domingo, maio 27, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Estranhas determinações
Mauro Braga e Redação, Tribuna da Imprensa

O caso Rondeau produziu determinações estranhas no Palácio do Planalto. A partir de agora, por exemplo, quem quiser ter acesso aos ministérios terá de se identificar. Ué, antes não precisava? Até o camelô da esquina exige isso.

E será que o governo pensa em acabar com suspeitas sobre ministros e demais funcionários pedindo que as pessoas se identifiquem para ter acesso aos gabinetes do Poder. A determinação de que "ninguém sobe sem identificação" equivale a dizer que não teria havido o caso Rondeau (suspeito de ter recebido "um pro-labore" de R$ 100 mil da Gautama, que teria sido levado até o Ministério de Minas e Energia por uma emissária da construtora e entregue ao então assessor especial do ministério, Ivo de Almeida Costa) se houvesse a exigência da identificação. Vale lembrar que Maria de Fátima Palmeira, a emissária, combinou por telefone com Ivo a ida até o ministério, de acordo com as gravações da Polícia Federal.

Será que o governo esqueceu das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson, segundo quem as contribuições do mensalão eram acertadas ao lado do gabinete do presidente Lula pelo então todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. E as pessoas que freqüentavam a sala de Dirceu, mesmo que precisassem se identificar antes de subir, eram todas conhecidas.

Sem falar que investigações da Polícia Federal mostram que o próprio dono da Gautama, Zuleido Veras, foi recebido por Rondeau no ministério no dia 27 de fevereiro deste ano. Foi tratar da liberação de recursos para obras no Piauí. No dia seguinte, grampeado pela PF com autorização da Justiça, disse a um amigo que a conversa havia sido "muito boa". E deve ter sido mesmo.

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Respaldo

A tese dos que criticam o comportamento da Polícia Federal certamente não encontra respaldo nas ruas: o povão adora ver gente graúda em cana.

Aliás, se algum governante quiser aumentar seu IBOPE, é só seguir o roteiro: os populistas adoram demonstrar sua “força” botando graúdão em cana. O povo adora ! E por isto mesmo é que se explica em parte a popularidade sempre alta de Lula. Ele aprendeu direitinho a lição.

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O velho custo Brasil
Carlos Sardenberg, Portal G1

Está na praça uma conseqüência inequivocamente positiva do dólar abaixo de dois reais: o intenso debate sobre os rumos da economia brasileira.
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Nesse debate, há dois pontos bem estabelecidos: primeiro, é impossível aplicar uma medida qualquer que produza alta imediata do dólar; segundo, é possível aplicar uma política de médio e longo prazo com o objetivo de elevar a competitividade das empresas brasileiras.
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É impossível um golpe de curto prazo porque não há como estancar a maciça entrada de dólares, conseqüência geral da melhora da macroeconomia brasileira. Um exemplo: a redução mais acelerada da taxa de juros pode conter a entrada de capital especulativo. Mas, por outro lado, juros menores reduzem a dívida pública, derrubam o risco Brasil e ... atraem mais investimentos para bolsas e o setor produtivo, por exemplo.
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É possível uma política de médio e longo prazo que inclua um conjunto de medidas. Exemplos: redução geral das alíquotas de importação (para o país gastar dólares e melhorar a produtividade das empresas, via compra de máquinas e programas novos); redução geral do custo Brasil (tributário, trabalhista, previdenciário); investimentos em infra-estrutura, especialmente abrindo espaço para investimentos privados; e, certamente, redução mais acelerada da taxa de juros, o que já está acontecendo no mercado.
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É o bom deste debate: verifica-se que o custo Brasil é maior que o custo cambial.

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"The book is on the table"
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O deputado Otávio Leite, da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, ficou chocado com o baixo nível das provas de inglês dos candidatos ao cargo de controlador aéreo no Brasil. Segundo Otávio, os testes são apenas de nível médio, com provas de múltipla escolha e não há entrevistas nem provas de conversação. E depois que passam na prova, não existe nenhum tipo de acompanhamento ou é oferecido a eles qualquer curso de especialização.

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Lucro de cartões de crédito é o 2º maior da história

SÃO PAULO - Impulsionado pelo Dia das Mães, o faturamento do mercado brasileiro de cartões de crédito brasileiro deverá atingir R$ 15,5 bilhões no mês de maio, resultado de 170 milhões de transações, com tíquete médio de R$ 91. Trata-se de um crescimento de 18,4% em relação ao faturamento do mesmo período de 2006. Os dados são de balanço mensal sobre o segmento, divulgado pela Itaucard.

Segundo o diretor de Marketing de Cartões do Itaú, Fernando Chacon, este será o segundo maior volume de transações registrado pelo setor de cartões de crédito na história, menor apenas que o movimento de dezembro do ano passado, que alcançou quase R$ 18 bilhões.

Somente a semana que antecede o Dia das Mães concentrou 27% do volume do mês, correspondendo a R$ 4,2 bilhões, enquanto no mesmo período dos demais meses o movimento representa 23% do total.

Em volume, são cerca de R$ 625 milhões injetados na economia pelos cartões de crédito em decorrência direta do Dia das Mães. Em função das comemorações, o tíquete médio na semana que antecede a data comemorativa aumentou para R$ 93,2, em comparação aos R$ 90,8 registrados na semana que antecede o segundo domingo de cada mês.

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Descoincidência
Tribuna da Imprensa
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Revogar a reeleição é a primeira parte da reforma política. Mas a parte inovadora é a não-coincidência das eleições. Os governadores e os deputados estaduais não deveriam ser eleitos juntos com o presidente da República. O ideal seria que as eleições estaduais coincidissem com as municipais. (CC)

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Governo quer dar alívio fiscal a estados e municípios

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou ontem que o governo federal fará um esforço fiscal maior para dar um espaço fiscal adicional aos estados e municípios. "Nós daremos alívio fiscal para os estados e municípios. Cada um terá uma solução diferente", disse, numa entrevista, ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Segundo ele, missões técnicas do Tesouro Nacional aos Estados e municípios serão concluídas até o final de junho, quando será possível ter uma avaliação de cada caso. O ministro descartou, no entanto, mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e nos contratos assinados entre os estados e municípios com a União para renegociação de dívida.

Mantega não adiantou quanto do superávit primário dos estados e municípios será reduzido com este esforço adicional, mas assegurou que o governo vai cumprir a meta prevista de superávit primário do setor público consolidado, de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Nós nos comprometemos com um superávit de 3,8% do PIB e vamos entregá-lo. Vamos ter que fazer as contas", disse ele, referindo-se ao valor que será reduzido da meta dos estados e municípios.

O ministro descartou, porém, a possibilidade de mudanças na legislação para elevar de uma para duas vezes a receita líquida que pode ser comprometida com o endividamento. Segundo ele, essa elevação acarretaria, ao longo dos anos, numa permissão para os Estados se endividarem em R$ 140 bilhões.

"O que o Ministério da Fazenda não quer é rever contratos e a Lei de Responsabilidade Fiscal e ficar com uma carga muito grande que impeça o cumprimento da meta fiscal. Porque, em última instância, somos nós os responsáveis pelo cumprimento da meta", afirmou.