segunda-feira, junho 04, 2007

Fidel usa documentário brasileiro para lançar novo ataque a etanol

da BBC Brasil
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A realidade mostrada num documentário brasileiro sobre as condições de trabalho nos canaviais é o mais novo argumento do presidente cubano, Fidel Castro, na sua ofensiva contra a indústria do etanol.
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Fidel dedica três quartos de um artigo que escreveu no jornal oficial Gramma, publicado nesta terça-feira, a uma síntese que faz do que acredita ser a "essência" da mensagem que a diretora Maria Luisa Mendonça quis passar no documentário Bagaço (2006).
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A produção foi exibida em Cuba durante o 6º Encontro Hemisférico de Luta contra os Tratados de Livre Comércio e pela Integração dos Povos, no início de maio, em Havana.
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"É preciso desmistificar a propaganda sobre os supostos benefícios dos agrocombustíveis. No caso do etanol, a cultura e processamento da cana-de-açúcar contaminam os solos e as fontes de água potável, porque utilizam uma grande quantidade de produtos químicos", afirma Fidel, que já criticou o biocombustível brasileiro em outros editoriais do Gramma.
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O presidente, afastado do cargo desde julho do ano passado por motivos de saúde, diz que o processo de destilação do etanol produz um resíduo denominado vinhoto que "contamina rios e fontes de águas subterrâneas". Segundo ele, apenas "uma parte" pode ser aproveitada como fertilizante.
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Mas o aspecto social é mais ressaltado por Fidel, que descreve as condições supostamente precárias e insalubres às quais os cortadores de cana são submetidos."Trabalham sem um registro formal, sem equipamentos de proteção, sem água ou alimentação adequada, sem acesso aos banheiros e com habitações muito precárias; além disso, eles têm que pagar pela habitação, pela comida, que é muito cara, e precisam pagar por equipamentos como botas e facões e, claro, no caso de acidentes de trabalho, que são muitíssimos, não recebem o tratamento adequado", escreve Fidel, que também reproduz relatos de vários canavieiros entrevistados no documentário.
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História pessoal
No final do artigo, o presidente cubano relata que ele mesmo nasceu num "latifúndio canavieiro, de propriedade privada, cercado ao norte, leste e oeste por grandes extensões de terra" de multinacionais dos Estados Unidos.
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"O corte era manual, em cana verde, nessa altura não se usavam herbicidas, nem sequer fertilizantes. Uma plantação podia durar mais de 15 anos. A mão-de-obra era tão barata que as multinacionais ganhavam muito dinheiro."
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O presidente cubano termina o artigo elogiando a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do medicamento Efavirenz e da solução "mutuamente satisfatória" da disputa com a Bolívia em torno das duas refinarias de petróleo que a Petrobras mantém no país.
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"Reitero que sentimos profundo respeito pelo irmão povo do Brasil", diz Fidel.
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O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que fornece petróleo para Cuba, também já fez críticas públicas ao etanol.
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Com roteiro de Marluce Melo, Maria Luisa Mendonça, Plácido Júnior e Tiago Thorlby, o documentário Bagaço traz depoimentos de cortadores de cana que ainda estão na ativa.
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A direção é de Maria Luisa Mendonça e Tiago Thorlby e a edição, de Hiran Cordeiro.