Augusto Nunes, Jornal do Brasil
Ao acolherem críticas da oposição, porta-vozes dos policiais federais revelaram a preocupação com a escolha do senhor Tarso Genro para ocupar a pasta da Justiça. De acordo com esse reparo, o novo ministro teria perfil muito político para o cargo. Tarso respondeu que a pasta é política, e poderia dizer mais: que é assim, desde o primeiro a ocupá-la, ainda antes da Independência, o jurista Caetano Pinto Montenegro, marquês de Vila Maior da Praia Grande.
Ao Ministério da Justiça cabe zelar pela paz interna, ao manter a ordem política no país. Mesmo durante os regimes de exceção, como o do Estado Novo e o sistema militar de 1964-1985, os ministros da Justiça atuaram politicamente, na defesa da ordem - ou da desordem - a que serviam. Francisco Campos, ministro de Vargas, redigiu a Constituição de 1937; no segundo governo do estadista gaúcho, para o qual fora democraticamente eleito, Tancredo ocupou o ministério, confrontou-se com os golpistas e esteve ao lado de Vargas até seu instante final. Nos governos militares, os ministros Gama e Silva, Alfredo Buzaid, Armando Falcão e Ibrahim Abi-Ackel foram o braço político dos generais-presidentes. Com o jovem Fernando Lyra, Tancredo iniciou a democratização do ministério.
Ao acolherem críticas da oposição, porta-vozes dos policiais federais revelaram a preocupação com a escolha do senhor Tarso Genro para ocupar a pasta da Justiça. De acordo com esse reparo, o novo ministro teria perfil muito político para o cargo. Tarso respondeu que a pasta é política, e poderia dizer mais: que é assim, desde o primeiro a ocupá-la, ainda antes da Independência, o jurista Caetano Pinto Montenegro, marquês de Vila Maior da Praia Grande.
Ao Ministério da Justiça cabe zelar pela paz interna, ao manter a ordem política no país. Mesmo durante os regimes de exceção, como o do Estado Novo e o sistema militar de 1964-1985, os ministros da Justiça atuaram politicamente, na defesa da ordem - ou da desordem - a que serviam. Francisco Campos, ministro de Vargas, redigiu a Constituição de 1937; no segundo governo do estadista gaúcho, para o qual fora democraticamente eleito, Tancredo ocupou o ministério, confrontou-se com os golpistas e esteve ao lado de Vargas até seu instante final. Nos governos militares, os ministros Gama e Silva, Alfredo Buzaid, Armando Falcão e Ibrahim Abi-Ackel foram o braço político dos generais-presidentes. Com o jovem Fernando Lyra, Tancredo iniciou a democratização do ministério.
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Ao contrário do que pensam alguns, Márcio Thomaz Bastos ocupou o cargo dentro da boa tradição democrática brasileira. Exercendo o cargo durante o primeiro mandato de Lula, revelou-se homem público de primeira grandeza e lhe deve ser creditado o estímulo à Polícia Federal para que atuasse como atuou, não tratando de forma privilegiada os ricos, como sempre ocorria no Brasil. Seriam impensáveis, no governo anterior ao de Lula, operações como a realizada em São Paulo, contra a Daslu. Márcio enfrentou as situações difíceis de sua gestão de forma política e, como costumava acrescentar, de acordo com os padrões republicanos de impessoalidade.
Ao contrário do que pensam alguns, Márcio Thomaz Bastos ocupou o cargo dentro da boa tradição democrática brasileira. Exercendo o cargo durante o primeiro mandato de Lula, revelou-se homem público de primeira grandeza e lhe deve ser creditado o estímulo à Polícia Federal para que atuasse como atuou, não tratando de forma privilegiada os ricos, como sempre ocorria no Brasil. Seriam impensáveis, no governo anterior ao de Lula, operações como a realizada em São Paulo, contra a Daslu. Márcio enfrentou as situações difíceis de sua gestão de forma política e, como costumava acrescentar, de acordo com os padrões republicanos de impessoalidade.
