VOCÊ ACREDITA EM MILAGRES ?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
O presidente Lula afirmou que o Brasil está vivendo um “milagre econômico”, que combina baixa inflação com crescimento.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
O presidente Lula afirmou que o Brasil está vivendo um “milagre econômico”, que combina baixa inflação com crescimento.
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“Crescer a 4,5% com inflação de 3,5%, 4%, crescendo as exportações, é o milagre. Guido, que certamente não é apenas mérito do governo, eu acho que é mérito de milhões de pessoas que contribuíram, que acreditaram, nos momentos difíceis”, disse Lula.
“Crescer a 4,5% com inflação de 3,5%, 4%, crescendo as exportações, é o milagre. Guido, que certamente não é apenas mérito do governo, eu acho que é mérito de milhões de pessoas que contribuíram, que acreditaram, nos momentos difíceis”, disse Lula.
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Ele declarou que o atual momento é bem melhor do que a era JK, porque Juscelino não teria conseguido baixar a inflação e distribuir a renda como tem sido feito hoje. “O Brasil nunca soube crescer com inflação baixa. Parecia outra doença. Toda vez que a gente falava em crescer, a inflação crescia junto.”
Ele declarou que o atual momento é bem melhor do que a era JK, porque Juscelino não teria conseguido baixar a inflação e distribuir a renda como tem sido feito hoje. “O Brasil nunca soube crescer com inflação baixa. Parecia outra doença. Toda vez que a gente falava em crescer, a inflação crescia junto.”
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Por fim, Lula disse que tudo isso é mérito do perfil persistente do povo e do empresariado brasileiro. “É isso que explica sair de uma economia totalmente instável, devendo ao FMI, que era o único dinheiro que nós tínhamos de reserva, devendo ao Clube de Paris, sem credibilidade para pagar as nossas exportações, para chegar, em 2007, com 130 bilhões de dólares de reservas, com um superávit de 47 bilhões de dólares na nossa balança comercial e com um superávit de conta corrente”, afirmou.
Primeiro, vamos por um pouco de ordem nesta salada mista que Lula armou no seu discurso que, prá variar, ignora as verdades mais elementares, principalmente as históricas. Claro que, seguindo o seu viés canalha de ser, o Luiz Inácio tenta puxar todos os méritos para o sem angu de caroço, pensando que todo mundo é idiota e desinformado. Em economia, não existem milagres. Existem projetos e programas, normas, princípios e leis que, sendo seguidas, provocam efeitos. Ou seja, em economia, não existe efeito sem causa. Isto, aliás, é científico.
O bom momento vivido pela economia brasileira é fruto de milagres ? Claro que não, nem tampouco são obras do acaso, e nem ainda acontece por razões de curto prazo. Para chegarmos até aqui foram necessários um amplo leque de reformas e, claro, muito, muito sacrifício de parte de nossa gente. Para começo de conversa, foi preciso dar um tiro de misericórdia na inflação. Inflação que chegou, ao tempo de José Sarney, este mesmo que brinca de política no senado, a bater na casa de mais de 2.000 % ao ano. Também foi preciso acabar com a farra do boi, patrocinado pelos governos estaduais. Todos sem exceção, alinhavam dívidas sobre dívidas, penduravam nos bancos estaduais, e dê-lhe baile irresponsável e descontrolado nas finanças públicas. Outro fator preponderante, foi redesenhar o Estado brasileiro, dando-lhe ordenamento e administração responsável. Nenhum centavo se gasta sem a competente receita para bancar. Responsabilidade fiscal foi o nome, e continua sendo a âncora principal na qual se sustenta este momento econômico.
Com o fim da inflação, redesenho do Estado, equilíbrio das contas públicas e responsabilidade fiscal, pode o país respirar ares de normalidade e assim, aproveitar parte dos bons ventos da economia mundial, esta sim, diretamente responsável por tudo o que o país tem vivido positivamente nestes quatro últimos anos. A expansão do comércio mundial, a liquidez excepcional dos mercados, o crescimento positivo das economias chinesa, principalmente, e a americana, tem dado ao mundo um momento como nunca visto nos últimos cinqüenta anos. É nesta conjunção de fatores excepcionais que o Brasil tem colhido frutos, portanto, nada há aqui de milagroso.
