Fabio Grecchi, Tribuna da Imprensa
O presidente Lula lastimar que o PIB de 2006 "poderia ter sido maior", parece piada de mau gosto. Todos sabiam que o crescimento da riqueza, ano passado, seria em torno dos 2,5%. A pesquisa levantada pelo Banco Central calculou 2,7% e houve até quem comemorasse o 0,2 ponto percentual do fechamento do Produto, pois assim ao menos tem ainda o efeito psicológico de ter raspado nos 3%.
O preocupante destes números não é somente pelo fato de o Brasil ser o último, entre os países em desenvolvimento, em matéria de crescimento. É também porque, no cotejo dos latino-americanos, se mantém em posição de imensa desvantagem. Cuba, que sofre brutal bloqueio econômico dos Estados Unidos, teve um avanço de 12,5% no PIB. Está certo que a ilha partiu de uma posição de extrema desvantagem em relação a nós, mas tal avanço é resultado de um certo pragmatismo econômico à chinesa.
A Venezuela, segunda colocada no ranking latino-americano, tem o berço esplêndido de petróleo para sustentá-la. Mas e a República Dominicana, que alcançou os mesmos 10% no PIB? Ou a Argentina, que abocanhou o 4º lugar com estupendos 8,5%? Só nós fizemos o dever de casa, enquanto que eles foram ajudados pela divina providência? Evidentemente que não. Ou os números divulgados pela Cepal são fraudados?
Exatamente para não ficar atrás é que o governo federal lançou o Programa de Aceleração do Crescimento. Mas, como era de se esperar, solta as rédeas com uma das mãos e as segura com a outra. Não foi por outro motivo que o sistema produtivo brasileiro viu com olhos de dúvida os benefícios do PAC. Ainda existe por parte do governo uma sanha arrecadatória que espanta quem deseja investir. O mercado financeiro continua rendendo aos especuladores lucros de sonhos, sem que para isto façam um único parafuso.
A indústria, porém, não compartilha de tantas facilidades. Enfrenta dólar desvalorizado, barreiras alfandegárias predatórias, ausência completa de infra-estrutura para o escoamento da produção. O governo federal sabe de tudo isto há décadas e através do PAC tentará recuperar o tempo que perdeu, sobretudo nos últimos quatro anos.
A previsão é de que, em 2007, o PIB fique em torno dos 3,5%, o que não chega a ser alentador. Tal resultado fosse apresentado para 2006, o Brasil ainda estaria em péssima posição na comparação com seus vizinhos de América Latina. Talvez não em 20º lugar, mas bem distante, por exemplo, do 7º colocado, o Peru, com 7,2%.
Vai que é tua
A coisa está feia na "IstoÉ". A redação da revista entrou em greve porque cada vez mais Domingo Alzugaray pende na direção de Daniel Dantas. Os funcionários da publicação podem não ter qualquer simpatia pelo dono do Opportunity, mas têm menos ainda pelo seu eventual sócio: Nélson Tanure.
O presidente Lula lastimar que o PIB de 2006 "poderia ter sido maior", parece piada de mau gosto. Todos sabiam que o crescimento da riqueza, ano passado, seria em torno dos 2,5%. A pesquisa levantada pelo Banco Central calculou 2,7% e houve até quem comemorasse o 0,2 ponto percentual do fechamento do Produto, pois assim ao menos tem ainda o efeito psicológico de ter raspado nos 3%.
O preocupante destes números não é somente pelo fato de o Brasil ser o último, entre os países em desenvolvimento, em matéria de crescimento. É também porque, no cotejo dos latino-americanos, se mantém em posição de imensa desvantagem. Cuba, que sofre brutal bloqueio econômico dos Estados Unidos, teve um avanço de 12,5% no PIB. Está certo que a ilha partiu de uma posição de extrema desvantagem em relação a nós, mas tal avanço é resultado de um certo pragmatismo econômico à chinesa.
A Venezuela, segunda colocada no ranking latino-americano, tem o berço esplêndido de petróleo para sustentá-la. Mas e a República Dominicana, que alcançou os mesmos 10% no PIB? Ou a Argentina, que abocanhou o 4º lugar com estupendos 8,5%? Só nós fizemos o dever de casa, enquanto que eles foram ajudados pela divina providência? Evidentemente que não. Ou os números divulgados pela Cepal são fraudados?
