo que se trate de crimes muito diminutos. De outro lado, um Legislativo preocupado apenas em ampliar-se no gozo de privilégios cada dia mais indecorosos e imorais, ou de se deliciar nos desvãos da corrupção e malversação de recursos públicos, para depois serem absolvidos por seus pares, isto quando a ser julgados. E de outro, um Executivo que fica no discurso do que não ser feito, e não faz nada, cruza os braços e entrega para a sociedade a resolução de problemas que são da alçada do governo resolver. Aliás, ao concorrerem, prometeu resolver. Foram eleitos e são muito bem pagos para resolver, mas deles, depois de empossados, o que se ouve ou a desculpa histórica de empurrar a culpa para os outros, ou o discurso cretino de que “não podemos agir tomados pela emoção”. Prô inferno, seus moleques. O que vocês estão fazendo dentro dos gabinetes então seus vermes irresponsáveis ? Cada vítima, cada Pedro, Joana ou João que se mata neste país, tem um pedaço de punhal federal cravado no coração de todos nós.

A omissão dos governantes só não é maior por falta de espaço. E diante da comoção nacional de cada vítima absurdamente assassinada, recebemos como decisão federal o discurso, a necessidade de se discutir, de se debater, de estudar, e dê-lhe cadáveres se amontoando com projetos guardados nas gavetas, ou dormindo dentro das cabeças ocas desta classe irresponsável paga para nos proteger, e que nos entrega indefesos à sanha de loucos assassinos, de monstros psicopatas que vão determinando como podemos viver: segundo sua loucuras. O Brasil está abandonado por autoridades imbecis, cheias de discursos idiotas e hipócritas, com afirmações carregadas de tolice. Querem outro exemplo da cretinice dos governantes que estão aí, não dos que já o foram há 10 ou mais anos atrás ? Há quanto tempo que se fala de uma reforma urgente na previdência brasileira ? Pois bem, apesar da unanimidade de especialistas, temos um ministro cretino que diz que “reforma não resolverá os problemas da previdência” !!!

Apesar da violência comendo solta, temos um governo cretino que afirma que punir não vai diminuir a criminalidade !!!! Temos um Ministro de Educação que diante do descalabro ainda vem com o discurso infame de tudo está sendo feito para melhorar. Apesar do resultado ruim, ele não se convence, e diz que o Exame que serviria para avaliar não pode comparativo com anos anteriores ! E dê-lhe enfiar-nos educação ruim dentro de prédios caindo aos pedaços, com crianças se amontoando nos cantos das salas, para fugir de goteiras em dia de chuva. Se isto, senhores, não é irresponsabilidade, crime contra a dignidade humana que deveria nortear sua educação e formação escolar, então, me perdoem, estamos escolhendo sermos Somália ou Haiti, menos um país civilizado e decente. E quando se pede que se melhorem a qualidade e condições de ensino, o governo federal aponta como alternativa para o ministério uma Marta Suplicy da vida, para o suplício da nação ! Convenhamos, podendo melhorar, se escolherá tornar a educação mais medíocre ainda. Em vez de levar a sério um assunto prioridade número um para o progresso da nação, se vai politizar a parte mais sensível do nosso futuro: tornar as crianças medíocres e idiotas formadas num sistema anacrônico, idiotizado, atrasado e esquizofrênico. Isto, convenhamos, não é socialismo: é a universalização da burrice !!!

Sob outro ângulo, precisamos ainda exigir do Congresso que pelo menos vote um dos inúmeros projetos de lei sobre segurança pública existentes na fila de espera de sua “atenção”. Da mesma forma, que o Judiciário passe a dar maior atenção à grita que vem da sociedade. Puna não apenas ladrões de margarina, mas também os de milhões de dólares que são desviados todos os dias dos cofres públicos, dinheiro retirado do nosso bolso e que deveriam custear investimentos em educação de melhor qualidade, estradas melhores, serviços de saúde pública que já se tornaram mercado de leilão de vida. O escolhido é salvo, o restante, jogados no vale da dor, do sofrimento, da agonia. E que prefeitos, governadores e presidente façam menos política e mais governo. Que abençoem menos seus companheiros criminosos, isto já seria um recado e tanto. Falta ao país, de norte a sul, a presença do Estado nas nossas vidas, e esta presença se traduz na forma de ações públicas, e não de ações desonestas de natureza pessoal. Falta este Estado trabalhar pelo país, com menos discursos, promessas vazias e demagogia barata e ordinária.

Apenas para lembrar, vale dizer, que o país está de saco cheio do discurso cafajeste do que não resolve. E não se trata de mudar o discurso, se trata de mudar de atitude. Do tipo assim: no aniversário do PT, ao invés do senhor Lula preocupar-se em dar recadinhos a jornalistas companheiros, de que gostaria de concorrer em 2014, seria conveniente que demonstrasse preocupação maior em nos fazer sobreviver até lá. Porque do jeito que vai, o que vai sobrar até 2014 serão apenas bandidos e salafrários, divididos em dois grupos: os que serão candidatos, e os que serão apenas eleitores.

E nem se fale de que somos um país pobre, com carência de recursos para investimentos. Recursos há em abundância. O que sobra mesmo é desvio, corrupção e desperdício. Tríade em que se assenta a incompetência pura e simples, a omissão cafajeste de quem não pensa no país, nas pessoas que fazem e constroem este país, tratadas que têm sido apenas como contribuintes escravos dos privilégios da casta estatal de apanigüados e vagabundos. Portanto, senhores, é nosso direito exigir destes pilantras a ação que se negam em tomar. As medidas necessárias que seu receituário político entende “não serem necessárias”, e as reformas que os ministros de droga afirmam “reformas não resolverão os problemas”.

Em resumo: queremos que o governo comece a governar. E governar, saibam executivos, legislativos e judiciários, significa fazer mais pelo país, e menos por si mesmos. É trabalhar pelo bem de todos, com menos discursos canalhas, com menos omissões cretinas, com menos desculpas idiotas, e tudo antes que novos Joãos e Joanas precisem sangrar até a morte, oferecendo suas vidas para apontar vossa falta de governo e de responsabilidade. O País, como um todo, espera que o Estado não deixe a Nação mais abandonada ainda além do que já se encontra. Faça-se isto, e o restante virá por conseqüência natural.