domingo, maio 27, 2007

Custo Brasil

Carlos Sardenberg, Portal G1
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Apanhei hoje cedo um vôo da Gol de Curitiba para Congonhas. Na partida, tudo normal, check-in e embarque, às 9hs. Todos a bordo, portas fechadas e nada de decolar.
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Avisa o comandante: chove moderadamente em S.Paulo, Congonhas está fechado ou com número limitado de pousos, estamos aguardando autorização para partir. Mais uns 30 minutos e o comandante avisa: estamos partindo mas sem saber onde pousar. Pode ser em Congonhas, Guarulhos ou Campinas.
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Lá pelas 10 e meia, o comandante avisa que estamos fazendo hora, dando voltas sobre Santos, enquanto esperamos para saber para onde vamos. Mais um tanto e o comandante avisa: Congonhas fechado, Guarulhos recebeu muitos vôos destinados a Congonhas e não tem mais espaço, vamos para Campinas.Pouso normal em Campinas. O pessoal se preparara para desembarcar, mas a porta não abre. Explica o comandante, cada vez mais constrangido: também vieram muitos vôos para cá e faltam escadas e ônibus para o desembarque. Quinze de minutos de espera e aí aparecem as escadas.
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Aí foi rápido, praticamente direto do avião para o ônibus que partiu em seguida para .... Congonhas – e lá chegamos ás 13 e 15hs, mais de três horas depois do horário previsto. O que se via: passageiros ao celular desmarcando compromissos – reuniões, aulas, encontros, apresentações, audiências, tudo serviço.E comentários. Muitos, surpreendentemente, acharam que três horas de atraso não estava tão ruim. Esses eram os mais experientes. Explicavam: você tem que dar folga, se o compromisso é de manhã, venha de véspera, se é à tarde, marque um vôo bem cedo. Se você contar com umas quatro horas de atraso, só perde o compromisso se der muita zebra.
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Isso é custo Brasil, para as empresas aéreas (só o combustível queimado nas voltas de espera...), para as empresas (que pagam mais para deslocar seus funcionários, os quais perdem mais tempo) e para as pessoas.
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O PAC reserva R$ 3 bilhões para investimentos em todos os aeroportos do país, em quatro anos. Estudos mostram que só para os três principais de São Paulo, seriam necessários R$ 7 bilhões já.
Claramente, o governo não tem dinheiro. O setor privado tem, mas não pode investir porque este governo não quer privatizar. Portanto, não se esqueça, dê pelo menos quatro horas de folga.