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Sendo assim, tudo indica que o ministro Tarso Genro irá manter a instituição com o mesmo desempenho e isenção obtidos pelo seu antecessor, o que não lhe será difícil, com a biografia que tem. Mas há outros desafios. Um deles é o do controle mais estrito, mediante entendimentos com os Estados federados, dos estrangeiros em nosso país. A globalização da economia provocou a expansão da velha delinqüência internacional, com eixo no contrabando, no tráfico de entorpecentes, na exploração do lenocínio (com o ressurgimento da escravização de mulheres) e no jogo. E nova criminalidade surgiu, com o roubo de cargas e a contrafacção de produtos industriais, da qual o Brasil, com suas fronteiras terrestres vulneráveis, tem sido mercado preferencial.
Sendo assim, tudo indica que o ministro Tarso Genro irá manter a instituição com o mesmo desempenho e isenção obtidos pelo seu antecessor, o que não lhe será difícil, com a biografia que tem. Mas há outros desafios. Um deles é o do controle mais estrito, mediante entendimentos com os Estados federados, dos estrangeiros em nosso país. A globalização da economia provocou a expansão da velha delinqüência internacional, com eixo no contrabando, no tráfico de entorpecentes, na exploração do lenocínio (com o ressurgimento da escravização de mulheres) e no jogo. E nova criminalidade surgiu, com o roubo de cargas e a contrafacção de produtos industriais, da qual o Brasil, com suas fronteiras terrestres vulneráveis, tem sido mercado preferencial.
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O país está infestado de bandidos de fora, e cabe ao Ministério da Justiça promover sua identificação e expulsão sumária. O Ministério da Justiça poderia estabelecer normas mais rigorosas nas fronteiras. Pelo menos - e já tratamos aqui do assunto - que se exija dos estrangeiros o que dos brasileiros estão exigindo na Europa e nos Estados Unidos. Não é preciso que neles atiremos, quando não nos for possível entender o que dizem, nem que os confundamos açodadamente com terroristas. Com a cortesia que não impede a firmeza, conviria vedar a entrada daqueles cujos documentos insinuem suspeitas.
O país está infestado de bandidos de fora, e cabe ao Ministério da Justiça promover sua identificação e expulsão sumária. O Ministério da Justiça poderia estabelecer normas mais rigorosas nas fronteiras. Pelo menos - e já tratamos aqui do assunto - que se exija dos estrangeiros o que dos brasileiros estão exigindo na Europa e nos Estados Unidos. Não é preciso que neles atiremos, quando não nos for possível entender o que dizem, nem que os confundamos açodadamente com terroristas. Com a cortesia que não impede a firmeza, conviria vedar a entrada daqueles cujos documentos insinuem suspeitas.
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O advogado Márcio Thomaz Bastos foi daqueles que pagaram para ser ministro. Em seu caso não cabe dizer que a sobrevivência, tendo em vista os vencimentos modestos, lhe tenha sido difícil, posto que dispõe, graças ao desempenho profissional anterior, de bons recursos poupados. Ele pôde, assim, prestar inestimável contribuição política à República, mais do que ao próprio governo.
Cabôco Perguntadô
Informado de que o orçamento estabelecido pelo projeto original dos Jogos Pan-Americanos - R$ 177,9 milhões - já chegou aos R$ 3,2 bilhões, o Cabôco impressionou-se com a marca: 700% de aumento. Impressionou-o ainda mais a tranqüilidade dos recordistas. "Nada demais", desdenhou José Antonio Barros Alves, coordenador do projeto. Que tal incluir o salto com verba entre as modalidades olímpicas?, pergunta o Cabôco. Os atletas brasileiros certamente iriam sobrar na pista.
O repouso do bandido
Um dos mais ativos integrantes da quadrilha do mensalão, o ex-deputado José Janene (PP-PR) jura gratidão eterna aos companheiros da Câmara. Faz sentido. Cúmplices de todas as bancadas se aliaram para evitar a cassação do mandato do amigo. No ocaso de sua gestão, Aldo Rebelo aposentou-o com direito a salário integral.
Num país menos cafajeste, Janene estaria na cadeia. Como isto é o Brasil, descansa em casa, sem sustos, das canseiras dos tempos de coletor de gorjetas criminosas.
Muita pose, pouco voto
Ao deixar a presidência do STF, Nelson Jobim resolveu aposentar-se. "Não me interessa ser mais um entre 11", explicou. Melhor virar o nº 2 do Brasil, depois de escolhido vice de Lula por indicação do PMDB. Perdeu o bonde, não a pose. Não se comoveu com sondagens sobre a possível volta à Câmara ou ao Ministério da Justiça. Aceitaria ser presidente do PMDB, concedeu. O nº 1 do partido. Deu no que deu.
