Josias de Souza, Folha de São Paulo
As duas principais entidades nacionais do sindicalismo da Polícia Federal reúnem-se nesta segunda (23) e terça-feira (24) para elaborar um novo calendário de greves. Em vez de paralisações de 24 horas, como as realizadas nos dias 28 de março e 18 de abril, o funcionalismo da PF planeja agora greves de três ou quatro dias. Cogita ainda marcar a data do início de greve sem dia para acabar.
Às voltas com duas operações de grande repercussão –“Furacão” e “Têmis”—, ambas destinadas a investigar o comércio de decisões judiciais, a PF está às turras com o governo. Delegados, agentes e demais categorias que compõem o DPF (Departamento da Polícia Federal) não se conformam com a demora do Ministério do Planejamento em apresentar uma contraproposta à reivindicação de aumento de 30%.
Responsável pela PF, o ministro Tarso Genro (Justiça) repassou a resolução da encrenca ao colega Paulo Bernardo (Planejamento). Este incumbiu o auxiliar Sérgio Mendonça, secretário nacional de Recursos Humanos, de negociar com o sindicalismo da PF. Marcaram-se dois encontros. No primeiro, realizado há duas semanas, Mendonça não deu as caras. No segundo, ocorrido na última quinta-feira (19), escalou um subordinado, para informar aos “interlocutores” que ainda não fechara a proposta.
Marcou-se uma terceira reunião. Será na próxima quinta-feira (26). Espera-se que dessa vez Sérgio Mendonça jogue os seus números sobre a mesa. “A gente vai chegar para a reunião já com um novo calendário de greves nas mãos”, disse ao blog um ressabiado delegado Sandro Torres Avelar, presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal).
Torres Avelar vai reunir os representantes estaduais de sua associação nesta segunda e terça, para fixar as novas datas. “Se vier uma proposta que fique longe de nos atender, a gente vai ter de pôr em prática o novo calendário”, diz ele. “Já fizemos paralisações de advertência de 24 horas. O novo calendário terá de prever mais do que isso: greves de 72 ou de 96 horas. E, no limite, uma paralisação por tempo indeterminado.”
Também neste início de semana, virão a Brasília os representantes dos sindicatos estaduais dos agentes da PF, reunidos sob o guarda-chuva da FENAPEF (Federação Nacional dos Policiais Federais), presidida por Marcos Wink. Qualquer coisa abaixo de 30% de aumento salarial será considerada pelos federais como algo “inaceitável”. O percentual foi prometido à categoria pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Torres Avelar compara o compromisso, assumido por escrito, a um cheque. Previa a concessão de 60% de aumento, em duas parcelas. Pagou-se a primeira. A segunda, prevista para dezembro de 2006, foi rebarbada. Diz o delegado: “Quando você tem um cheque sem fundo, você volta em quem o emitiu, neste caso o governo. Se o cheque, por hipótese, é de R$ 500 e o emitente diz ‘reconheço a dívida, quero pagar, mas vamos dividir isso em duas, três vezes’, ele está dando prova de boa-fé. Mas se o cidadão diz que não vai pagar, ou que só vai pagar R$ 100 da dívida de R$ 500, isso é uma afronta. Estamos muito receosos de que a proposta do governo ganhe a forma de uma afronta.”
A reivindicação salarial da PF foi à mesa em 11 de julho de 2005. Nesse dia, o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, enviou ofício ao então ministro Thomaz Bastos expondo o que chamou de “injustificável distorção” . Referia-se à disparidade entre os salários do Ministério Público, do Judiciário e da PF. Antes de Lula, eram equivalentes. A partir de 2003, os contra-cheques de procuradores e magistrados dispararam. Os da PF ficaram estacionados.
O documento faz comparações. Alguns exemplos: desde janeiro de 2006, o procurador-geral da República, topo da hierarquia do Ministério Público, ganha R$ 24.500, contra R$ 11.083,19 pagos ao delegado especial, ápice da carreira da PF. Na base da pirâmide, um procurador da República recebe R$ 21 mil. O delegado de terceira classe, R$ 8.355,42. Lacerda pediu R$ 20 mil para o delegado especial e R$ 14 mil para o de terceira classe. Mantidos os reajustes prometidos por Thomaz Bastos, os salários não vão a tanto, mas chegarão perto: R$ 17,7 mil para o delegado mais categorizado e R$ 13,3 mil para o menos graduado.
