Editorial JB
São cada vez mais perturbadoras as evidências de que o Brasil integra a rota escolhida por terroristas e demais participantes do sindicato internacional do crime, conforme se viu na prisão da quadrilha que vendia, havia 14 anos, passaportes brasileiros. Segundo informaram agentes da Polícia Federal, libaneses e outros estrangeiros de origem árabe estavam entre os principais compradores dos passaportes falsos. A maioria nem sequer conhecia o Brasil. Da galeria de mais de 70 suspeitos fazem parte possíveis integrantes de grupos terroristas ligados ao narcotráfico internacional e ao grupo Hezbollah.
Do episódio extraem-se lições relevantes. Em primeiro lugar, escancara a fragilidade do sistema de emissão de passaportes da Polícia Federal. Basta saber que, para chegar aos falsários, um policial federal - filho de árabes, nascido no Brasil - fingiu ser estrangeiro de origem semita à procura de um passaporte brasileiro para viajar sem ser barrado nas alfândegas européias. As escutas telefônicas comprovaram ainda o envolvimento de agentes federais no esquema.
Ainda mais grave é constatar que, embora a quadrilha estivesse montada no Rio, tinha células em São Paulo e no Paraná. As conexões, dispensável dizer, avançam para a Tríplice Fonteira: Brasil, Argentina e Paraguai são vistos, há algum tempo, como terreno fértil para abrigo a terroristas de potencial tenebroso. A presença de criminosos desse tipo ainda é bastante discutível, mas está mais do que comprovado o trânsito de dinheiro para destinos suspeitos.
Esta é a premissa das organizações do terror: recorrem a terras exóticas e pouco visadas para encontrar facilidades no fluxo de dinheiro e de pessoas.
O Brasil tem uma facilidade adicional. Sua miscigenação assegura ao portador de um falso passaporte brasileiro a garantia de caminho livre para o ingresso em outras nações.
Convém recordar, por exemplo, que na década de 90 o número 2 da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, passou três meses na Tríplice Fronteira. Ressalte-se também que a Argentina já foi vítima de um brutal atentado terrorista contra uma entidade judaica em Buenos Aires, a Associação Mutual Israelense Argentina. Oitenta e cinco pessoas morreram. No ano passado, a Justiça portenha emitiu ordem de prisão internacional dos nove executores e mandantes da atrocidade, entre eles o ex-presidente do Irã Ali Hashemi Rafsanjani.
É espantoso que, contra todas as evidências, muitas nações ocidentais ainda não compartilhem da enfática preocupação no combate ao terrorismo. A omissão é, em grande parte, resultado de um antiamericanismo tosco e incompatível com a globalização da ameaça terrorista. São compreensíveis as críticas à estratégia do governo dos EUA. Em nome da luta contra o terror, os americanos erraram na invasão do Iraque, na supressão de liberdades e nos excessos cometidos na prisão de Guantánamo. Parece injustificável, contudo, que as ações antiterror não estejam num tom bem acima dos ataques costumeiros à dupla George Bush-Tony Blair.
Não se trata de uma ação favorável ou contrária aos americanos. A globalização do crime e a certeza de que os terroristas não mais escolhem alvos e sedes exigem das autoridades da América do Sul alerta máximo para o problema. Cabem aos serviços de inteligência, às polícias, às Forças Armadas e demais forças disponíveis nos países vizinhos trabalhar arduamente para que criminosos presentes e futuros sejam neutralizados. O terrorismo é inimigo das democracias. De qualquer democracia.
São cada vez mais perturbadoras as evidências de que o Brasil integra a rota escolhida por terroristas e demais participantes do sindicato internacional do crime, conforme se viu na prisão da quadrilha que vendia, havia 14 anos, passaportes brasileiros. Segundo informaram agentes da Polícia Federal, libaneses e outros estrangeiros de origem árabe estavam entre os principais compradores dos passaportes falsos. A maioria nem sequer conhecia o Brasil. Da galeria de mais de 70 suspeitos fazem parte possíveis integrantes de grupos terroristas ligados ao narcotráfico internacional e ao grupo Hezbollah.
Do episódio extraem-se lições relevantes. Em primeiro lugar, escancara a fragilidade do sistema de emissão de passaportes da Polícia Federal. Basta saber que, para chegar aos falsários, um policial federal - filho de árabes, nascido no Brasil - fingiu ser estrangeiro de origem semita à procura de um passaporte brasileiro para viajar sem ser barrado nas alfândegas européias. As escutas telefônicas comprovaram ainda o envolvimento de agentes federais no esquema.
Ainda mais grave é constatar que, embora a quadrilha estivesse montada no Rio, tinha células em São Paulo e no Paraná. As conexões, dispensável dizer, avançam para a Tríplice Fonteira: Brasil, Argentina e Paraguai são vistos, há algum tempo, como terreno fértil para abrigo a terroristas de potencial tenebroso. A presença de criminosos desse tipo ainda é bastante discutível, mas está mais do que comprovado o trânsito de dinheiro para destinos suspeitos.
Esta é a premissa das organizações do terror: recorrem a terras exóticas e pouco visadas para encontrar facilidades no fluxo de dinheiro e de pessoas.
O Brasil tem uma facilidade adicional. Sua miscigenação assegura ao portador de um falso passaporte brasileiro a garantia de caminho livre para o ingresso em outras nações.
Convém recordar, por exemplo, que na década de 90 o número 2 da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, passou três meses na Tríplice Fronteira. Ressalte-se também que a Argentina já foi vítima de um brutal atentado terrorista contra uma entidade judaica em Buenos Aires, a Associação Mutual Israelense Argentina. Oitenta e cinco pessoas morreram. No ano passado, a Justiça portenha emitiu ordem de prisão internacional dos nove executores e mandantes da atrocidade, entre eles o ex-presidente do Irã Ali Hashemi Rafsanjani.
É espantoso que, contra todas as evidências, muitas nações ocidentais ainda não compartilhem da enfática preocupação no combate ao terrorismo. A omissão é, em grande parte, resultado de um antiamericanismo tosco e incompatível com a globalização da ameaça terrorista. São compreensíveis as críticas à estratégia do governo dos EUA. Em nome da luta contra o terror, os americanos erraram na invasão do Iraque, na supressão de liberdades e nos excessos cometidos na prisão de Guantánamo. Parece injustificável, contudo, que as ações antiterror não estejam num tom bem acima dos ataques costumeiros à dupla George Bush-Tony Blair.
Não se trata de uma ação favorável ou contrária aos americanos. A globalização do crime e a certeza de que os terroristas não mais escolhem alvos e sedes exigem das autoridades da América do Sul alerta máximo para o problema. Cabem aos serviços de inteligência, às polícias, às Forças Armadas e demais forças disponíveis nos países vizinhos trabalhar arduamente para que criminosos presentes e futuros sejam neutralizados. O terrorismo é inimigo das democracias. De qualquer democracia.