Exatamente para não ficar atrás é que o governo federal lançou o Programa de Aceleração do Crescimento. Mas, como era de se esperar, solta as rédeas com uma das mãos e as segura com a outra. Não foi por outro motivo que o sistema produtivo brasileiro viu com olhos de dúvida os benefícios do PAC. Ainda existe por parte do governo uma sanha arrecadatória que espanta quem deseja investir. O mercado financeiro continua rendendo aos especuladores lucros de sonhos, sem que para isto façam um único parafuso.
A indústria, porém, não compartilha de tantas facilidades. Enfrenta dólar desvalorizado, barreiras alfandegárias predatórias, ausência completa de infra-estrutura para o escoamento da produção. O governo federal sabe de tudo isto há décadas e através do PAC tentará recuperar o tempo que perdeu, sobretudo nos últimos quatro anos.
A previsão é de que, em 2007, o PIB fique em torno dos 3,5%, o que não chega a ser alentador. Tal resultado fosse apresentado para 2006, o Brasil ainda estaria em péssima posição na comparação com seus vizinhos de América Latina. Talvez não em 20º lugar, mas bem distante, por exemplo, do 7º colocado, o Peru, com 7,2%.
Vai que é tua
A coisa está feia na "IstoÉ". A redação da revista entrou em greve porque cada vez mais Domingo Alzugaray pende na direção de Daniel Dantas. Os funcionários da publicação podem não ter qualquer simpatia pelo dono do Opportunity, mas têm menos ainda pelo seu eventual sócio: Nélson Tanure.
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Dono do "Jornal do Brasil", Tanure pretendia levar a Editora Três e Dantas, a "IstoÉ" - carro-chefe da empresa. À certa altura, porém, os dois resolveram se unir (afinal, já estiveram juntos em outros empreendimentos, como os estaleiros Emaq e Verolme) e fecharem o pacote juntos. Aí a turma não gostou.
Ponta e dupla
Aliás, a ironia do destino é que Tanure foi entrevistado pela "IstoÉ - Dinheiro", braço econômico da revista que hoje tenta comprar, em fevereiro de 2006, e falava de seu rompimento com Dantas. Disse o seguinte:
"Tentamos fazer coisas juntos. Ele é o campeão do raciocínio matemático. Para ele, o mundo se resume a uma sucessão de causas e efeitos, sem nuances. Ele ultrapassou todos os limites. Grampeou meus telefones, pegou minha declaração de Imposto de Renda. A sensação de impotência é enorme. Mas ele deve ter grande arrependimento". Pode ser.
No Maraca
Quem está torcendo de bandeirinha e tudo pela arrancada de Dantas em direção à linha de chegada da "IstoÉ" é o ex-ministro José Dirceu. Amigos desde o tempo em que tentou ajudá-lo na disputa da Brasil Telecom com a Telecom Italia, os dois desfrutam também de amizades comuns.
Como o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Um dos mais influentes de Brasília, é quem defende Dirceu no processo por improbidade administrativa que rola no Supremo Tribunal Federal. Kakay é um dos donos do Piantella, o restaurante do poder na capital.
"A little help"
O Palácio do Planalto estava disposto a dar uma força para a Bandeirantes ficar com a "IstoÉ". Como a revista tem uma imensa dívida com a União, pensou-se até na possibilidade de uma nova Operação Armênia - aquela na qual a Varig seria entregue à Gol e à TAM em troca da retirada da ação que a empresa tem por causa dos prejuízos causados pelos planos econômicos.
O governo teria espaço de publicidade para abater por conta da dívida. Mas a Bandeirantes quis incluir outras pendências no circuito e aconteceu o impasse. Foi quando Dantas fez a ultrapassagem na entrada na curva.
Setentinha
Aliás, o mercado editorial no Rio está em franca ebulição. As filhas de Ary Carvalho, que levantou "O Dia" depois de tirá-lo das mãos de Chagas Freitas, estariam vendendo o jornal pela módica quantia de US$ 70 milhões. O diário, que passou por duas reformulações sérias em menos de dois anos, começou a ser devorado por um dos braços editoriais da empresa, o tablóide popular "Meia hora".
Para piorar, se vê imprensado pela bateria das Organizações Globo, com "O Globo" e "Extra". O "Expresso", lançado pelos Marinho para enfrentar o "Meia" no rés do chão jornalístico, ainda taxia na pista à espera de autorização para decolar.