O que se poderia denominar de milagre é o aspecto negativo de nossa economia.Por quê ? Ora, tivéssemos realizado as demais reformas necessárias, e que Lula vem empurrando com a barriga, e poderíamos estar recepcionando volume de investimentos como jamais tivemos no campo produtivo, seja industrial, de comércio ou serviços. Poderíamos ter reduzido à metade o nível de desemprego, que durante todo o governo Lula tem se mantido na casa de 10% e não sai disto. Estaríamos exportando cerca de 30 a 40% em produtos manufaturados, não estivéssemos há mais de um ano incentivando o ingresso de capital estrangeiro para financiamento da dívida pública. Este ingresso desonerado e desordenado vem em busca dos juros mais altos do planeta. E nosso crescimento poderia estar alinhado ou até à frente dos principais países emergentes.
Ou seja, é milagre mesmo o fato de estarmos jogando fora oportunidades excepcionais de crescimento, e ainda estamos discutindo licenciamentos para usina hidroelétricas, a energia mais limpa e mais barata que existe; estamos discutindo questões ridículas de remuneração para os investimentos em contratos de parceria para rodovias, estamos ridiculamente estacionados discutindo questões jurídicas para investimentos em infra-estrutura. Porém, nada do que o tal PAC de Lula tenta contemplar significa produção. Estamos estacionados na pista de embarque, discutindo a altura das escadas, quando deveríamos já estar levantando vôo e discutindo o roteiro de viagem.
Este é que é o milagre que o país vive: o de não estar aproveitando o momento para levantar vôo. Não há como este avião decolar carregando o peso de uma carga tributária assassina. O que mata as empresas, é bom que Miguel Jorge se dê conta disto, e logo, já que é Ministro do Desenvolvimento, não é o câmbio com o real supervalorizado no nível atual. O que mata qualquer empresa no Brasil é a conjunção perversa de juros altos, câmbio desequilibrado, carga tributária, insegurança jurídica e burocracia asfixiante. Com tamanho excesso de peso, não há mesmo jeito deste vôo alçar as alturas.
Pergunte-se a qualquer executivo sério lá de fora: o que mais se estranha é esta lerdeza do Brasil para aproveitar o bom momento da economia mundial, considerando-se todos os aspectos positivos de conquistas realizadas nos últimos 12 anos e a inigualável riqueza de solo e sub-solo e clima que o país dispõe para produzir e tornar-se uma potencial mundial. E isto se deve muito a políticas públicas e reformas estruturais que estamos deixando de lado, do que por falta de empreendedorismo e força de trabalho.
A baixa inflação de que se ufana o senhor Luiz Inácio, ele recebeu de presente. O equilíbrio fiscal, também. Agora, aonde ele foi buscar crescimento de 4,5% é que fica difícil de entender. Precisou mudar os critérios de medição para chegar numa ridícula média de 3,0%, metade do que o restante do mundo cresceu no mesmo período. E quanto ao crescimento de exportações, convenhamos que é muita cretinice querer arrolar para si méritos que pertence à economia mundial. Aliás, como já dissemos, tivesse um pingo de ação governamental para beneficiar as exportações, estas poderiam estar crescendo no mínimo um terço além. Este “deixar de fazer” se deve sim a uma política estúpida de se beneficiar o capital em detrimento da produção e do trabalho.
Os efeitos só serão positivos se as causas que os provocam forem positivos. Sem nada fazer, continuamos a reboque do mundo exterior de quem Lula acha não depender. Não fosse a economia dos demais países beneficiar-nos, e por certo estaríamos vivendo momentos bastante conturbados, principalmente o agro-negócio que parece este governo querer ignorar e maltratar.