O advogado Márcio Thomaz Bastos foi daqueles que pagaram para ser ministro. Em seu caso não cabe dizer que a sobrevivência, tendo em vista os vencimentos modestos, lhe tenha sido difícil, posto que dispõe, graças ao desempenho profissional anterior, de bons recursos poupados. Ele pôde, assim, prestar inestimável contribuição política à República, mais do que ao próprio governo.
Cabôco Perguntadô
Informado de que o orçamento estabelecido pelo projeto original dos Jogos Pan-Americanos - R$ 177,9 milhões - já chegou aos R$ 3,2 bilhões, o Cabôco impressionou-se com a marca: 700% de aumento. Impressionou-o ainda mais a tranqüilidade dos recordistas. "Nada demais", desdenhou José Antonio Barros Alves, coordenador do projeto. Que tal incluir o salto com verba entre as modalidades olímpicas?, pergunta o Cabôco. Os atletas brasileiros certamente iriam sobrar na pista.
O repouso do bandido
Um dos mais ativos integrantes da quadrilha do mensalão, o ex-deputado José Janene (PP-PR) jura gratidão eterna aos companheiros da Câmara. Faz sentido. Cúmplices de todas as bancadas se aliaram para evitar a cassação do mandato do amigo. No ocaso de sua gestão, Aldo Rebelo aposentou-o com direito a salário integral.
Num país menos cafajeste, Janene estaria na cadeia. Como isto é o Brasil, descansa em casa, sem sustos, das canseiras dos tempos de coletor de gorjetas criminosas.
Muita pose, pouco voto
Ao deixar a presidência do STF, Nelson Jobim resolveu aposentar-se. "Não me interessa ser mais um entre 11", explicou. Melhor virar o nº 2 do Brasil, depois de escolhido vice de Lula por indicação do PMDB. Perdeu o bonde, não a pose. Não se comoveu com sondagens sobre a possível volta à Câmara ou ao Ministério da Justiça. Aceitaria ser presidente do PMDB, concedeu. O nº 1 do partido. Deu no que deu.
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Tancredo Neves dizia que a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono.
Um pecador sem remorso
No livro de memórias ,Sobre formigas e cigarras o deputado Antonio Palocci jura que não ordenou a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Nem precisava: o país inteiro sabe que bastou ao então ministro da Fazenda encomendar o crime, executado por companheiros da Caixa Econômica Federal. Foi só o mandante do estupro.
Tancredo Neves dizia que a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono.
Um pecador sem remorso
No livro de memórias ,Sobre formigas e cigarras o deputado Antonio Palocci jura que não ordenou a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Nem precisava: o país inteiro sabe que bastou ao então ministro da Fazenda encomendar o crime, executado por companheiros da Caixa Econômica Federal. Foi só o mandante do estupro.
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Não há uma única vírgula sobre o que Palocci e a turma faziam na República de Ribeirão. Esse tipo de assunto é para memórias póstumas.
Não há uma única vírgula sobre o que Palocci e a turma faziam na República de Ribeirão. Esse tipo de assunto é para memórias póstumas.
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Yolhesman Crisbelles
Uma pesquisa encomendada pelo PT, coordenada por Gustavo Venturi, quis saber dos brasileiros qual é o partido que abriga mais corruptos por metro quadrado. Com 30% dos votos, o PT levou a medalha de ouro. Pela interpretação do resultado, Venturi leva o Yolhesman:
Yolhesman Crisbelles
Uma pesquisa encomendada pelo PT, coordenada por Gustavo Venturi, quis saber dos brasileiros qual é o partido que abriga mais corruptos por metro quadrado. Com 30% dos votos, o PT levou a medalha de ouro. Pela interpretação do resultado, Venturi leva o Yolhesman:
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Ainda há um déficit na prestação de contas à sociedade em relação às denúncias de corrupção.
Ainda há um déficit na prestação de contas à sociedade em relação às denúncias de corrupção.
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Para o companheiro, portanto, o problema do PT não é o excesso de ladrões. É a falta de relatórios.
Para o companheiro, portanto, o problema do PT não é o excesso de ladrões. É a falta de relatórios.