terça-feira, abril 24, 2007

Oposição:quem não pensa o presente não tem futuro.

Adelson Elias Vasconcellos

O que mais o Brasil precisa é simplesmente cumprir qualquer plano elaborado pelo governo. Vejam o caso da segurança. Com pompa e circunstância, e com direito a festança, discurso cretino e hipocrisia deslavada, Lula já lançou dois, e o resultado é aquele que o leitor encontra nas ruas e assiste no ruas. Agora, em gestação vem aí o PAC da segurança, que está elaborado pelo Ministério Justiça, leia-se Tarso Genro, e deverá ser apresentado até junho deste ano.

Apenas para que as pessoas não se esqueçam: no primeiro plano de Lula, previa-se a construção de cinco presídios de segurança máxima. Foi inaugurado apenas um, e no final do primeiro mandato, e ainda tem 50% de sua capacidade ociosa, e, pelo noticiário da semana, consta que Fernandinho Beira-Mar já tomou conta do pedaço.

É de se prever que o plano em gestação, abraço todos os projetos já previstos anteriormente, receba uma roupagem nova, alguns respingos de “novidade” e finalmente seja parido como algo “nuncadantez” na canalhice presidencial. E daí prá frente, considerar-se-ão resolvidos todos os nossos males. O governo insistirá que fez a sua parte, elaborando o plano, e se não der, apela-se para forças extra-terrestres o engodo. E a vida segue em frente, até trombar com uma bala perdida.

O que não faltam no Brasil são projetos. Aqui, vivemos um governo de reino da fantasia, o governo faz de conta que governa, e o povo faz de conta que acredita. No Brasil o que não faltam são leis. O que não quer dizer que se viva em função delas. O Poder Judiciário corporativista brasileiro, é um reino só acessível a poucos. Os poucos que tem muito. Muito dinheiro para pagar o ad eternum percurso dos apelos à impunidade. Um dia, o crime prescreve, e a vida canalha prossegue. Já se você não pode bancar a banca jurista, está condenado: por roubar margarina você vai penar e mofar no covil desumano de nossas penitenciárias.

Portanto, com quatro anos e meio de governo, Lula prepara um terceiro plano de segurança. E que provavelmente não dará certo, porque seu governo continuará podando verbas do orçamentos, e os repasses sempre serão motivo de barganha política, e não com base na prioridade em face da insegurança que atormenta a população.

A segurança pública no Brasil segue a mesma filosofia da Educação, das Estradas, da Energia e de todos os assuntos que digam respeito ao governo federal. Não há prioridades, não há governo, não um projeto decente de país. O único que funciona é o de cargos e salários. E assim mesmo porque a demanda por eles é enorme, num país com históricos 10% de desemprego.

Sendo assim, acredita em Lula quem quer. Quem não tem estômago para se preocupar com a nojeira da política nacional. Quem se lava na podridão que dela exala todos os dias. O país continua à deriva, sem rumo e sendo corroído em suas entranhas pelo apodrecimento moral das instituições.

Enquanto a sociedade como um todo não adotar o regime da ética como norma de conduta, não se espere que este quadro melhore muito. Um país que não sabe preservar-se a si mesmo, não pode efetivamente chegar a lugar algum. Diante do descalabro que vivemos, quem poderia fazer a diferença não está preocupado com 2007, pensa em 2010. Este é o triste papel da oposição, se é que o desmoralizante papel que PSDB e DEM (ex-PFL) pode-se chamar de oposição. Sem discurso, sem alternativas, sem ideais entregam o dia a dia da república para o PT praticar suas lambanças ordinárias. E quem se esquece do presente, não pode e não tem o direito de pensar no futuro.