Ana Maria Tahan, Jornal do Brasil
O presidente do Senado, Renan Calheiros, deve explicações claras, objetivas e, sobretudo, convincentes, sobre as relações que mantém com Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. O comandante do Congresso é obrigado, sim, a dar satisfações contínuas sobre sua vida pública e privada. Tem de provar, com documentos bancários, que cumpre a exigência de quitar, mensalmente, a pensão da filha de três anos nascida da relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. Precisa apresentar os boletos e os saques registrados em sua conta para comprovar que o aluguel do apartamento habitado por mãe e filha é pago por ele, não por outrem. Mônica pode ser uma testemunha decisiva: cabe-lhe contar como recebia (e de quem recebia) o valor da pensão e do aluguel. Caso contrário, a reportagem da revista Veja estará mais próxima da verdade do que qualquer história sacada pelo político alagoano para exorcizar a suspeita de manter ligações promíscuas com a empreiteira mineira.
Renan saiu do semi-anonimato de político alagoano durante a curta passagem pelo governo central do parceiro Fernando Collor. Amigo do rei, tornou-se líder do governo e começou, ali, a ultrapassar as acanhadas fronteiras do Estado de origem. Tem uma notável vocação para agarrar-se ao poder. Foi ministro de Fernando Henrique e aproximou-se da perfeição na era Lula. Na juventude, travestiu-se de comunista. Transformou-se num oportunista e num mestre na arte do equilíbrio. Alistava-se no estado-maior de Collor na campanha em que derrotou Lula, nos idos de 1989, com um jogada abaixo da linha da cintura, ao sacar do passado do ex-sindicalista uma filha anterior ao seu casamento com Marisa Letícia. Hoje integra a ala dos confidentes e conselheiros do presidente que ajudou a execrar no ano que encerrou a década de 80.
Renan Calheiros dá as cartas no Senado. Ensaiou muchochos quando Lula decidiu presentear seus adversários no PMDB com vagas de pouca relevância no alto escalão da República. Depois, apaziguou o espírito com uma indicação política aqui, outra ali, como o apadrinhamento de Silas Rondeau - o escolhido do aliado político José Sarney - para o Ministério de Minas e Energia. Comemorou a vitória contra o rigor de Dilma Rousseff, que tinha outro candidato para o gabinete que ocupou.
O senador alagoano, que também voltou ao poder no Estado natal (indicou o vice-governador, conforme o acordo que elegeu o tucano Teotônio Vilela), está enredado na teia de amizades profundas do empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama e mentor da quadrilha que frauda licitações e executa obras irregulares desvendada pela Operação Navalha da Polícia Federal. Confirma a ligação pessoal de duas décadas com o construtor de relações heterodoxas na política. Nega, contudo, tê-lo beneficiado, de uma forma ou outra, com obras e, de quebra, com recursos públicos. Negativas que cabe à polícia e à Justiça apurar e, se for o caso, inocentar ou punir.
Agora, surge a suspeita de receber mesada indireta de lobista de outra empreiteira. O que faz o senador, ao contrário das providências relacionadas no início desta coluna para rebater o texto de Veja? Divulga uma nota para clamar sua inocência e esbravejar quando considera isso invasão de sua "mais íntima privacidade". É pouco.
O presidente Lula pede tempo para que o aliado estratégico no PMDB se explique antes da condenação pública. É pouco. Renan Calheiros já está no centro do furacão. Pode escapar dali com a apresentação de provas irrefutáveis sobre a origem dos reais que saldam a mesada da filha e o aluguel da casa da ex-amante. Pode livrar-se com a acolhida dos colegas parlamentares. Ou perder o mandato. Ou renunciar antes de ser engolido. O certo é que Lula, por um bom tempo, terá de arrumar outro conselheiro político.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, deve explicações claras, objetivas e, sobretudo, convincentes, sobre as relações que mantém com Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. O comandante do Congresso é obrigado, sim, a dar satisfações contínuas sobre sua vida pública e privada. Tem de provar, com documentos bancários, que cumpre a exigência de quitar, mensalmente, a pensão da filha de três anos nascida da relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso. Precisa apresentar os boletos e os saques registrados em sua conta para comprovar que o aluguel do apartamento habitado por mãe e filha é pago por ele, não por outrem. Mônica pode ser uma testemunha decisiva: cabe-lhe contar como recebia (e de quem recebia) o valor da pensão e do aluguel. Caso contrário, a reportagem da revista Veja estará mais próxima da verdade do que qualquer história sacada pelo político alagoano para exorcizar a suspeita de manter ligações promíscuas com a empreiteira mineira.
Renan saiu do semi-anonimato de político alagoano durante a curta passagem pelo governo central do parceiro Fernando Collor. Amigo do rei, tornou-se líder do governo e começou, ali, a ultrapassar as acanhadas fronteiras do Estado de origem. Tem uma notável vocação para agarrar-se ao poder. Foi ministro de Fernando Henrique e aproximou-se da perfeição na era Lula. Na juventude, travestiu-se de comunista. Transformou-se num oportunista e num mestre na arte do equilíbrio. Alistava-se no estado-maior de Collor na campanha em que derrotou Lula, nos idos de 1989, com um jogada abaixo da linha da cintura, ao sacar do passado do ex-sindicalista uma filha anterior ao seu casamento com Marisa Letícia. Hoje integra a ala dos confidentes e conselheiros do presidente que ajudou a execrar no ano que encerrou a década de 80.
Renan Calheiros dá as cartas no Senado. Ensaiou muchochos quando Lula decidiu presentear seus adversários no PMDB com vagas de pouca relevância no alto escalão da República. Depois, apaziguou o espírito com uma indicação política aqui, outra ali, como o apadrinhamento de Silas Rondeau - o escolhido do aliado político José Sarney - para o Ministério de Minas e Energia. Comemorou a vitória contra o rigor de Dilma Rousseff, que tinha outro candidato para o gabinete que ocupou.
O senador alagoano, que também voltou ao poder no Estado natal (indicou o vice-governador, conforme o acordo que elegeu o tucano Teotônio Vilela), está enredado na teia de amizades profundas do empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama e mentor da quadrilha que frauda licitações e executa obras irregulares desvendada pela Operação Navalha da Polícia Federal. Confirma a ligação pessoal de duas décadas com o construtor de relações heterodoxas na política. Nega, contudo, tê-lo beneficiado, de uma forma ou outra, com obras e, de quebra, com recursos públicos. Negativas que cabe à polícia e à Justiça apurar e, se for o caso, inocentar ou punir.
Agora, surge a suspeita de receber mesada indireta de lobista de outra empreiteira. O que faz o senador, ao contrário das providências relacionadas no início desta coluna para rebater o texto de Veja? Divulga uma nota para clamar sua inocência e esbravejar quando considera isso invasão de sua "mais íntima privacidade". É pouco.
O presidente Lula pede tempo para que o aliado estratégico no PMDB se explique antes da condenação pública. É pouco. Renan Calheiros já está no centro do furacão. Pode escapar dali com a apresentação de provas irrefutáveis sobre a origem dos reais que saldam a mesada da filha e o aluguel da casa da ex-amante. Pode livrar-se com a acolhida dos colegas parlamentares. Ou perder o mandato. Ou renunciar antes de ser engolido. O certo é que Lula, por um bom tempo, terá de arrumar outro conselheiro político.