domingo, agosto 19, 2007

Descaso reduz capacidade de hospital cardiológico

Renato Grandelle, Jornal do Brasil

Falta tudo no Instituto Estadual de Cardiologia Aloísio de Castro, no Humaitá. Aspirinas, fraldas descartáveis, luvas estéreis e seringas estão entre os 272 insumos cuja entrega irregular prejudica o atendimento dos pacientes. Os medicamentos disponíveis, quando não são armazenados em geladeiras enferrujadas, ficam empilhados no chão do almoxarifado. O mofo é tanto que aumenta o registro de doenças entre os funcionários. A insalubridade, aliada à falta de recursos, foi o motivo alegado para que um servidor se desligasse da instituição esta semana.

A falência do hospital, o primeiro da rede pública fluminense a realizar um transplante cardíaco, foi constatada ontem em vistoria por Jorge Darze e Carlos Eduardo, presidentes, respectivamente, do Sindicato dos Médicos e da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. Segundo o vereador, uma imagem do descaso com que a instituição vem sendo administrada é o moderno centro cirúrgico, reinaugurado há um ano. Os equipamentos são usados para fazer apenas uma cirurgia por dia, quando teriam capacidade para, no mesmo período, realizarem quatro.

- O genocídio continua na rede estadual - lamentou o vereador. - Sérgio Cabral deveria voltar aos hospitais que visitou em janeiro e ver como as mudanças ainda não chegaram nas pontas do sistema.

O cardiologista Hugo Sabino, presidente da associação de servidores do instituto, confirmou as denúncias levadas por pacientes à Câmara Municipal.
- Como os insumos chegam de forma pingada e irregular, o número de cirurgias reduziu drasticamente - protestou. - Também podemos ter mais problemas a longo prazo, porque o prédio em que funciona o instituto tem 40 anos e, até agora, não passou por manutenções.

Além das 22 queixas recebidas por vereadores, outro protesto teve peso especial para que a vistoria ao hospital fosse antecipada. Uma agente administrativa, em palestra oferecida pela direção, denunciou a criação de cargos de confiança não previstos no organograma da instituição. Uma psicóloga teria sido contratada com salário de R$ 3.500 - mais do que o dobro que recebem os médicos nível A (o mais elevado) da instituição - R$ 1.600. A funcionária, há 18 anos na unidade, foi afastada e posta à disposição da Secretaria Estadual de Saúde.

- Essa funcionária ofendeu os diretores anteriores da instituição - garantiu o diretor do hospital, Carlos Scherr, que se referia a mulher que fez a denúncia. -Foi só a primeira a ir embora. Quem não trabalha, será afastado.

Ainda de acordo com Scherr, o hospital está cumprindo um "vasto cronograma de obras", e a falta de insumos se deve ao fato de que a unidade "ficou largada" nos últimos anos.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Vimos em outra reportagem que o Estado do Rio de Janeiro construiu no período dos últimos dez anos uma ÚNICA ESCOLA.

Como a população do estado não parou de crescer, imagina-se que as escolas estejam entupidas de alunos. Escolas, por sinal, caiando aos pedaços. Quando nos deparamos com o estado caótico dos hospitais públicos cariocas, a situação beira ao insano. Então fica a pergunta: o que as autoridades públicas fizeram com a monta nhá de recursos públicos repassados pelo governo federal ao longo de todos estes anos? E a fábula de dinheiro proveniente dos royalties do petróleo pagos pela Petrobrás, que destino foi dado ? Ora, se a saúde encontra-se na UTI do desespero, se novas escolas não foram erguidas e as velhas continuam mais velhas e à beira da morte, onde a população carioca foi beneficiada pela ação pública ? E onde este o Tribunal de Contas este tempo todo ? E ainda querem aumentar o número de vereadores. Parece que a quadrilha não se satisfaz em ter menos companheiros para repartir a bufunfa ! E o país que se dane! A isto não se chama de má gestão: é ladroeira mesmo, e sem punição.

E é para esta farra que, além de aumentar o número de vereadores, os caras ainda querem continuar cobrando CPMF. Santo Deus !!!