segunda-feira, março 05, 2007

Sindicatos ameaçam reagir parando todos os serviços

Jornal do Brasil

O anúncio do decreto restritivo ao direito de greve dos servidores azedou os ânimos de representantes das entidades sindicais, que se reúnem com o governo na próxima semana. Em nota, a Força Sindical criticou a posição do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que defendeu a proibição de paralisações em setores essenciais do serviço público. De acordo com o diretor do Sindicato de Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep), Edison Cardoni, a disposição do governo em limitar o direito de greve aumenta a possibilidade de uma paralisação geral dos servidores no primeiro semestre deste ano.

- Não são os trabalhadores que criam problemas para o atendimento ao cidadão, é o governo, que não dá condições de trabalho nem remuneração condizente. Mais do que nunca, a discussão da greve geral está na mesa - disse Cardoni.

- Entendemos que a regulamentação dos serviços essenciais é positiva, mas defendemos o direito democrático da expressão - criticou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, em nota divulgada à imprensa.

A possibilidade de uma greve geral de servidores já estava em discussão entre os sindicatos como forma de reação ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que estabelece limites para a elevação dos gastos do governo com a folha de pagamentos, para os próximos quatro anos. As entidades devem levar para o encontro com o ministro Paulo Bernardo, na próxima terça-feira, proposta de modificação ao PAC incluindo garantias de reajuste linear aos salários do funcionalismo público somando a compensação pela inflação do ano anterior, mas um percentual de ganho real nos vencimentos.

- Esse percentual está aberto à negociação com o governo. Não abrimos mão é de estabelecer um patamar mínimo de ganho real sobre a inflação - diz Cardoni. A proposta inclui ainda a retirada do crescimento vegetativo da folha - com novos aposentados e pensionistas, por exemplo - do cálculo de limite para as despesas do governo com pessoal. (K.C.)