As duas principais entidades nacionais do sindicalismo da Polícia Federal reúnem-se nesta segunda (23) e terça-feira (24) para elaborar um novo calendário de greves. Em vez de paralisações de 24 horas, como as realizadas nos dias 28 de março e 18 de abril, o funcionalismo da PF planeja agora greves de três ou quatro dias. Cogita ainda marcar a data do início de greve sem dia para acabar.
Às voltas com duas operações de grande repercussão –“Furacão” e “Têmis”—, ambas destinadas a investigar o comércio de decisões judiciais, a PF está às turras com o governo. Delegados, agentes e demais categorias que compõem o DPF (Departamento da Polícia Federal) não se conformam com a demora do Ministério do Planejamento em apresentar uma contraproposta à reivindicação de aumento de 30%.
Responsável pela PF, o ministro Tarso Genro (Justiça) repassou a resolução da encrenca ao colega Paulo Bernardo (Planejamento). Este incumbiu o auxiliar Sérgio Mendonça, secretário nacional de Recursos Humanos, de negociar com o sindicalismo da PF. Marcaram-se dois encontros. No primeiro, realizado há duas semanas, Mendonça não deu as caras. No segundo, ocorrido na última quinta-feira (19), escalou um subordinado, para informar aos “interlocutores” que ainda não fechara a proposta.
Marcou-se uma terceira reunião. Será na próxima quinta-feira (26). Espera-se que dessa vez Sérgio Mendonça jogue os seus números sobre a mesa. “A gente vai chegar para a reunião já com um novo calendário de greves nas mãos”, disse ao blog um ressabiado delegado Sandro Torres Avelar, presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal).
Torres Avelar vai reunir os representantes estaduais de sua associação nesta segunda e terça, para fixar as novas datas. “Se vier uma proposta que fique longe de nos atender, a gente vai ter de pôr em prática o novo calendário”, diz ele. “Já fizemos paralisações de advertência de 24 horas. O novo calendário terá de prever mais do que isso: greves de 72 ou de 96 horas. E, no limite, uma paralisação por tempo indeterminado.”
Também neste início de semana, virão a Brasília os representantes dos sindicatos estaduais dos agentes da PF, reunidos sob o guarda-chuva da FENAPEF (Federação Nacional dos Policiais Federais), presidida por Marcos Wink. Qualquer coisa abaixo de 30% de aumento salarial será considerada pelos federais como algo “inaceitável”. O percentual foi prometido à categoria pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Torres Avelar compara o compromisso, assumido por escrito, a um cheque. Previa a concessão de 60% de aumento, em duas parcelas. Pagou-se a primeira. A segunda, prevista para dezembro de 2006, foi rebarbada. Diz o delegado: “Quando você tem um cheque sem fundo, você volta em quem o emitiu, neste caso o governo. Se o cheque, por hipótese, é de R$ 500 e o emitente diz ‘reconheço a dívida, quero pagar, mas vamos dividir isso em duas, três vezes’, ele está dando prova de boa-fé. Mas se o cidadão diz que não vai pagar, ou que só vai pagar R$ 100 da dívida de R$ 500, isso é uma afronta. Estamos muito receosos de que a proposta do governo ganhe a forma de uma afronta.”
A reivindicação salarial da PF foi à mesa em 11 de julho de 2005. Nesse dia, o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, enviou ofício ao então ministro Thomaz Bastos expondo o que chamou de “injustificável distorção” . Referia-se à disparidade entre os salários do Ministério Público, do Judiciário e da PF. Antes de Lula, eram equivalentes. A partir de 2003, os contra-cheques de procuradores e magistrados dispararam. Os da PF ficaram estacionados.
O documento faz comparações. Alguns exemplos: desde janeiro de 2006, o procurador-geral da República, topo da hierarquia do Ministério Público, ganha R$ 24.500, contra R$ 11.083,19 pagos ao delegado especial, ápice da carreira da PF. Na base da pirâmide, um procurador da República recebe R$ 21 mil. O delegado de terceira classe, R$ 8.355,42. Lacerda pediu R$ 20 mil para o delegado especial e R$ 14 mil para o de terceira classe. Mantidos os reajustes prometidos por Thomaz Bastos, os salários não vão a tanto, mas chegarão perto: R$ 17,7 mil para o delegado mais categorizado e R$ 13,3 mil para o menos graduado.