Direção nacional do MST anuncia "segundo turno" de invasões
O MST vai desencadear uma nova onda de invasões e protestos a partir do dia 23 de maio, anunciou ontem Valmir Rodrigues Chaves, da direção nacional do movimento. A ação será conjunta com os movimentos sociais urbanos e centrais sindicais.
Entre os alvos principais estão a política econômica do governo Lula voltada para o agronegócio exportador e as propostas de mudanças na legislação trabalhista. "Vamos dar uma trégua, agora, para o nosso pessoal descansar e se organizar", disse Chaves. "Depois, vamos para o segundo turno."
O líder disse que o "abril vermelho" em São Paulo foi fechado com "chave de ouro" com a invasão da Fazenda Ipezal, do presidente da UDR. Ele classificou a entidade como de "grileiros". A área foi invadida domingo por 120 militantes. Foi a quarta propriedade invadida na região em abril.
Segundo Chaves, a cobrança pela aceleração da reforma agrária vai continuar. "Do jeito como está, tudo parado, não dá para ficar." Ele criticou o governo estadual por ter recebido os representantes da UDR. "Os sem-terra não foram recebidos, mas pouco adianta falar com secretário e ministro. Queremos conversar com o governador e o presidente, pois são eles que resolvem."
De acordo com Chaves, enquanto os processos de recuperação de terras devolutas ficam "adormecidos" na Justiça, os fazendeiros arrendam as áreas para o plantio da cana-de-açúcar. "A estratégia deles é se aliar com o agronegócio e dificultar para o governo retomar as terras." No Pontal, a cana está entrando nas fazendas como um "rolo compressor", segundo ele. "São os heróis do Lula, mas e o pequeno agricultor, como fica?"
ENQUANTO ISSO ...
Produtores estão cansados, diz presidente da UDR
SÃO PAULO - O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse ontem que os produtores rurais já estão cansados do "abril vermelho", a onda de invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "Agora, todo ano tem abril vermelho, maio vermelho. Isso já cansou." Ele teve sua fazenda, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, a 640 quilômetros de São Paulo, invadida por 120 militantes no domingo. Nabhan atribuiu as invasões à conivência do governo do presidente Lula com o MST. "Há uma afinidade ideológica, uma condescendência que pega mal para o presidente. Como para eles a lei não vale, criou-se uma situação de impunidade."
As invasões do MST já resultaram numa intensificação das vistorias em fazendas para verificação das condições trabalhistas e de produtividade, o que mostra que o governo cedeu à pressão, segundo Nabhan. "O fiscal vai até a fazenda, vê alguma coisa irregular e, ao invés de corrigir, relata que tem trabalho escravo. Estão acontecendo muitas desapropriações injustas."O proprietário recorre à Justiça mas, enquanto o processo tramita, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) desapropria, diz ele. "Isso só vai ter fim quando o presidente Lula extinguir o Ministério da Reforma Agrária e subordinar o Incra, um órgão técnico, ao Ministério da Agricultura."
As invasões, segundo Nabhan, estão prejudicando "além da conta" a produção do campo. Além dos gastos para recuperar os danos, os proprietários são obrigados a recorrer à Justiça para reaver o imóvel. "E o direito de propriedade?", perguntou. Ele disse que o produtor rural se sente indefeso diante dos sem-terra. "Eu mesmo tenho vontade de impedir uma invasão mas, se fizer isso, serei réu com certeza, e eles serão as vítimas."
COMENTANDO A NOTICIA: O novo ministro da Agricultura, Reinoldo Stephanes nesta semana estar sendo preparado um “pac” (mais um!) específico para Agricultura. Ufa. Esperamos que fiquem apenas na promessa, já que Lula tendo cumprido quatro anos e quatro meses, não se dignou até aqui apresentar um miserável programa para área agropecuária. E convenhamos, um setor com o peso que tem na balança comercial exterior, além da significativa importância para abastecimento do mercado interno, não ter programa algum é uma total incompetência que somente seria capaz de ter.
Contudo, nenhum programa agropecuária será minimamente decente se não contemplar uma dura e enérgica ação em relação ao MST. Não é possível o país continuar bancando este terrorismo que estes bandoleiros praticam, já tendo ultrapassado todos os limites da tolerância que se é possível suportar para uma quadrilha que se apresentava como sendo de movimento social, reivindicando terra para plantar (proposta em princípio absolutamente justa), mas que vem descambando para uma violência injustificada, tendo em vista não apenas os assentamentos praticados nos últimos quinze anos, bem como pelos programas sociais que tem alcançado muitos de seus integrantes, além das generosas doações de dinheiro público feitos a partir de FHC, mas com intensificado acréscimo a partir de Lula. Ou seus integrantes se dão conta de que há uma lei e uma ordem e que precisam ser respeitadas e acatadas, ou ninguém nesta história sairá bem.
Como ainda o governo Lula precisa ainda apresentar um programa e uma política de Reforma Agrária que sempre foi uma bandeira do partido, mas que no governo Lula nem de longe se pode chamar de reforma muito menos de agrária. Aliás, e os números oficiais aí estão para comprovas, inclusive confirmados pelo próprio MST, os assentamentos a partir de Lula sofreram uma brutal queda. Ora, com tal omissão e com falta de políticas de assentamentos, o governo Lula mais tem incentivado o terrorismo rural, e a tal isto é verdadeiro, que o números de mortes em conflitos no campo e o números de invasões realizadas pelo MST mais do que triplicaram de 2003 para cá.
Portanto, nenhuma política que Stephanes apresentar poderá fugir desta questão, ou então, o que se terá será, como em tantos programas lançados por Lula, mais do que uma singela carta de intenções. Nada além disso.