Assim, nove vezes fora a mentira e a mistificação, o que sobra, convenhamos é muito pouco para colorir o milagre do discurso cretino. Até porque, não são palavras que tornam nossas empresas melhores, e fazem brotar do nada os empregos que teimam em não se produzir na quantidade necessária. E este é o termômetro que indica o quanto estamos longe do país imaginário do presidente. No dia em que índice cair dos atuais e históricos 10% para algo próximo a 5 ou 6%, aí sim, o senhor Luiz Inácio poderá comemorar. Até lá, o melhor que ele pode fazer é nos poupar do discurso ridículo e começar de fato a governar o país. Aliás, foi eleito para governar e não para passar mais quatro anos mentindo descaradamente.
Por fim, Lula disse que tudo isso é mérito do perfil persistente do povo e do empresariado brasileiro. “É isso que explica sair de uma economia totalmente instável, devendo ao FMI, que era o único dinheiro que nós tínhamos de reserva, devendo ao Clube de Paris, sem credibilidade para pagar as nossas exportações, para chegar, em 2007, com 130 bilhões de dólares de reservas, com um superávit de 47 bilhões de dólares na nossa balança comercial e com um superávit de conta corrente”, afirmou.
Primeiro, vamos por um pouco de ordem nesta salada mista que Lula armou no seu discurso que, prá variar, ignora as verdades mais elementares, principalmente as históricas. Claro que, seguindo o seu viés canalha de ser, o Luiz Inácio tenta puxar todos os méritos para o sem angu de caroço, pensando que todo mundo é idiota e desinformado. Em economia, não existem milagres. Existem projetos e programas, normas, princípios e leis que, sendo seguidas, provocam efeitos. Ou seja, em economia, não existe efeito sem causa. Isto, aliás, é científico.
O bom momento vivido pela economia brasileira é fruto de milagres ? Claro que não, nem tampouco são obras do acaso, e nem ainda acontece por razões de curto prazo. Para chegarmos até aqui foram necessários um amplo leque de reformas e, claro, muito, muito sacrifício de parte de nossa gente. Para começo de conversa, foi preciso dar um tiro de misericórdia na inflação. Inflação que chegou, ao tempo de José Sarney, este mesmo que brinca de política no senado, a bater na casa de mais de 2.000 % ao ano. Também foi preciso acabar com a farra do boi, patrocinado pelos governos estaduais. Todos sem exceção, alinhavam dívidas sobre dívidas, penduravam nos bancos estaduais, e dê-lhe baile irresponsável e descontrolado nas finanças públicas. Outro fator preponderante, foi redesenhar o Estado brasileiro, dando-lhe ordenamento e administração responsável. Nenhum centavo se gasta sem a competente receita para bancar. Responsabilidade fiscal foi o nome, e continua sendo a âncora principal na qual se sustenta este momento econômico.
Com o fim da inflação, redesenho do Estado, equilíbrio das contas públicas e responsabilidade fiscal, pode o país respirar ares de normalidade e assim, aproveitar parte dos bons ventos da economia mundial, esta sim, diretamente responsável por tudo o que o país tem vivido positivamente nestes quatro últimos anos. A expansão do comércio mundial, a liquidez excepcional dos mercados, o crescimento positivo das economias chinesa, principalmente, e a americana, tem dado ao mundo um momento como nunca visto nos últimos cinqüenta anos. É nesta conjunção de fatores excepcionais que o Brasil tem colhido frutos, portanto, nada há aqui de milagroso.
O que se poderia denominar de milagre é o aspecto negativo de nossa economia.Por quê ? Ora, tivéssemos realizado as demais reformas necessárias, e que Lula vem empurrando com a barriga, e poderíamos estar recepcionando volume de investimentos como jamais tivemos no campo produtivo, seja industrial, de comércio ou serviços. Poderíamos ter reduzido à metade o nível de desemprego, que durante todo o governo Lula tem se mantido na casa de 10% e não sai disto. Estaríamos exportando cerca de 30 a 40% em produtos manufaturados, não estivéssemos há mais de um ano incentivando o ingresso de capital estrangeiro para financiamento da dívida pública. Este ingresso desonerado e desordenado vem em busca dos juros mais altos do planeta. E nosso crescimento poderia estar alinhado ou até à frente dos principais países emergentes.