Dono do "Jornal do Brasil", Tanure pretendia levar a Editora Três e Dantas, a "IstoÉ" - carro-chefe da empresa. À certa altura, porém, os dois resolveram se unir (afinal, já estiveram juntos em outros empreendimentos, como os estaleiros Emaq e Verolme) e fecharem o pacote juntos. Aí a turma não gostou.
Ponta e dupla
Aliás, a ironia do destino é que Tanure foi entrevistado pela "IstoÉ - Dinheiro", braço econômico da revista que hoje tenta comprar, em fevereiro de 2006, e falava de seu rompimento com Dantas. Disse o seguinte:
"Tentamos fazer coisas juntos. Ele é o campeão do raciocínio matemático. Para ele, o mundo se resume a uma sucessão de causas e efeitos, sem nuances. Ele ultrapassou todos os limites. Grampeou meus telefones, pegou minha declaração de Imposto de Renda. A sensação de impotência é enorme. Mas ele deve ter grande arrependimento". Pode ser.
No Maraca
Quem está torcendo de bandeirinha e tudo pela arrancada de Dantas em direção à linha de chegada da "IstoÉ" é o ex-ministro José Dirceu. Amigos desde o tempo em que tentou ajudá-lo na disputa da Brasil Telecom com a Telecom Italia, os dois desfrutam também de amizades comuns.
Como o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Um dos mais influentes de Brasília, é quem defende Dirceu no processo por improbidade administrativa que rola no Supremo Tribunal Federal. Kakay é um dos donos do Piantella, o restaurante do poder na capital.
"A little help"
O Palácio do Planalto estava disposto a dar uma força para a Bandeirantes ficar com a "IstoÉ". Como a revista tem uma imensa dívida com a União, pensou-se até na possibilidade de uma nova Operação Armênia - aquela na qual a Varig seria entregue à Gol e à TAM em troca da retirada da ação que a empresa tem por causa dos prejuízos causados pelos planos econômicos.
O governo teria espaço de publicidade para abater por conta da dívida. Mas a Bandeirantes quis incluir outras pendências no circuito e aconteceu o impasse. Foi quando Dantas fez a ultrapassagem na entrada na curva.
Setentinha
Aliás, o mercado editorial no Rio está em franca ebulição. As filhas de Ary Carvalho, que levantou "O Dia" depois de tirá-lo das mãos de Chagas Freitas, estariam vendendo o jornal pela módica quantia de US$ 70 milhões. O diário, que passou por duas reformulações sérias em menos de dois anos, começou a ser devorado por um dos braços editoriais da empresa, o tablóide popular "Meia hora".
Para piorar, se vê imprensado pela bateria das Organizações Globo, com "O Globo" e "Extra". O "Expresso", lançado pelos Marinho para enfrentar o "Meia" no rés do chão jornalístico, ainda taxia na pista à espera de autorização para decolar.
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Para depois
A III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que seria realizada de 22 a 25 de maio, foi transferida para 3 a 6 de julho. A mudança foi aprovada por unanimidade pela Comissão Executiva, que também ampliou o prazo para a realização das conferências estaduais - passando de 30 de março para 30 de abril.
A III Conferência será realizada no Centro de Convenções de Fortaleza. Espera-se a presença de 2 mil pessoas, entre delegados, observadores e convidados.
Penúria
Dezesseis anos depois de criados, os Conselhos Tutelares ainda esbarram em dificuldades para trabalhar. Para mostrar a situação, está sendo feito um levantamento inédito, que será apresentado na reunião ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ainda na primeira quinzena do mês.
O estudo mostra as condições e o funcionamento dos mais de 4,5 mil conselhos tutelares. "Conhecendo a realidade" é o nome do levamentamento, feito em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos e o Conanda.
Para depois
A III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que seria realizada de 22 a 25 de maio, foi transferida para 3 a 6 de julho. A mudança foi aprovada por unanimidade pela Comissão Executiva, que também ampliou o prazo para a realização das conferências estaduais - passando de 30 de março para 30 de abril.
A III Conferência será realizada no Centro de Convenções de Fortaleza. Espera-se a presença de 2 mil pessoas, entre delegados, observadores e convidados.
Penúria
Dezesseis anos depois de criados, os Conselhos Tutelares ainda esbarram em dificuldades para trabalhar. Para mostrar a situação, está sendo feito um levantamento inédito, que será apresentado na reunião ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ainda na primeira quinzena do mês.
O estudo mostra as condições e o funcionamento dos mais de 4,5 mil conselhos tutelares. "Conhecendo a realidade" é o nome do levamentamento, feito em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos e o Conanda.