segunda-feira, março 19, 2007

Tarso Genro quer Coaf na Justiça

Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que prosseguirá na discussão sobre a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda para o da Justiça, como defendia o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. "Eu acho que seria positivo se isso ocorresse", afirmou Genro.

Bastos disse que "há uma concordância" do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o deslocamento, mas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda "não bateu o martelo" sobre o assunto.

Para o novo ministro da Justiça, a passagem fortaleceria a estrutura do Ministério da Justiça. Genro afirmou ainda que trabalhará em coordenação com os governos dos estados na solução da crise da segurança pública, especialmente, no Rio, onde, em uma semana, foram mortos 12 policiais."No momento em que o crime ousa atacar a polícia, é um sintoma muito grave."

Ele afirmou que é favorável a uma força nacional de segurança permanente. "Sei que o presidente simpatiza com a idéia, mas isso não foi discutido."

Genro declarou que pretende expandir os quadros da Polícia Federal (PF). "A centralidade da Polícia Federal em projeto democrático está apenas começando a ser reconhecida. É um corpo exemplar no combate ao crime. Fui indiciado pela Polícia Federal no regime militar e a conheço bem. Sei que deve ser respeitada e fortalecida", ressaltou.

O novo ministro confirmou que o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, permanecerá no cargo por mais três meses, a pedido dele, até que possa escolher um substituto.

Prioridades
O trabalho educacional nos presídios e medidas socioeducativas para menores infratores são exemplos de projetos que o novo ministro da Justiça quer realizar, dentro da atividade pela integração das políticas sociais e de segurança pública, com foco na juventude, que serão prioridades, de acordo com ele.

Genro disse também que continuará a se ocupar da coordenação das discussões sobre reforma política. "O Ministério da Justiça vai ajudar a impulsionar e organizar a discussão", disse, ressaltando, porém, que não será encaminhado nenhum projeto nesse sentido.

Dentro desse debate, ele afirmou priorizará três temas: fidelidade partidária, financiamento público de campanha e votação em lista, que deverão ser discutidos com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os partidos e o governo. Após a cerimônia de transmissão do cargo, no ministério, Genro recebeu um cocar sem penas dos índios xavante para dar "sorte e autoridade". O adorno foi colocado na cabeça do ministro da Justiça pelo cacique Pio.

Durante os cumprimentos, Genro brincou com o presidente nacional da OAB, Cézar Britto. "Espero que, desta vez, a OAB não peça o impeachment do Lula", afirmou o ministro, referindo-se ao primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando a entidade defendeu a destituição por causa das denúncias de corrupção no mandato. "Mas a OAB não ficará inerte, como o sr. mesmo sugeriu", respondeu Britto, em referência ao discurso de Genro, durante a cerimônia de transmissão.

No pronunciamento, o ministro garantiu que "a OAB pode contar com a cooperação, com o diálogo, com a minha colaboração e também com os nossos conflitos porque, se não houver, ou é porque o governo está trabalhando mau ou porque a Ordem está inerte".
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COMENTANDO A NOTICIA: É, nem bem sentou na cadeira do ministério da Justiça, e eis o “homi” sacando suas armas. Vocês acham por acaso que o COAF se transferindo para a responsabilidade do ministério que já conta com a Polícia Federal sob seu controle, isto não servirá para a implantação da polícia de governo ? Genro, com tal poder, não resistiria em usá-lo como forma de pressão e de barganha contra uns e outros. Por mais racional uns e outros entendam que o COAF deva sair do Ministério da Fazenda, em princípio sou contrário. E acho que Lula até agora não bateu o martelo por enxergar pelo mesmo ângulo. Seria muito poder nas mãos de um homem de governo só.