Ou seja, é milagre mesmo o fato de estarmos jogando fora oportunidades excepcionais de crescimento, e ainda estamos discutindo licenciamentos para usina hidroelétricas, a energia mais limpa e mais barata que existe; estamos discutindo questões ridículas de remuneração para os investimentos em contratos de parceria para rodovias, estamos ridiculamente estacionados discutindo questões jurídicas para investimentos em infra-estrutura. Porém, nada do que o tal PAC de Lula tenta contemplar significa produção. Estamos estacionados na pista de embarque, discutindo a altura das escadas, quando deveríamos já estar levantando vôo e discutindo o roteiro de viagem.
Este é que é o milagre que o país vive: o de não estar aproveitando o momento para levantar vôo. Não há como este avião decolar carregando o peso de uma carga tributária assassina. O que mata as empresas, é bom que Miguel Jorge se dê conta disto, e logo, já que é Ministro do Desenvolvimento, não é o câmbio com o real supervalorizado no nível atual. O que mata qualquer empresa no Brasil é a conjunção perversa de juros altos, câmbio desequilibrado, carga tributária, insegurança jurídica e burocracia asfixiante. Com tamanho excesso de peso, não há mesmo jeito deste vôo alçar as alturas.
Pergunte-se a qualquer executivo sério lá de fora: o que mais se estranha é esta lerdeza do Brasil para aproveitar o bom momento da economia mundial, considerando-se todos os aspectos positivos de conquistas realizadas nos últimos 12 anos e a inigualável riqueza de solo e sub-solo e clima que o país dispõe para produzir e tornar-se uma potencial mundial. E isto se deve muito a políticas públicas e reformas estruturais que estamos deixando de lado, do que por falta de empreendedorismo e força de trabalho.
A baixa inflação de que se ufana o senhor Luiz Inácio, ele recebeu de presente. O equilíbrio fiscal, também. Agora, aonde ele foi buscar crescimento de 4,5% é que fica difícil de entender. Precisou mudar os critérios de medição para chegar numa ridícula média de 3,0%, metade do que o restante do mundo cresceu no mesmo período. E quanto ao crescimento de exportações, convenhamos que é muita cretinice querer arrolar para si méritos que pertence à economia mundial. Aliás, como já dissemos, tivesse um pingo de ação governamental para beneficiar as exportações, estas poderiam estar crescendo no mínimo um terço além. Este “deixar de fazer” se deve sim a uma política estúpida de se beneficiar o capital em detrimento da produção e do trabalho.
Os efeitos só serão positivos se as causas que os provocam forem positivos. Sem nada fazer, continuamos a reboque do mundo exterior de quem Lula acha não depender. Não fosse a economia dos demais países beneficiar-nos, e por certo estaríamos vivendo momentos bastante conturbados, principalmente o agro-negócio que parece este governo querer ignorar e maltratar.
Assim, nove vezes fora a mentira e a mistificação, o que sobra, convenhamos é muito pouco para colorir o milagre do discurso cretino. Até porque, não são palavras que tornam nossas empresas melhores, e fazem brotar do nada os empregos que teimam em não se produzir na quantidade necessária. E este é o termômetro que indica o quanto estamos longe do país imaginário do presidente. No dia em que índice cair dos atuais e históricos 10% para algo próximo a 5 ou 6%, aí sim, o senhor Luiz Inácio poderá comemorar. Até lá, o melhor que ele pode fazer é nos poupar do discurso ridículo e começar de fato a governar o país. Aliás, foi eleito para governar e não para passar mais quatro anos mentindo descaradamente.