segunda-feira, fevereiro 12, 2007

PF ignora ligação de aloprado para inteligência

Folha de S. Paulo
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Ao concluir a investigação sobre as negociações de emissários petistas para comprar um dossiê contra políticos tucanos, a Polícia Federal não informou que um dos personagens centrais da trama fez contato com o departamento de inteligência da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), do Ministério da Justiça.
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Destacado por petistas que atuavam na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pagar pelo dossiê, o agente da PF aposentado Gedimar Passos trocou telefonemas com o chefe da inteligência da Senasp, José Hilário Medeiros, que também é agente da Polícia Federal.
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Medeiros não foi ouvido pela PF e seu nome não aparece no inquérito que hoje tramita no Supremo Tribunal Federal.
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O delegado responsável pelo inquérito, Diógenes Curado, disse que não investigou os telefonemas porque nunca cogitou o envolvimento de ninguém da Senasp no caso. "São quase todos policiais federais [os integrantes da Senasp]. Que interesses poderiam ter nessa história? A própria Polícia Federal estaria sob suspeita."
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Gedimar e Medeiros trocaram pelo menos seis ligações, de celular para celular, durante o período da negociação da papelada que seria usada para atacar adversários tucanos.
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Os telefonemas concentram-se entre os dias 4 e 11 de setembro. Além das ligações entre os celulares, no dia 11 daquele mês Gedimar recebeu duas chamadas de um número fixo da Senasp, segundo a quebra do sigilo telefônico do ex-agente da PF, à qual a Folha teve acesso.
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No dia seguinte (12/9), Gedimar teria seu primeiro encontro com Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Lacerda foi apontado pela PF como a pessoa que levou o dinheiro do dossiê para Gedimar no hotel onde o ex-agente da PF foi preso com R$ 1,75 milhão, no dia 15 de setembro.Fora o período de negociação do dossiê -segundo a PF, entre meados de agosto e 15 de setembro-, os dois se falaram só duas vezes, nos dias 7/8 e 8/8.Gedimar já prestou serviços à Senasp, mas na ocasião trabalhava para a campanha de Lula.
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Apesar de saber exatamente com quem Gedimar trocou ligações, a PF não aprofundou essa linha de investigação.
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Ouvido pela PF, Gedimar atribuiu as ligações a conversas pessoais. Ele não explicou, contudo, por que as ligações concentram-se no período anterior à compra dossiê.
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Outro lado
A Senasp confirmou a existência dos contatos entre Hilário e Gedimar e informou, via assessoria de imprensa, que as ligações foram para resolver pendências sobre a contratação de Gedimar pela secretaria para dar um curso de segurança.
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A Folha apurou que, no fim de 2006, ao tomar conhecimento dos contatos entre Gedimar e Hilário, a Senasp cobrou deste último uma explicação. Em relatório, ele usou como argumento pendências deixadas por Gedimar quando contratado pela secretaria.