O MST vai desencadear uma nova onda de invasões e protestos a partir do dia 23 de maio, anunciou ontem Valmir Rodrigues Chaves, da direção nacional do movimento. A ação será conjunta com os movimentos sociais urbanos e centrais sindicais.
Entre os alvos principais estão a política econômica do governo Lula voltada para o agronegócio exportador e as propostas de mudanças na legislação trabalhista. "Vamos dar uma trégua, agora, para o nosso pessoal descansar e se organizar", disse Chaves. "Depois, vamos para o segundo turno."
O líder disse que o "abril vermelho" em São Paulo foi fechado com "chave de ouro" com a invasão da Fazenda Ipezal, do presidente da UDR. Ele classificou a entidade como de "grileiros". A área foi invadida domingo por 120 militantes. Foi a quarta propriedade invadida na região em abril.
Segundo Chaves, a cobrança pela aceleração da reforma agrária vai continuar. "Do jeito como está, tudo parado, não dá para ficar." Ele criticou o governo estadual por ter recebido os representantes da UDR. "Os sem-terra não foram recebidos, mas pouco adianta falar com secretário e ministro. Queremos conversar com o governador e o presidente, pois são eles que resolvem."
De acordo com Chaves, enquanto os processos de recuperação de terras devolutas ficam "adormecidos" na Justiça, os fazendeiros arrendam as áreas para o plantio da cana-de-açúcar. "A estratégia deles é se aliar com o agronegócio e dificultar para o governo retomar as terras." No Pontal, a cana está entrando nas fazendas como um "rolo compressor", segundo ele. "São os heróis do Lula, mas e o pequeno agricultor, como fica?"
ENQUANTO ISSO ...
Produtores estão cansados, diz presidente da UDR
SÃO PAULO - O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse ontem que os produtores rurais já estão cansados do "abril vermelho", a onda de invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "Agora, todo ano tem abril vermelho, maio vermelho. Isso já cansou." Ele teve sua fazenda, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, a 640 quilômetros de São Paulo, invadida por 120 militantes no domingo. Nabhan atribuiu as invasões à conivência do governo do presidente Lula com o MST. "Há uma afinidade ideológica, uma condescendência que pega mal para o presidente. Como para eles a lei não vale, criou-se uma situação de impunidade."
As invasões do MST já resultaram numa intensificação das vistorias em fazendas para verificação das condições trabalhistas e de produtividade, o que mostra que o governo cedeu à pressão, segundo Nabhan. "O fiscal vai até a fazenda, vê alguma coisa irregular e, ao invés de corrigir, relata que tem trabalho escravo. Estão acontecendo muitas desapropriações injustas."O proprietário recorre à Justiça mas, enquanto o processo tramita, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) desapropria, diz ele. "Isso só vai ter fim quando o presidente Lula extinguir o Ministério da Reforma Agrária e subordinar o Incra, um órgão técnico, ao Ministério da Agricultura."
As invasões, segundo Nabhan, estão prejudicando "além da conta" a produção do campo. Além dos gastos para recuperar os danos, os proprietários são obrigados a recorrer à Justiça para reaver o imóvel. "E o direito de propriedade?", perguntou. Ele disse que o produtor rural se sente indefeso diante dos sem-terra. "Eu mesmo tenho vontade de impedir uma invasão mas, se fizer isso, serei réu com certeza, e eles serão as vítimas."
COMENTANDO A NOTICIA: O novo ministro da Agricultura, Reinoldo Stephanes nesta semana estar sendo preparado um “pac” (mais um!) específico para Agricultura. Ufa. Esperamos que fiquem apenas na promessa, já que Lula tendo cumprido quatro anos e quatro meses, não se dignou até aqui apresentar um miserável programa para área agropecuária. E convenhamos, um setor com o peso que tem na balança comercial exterior, além da significativa importância para abastecimento do mercado interno, não ter programa algum é uma total incompetência que somente seria capaz de ter.
Contudo, nenhum programa agropecuária será minimamente decente se não contemplar uma dura e enérgica ação em relação ao MST. Não é possível o país continuar bancando este terrorismo que estes bandoleiros praticam, já tendo ultrapassado todos os limites da tolerância que se é possível suportar para uma quadrilha que se apresentava como sendo de movimento social, reivindicando terra para plantar (proposta em princípio absolutamente justa), mas que vem descambando para uma violência injustificada, tendo em vista não apenas os assentamentos praticados nos últimos quinze anos, bem como pelos programas sociais que tem alcançado muitos de seus integrantes, além das generosas doações de dinheiro público feitos a partir de FHC, mas com intensificado acréscimo a partir de Lula. Ou seus integrantes se dão conta de que há uma lei e uma ordem e que precisam ser respeitadas e acatadas, ou ninguém nesta história sairá bem.
Como ainda o governo Lula precisa ainda apresentar um programa e uma política de Reforma Agrária que sempre foi uma bandeira do partido, mas que no governo Lula nem de longe se pode chamar de reforma muito menos de agrária. Aliás, e os números oficiais aí estão para comprovas, inclusive confirmados pelo próprio MST, os assentamentos a partir de Lula sofreram uma brutal queda. Ora, com tal omissão e com falta de políticas de assentamentos, o governo Lula mais tem incentivado o terrorismo rural, e a tal isto é verdadeiro, que o números de mortes em conflitos no campo e o números de invasões realizadas pelo MST mais do que triplicaram de 2003 para cá.
Portanto, nenhuma política que Stephanes apresentar poderá fugir desta questão, ou então, o que se terá será, como em tantos programas lançados por Lula, mais do que uma singela carta de intenções. Nada além disso.