Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Uma das espertezas dos políticos brasileiros, quando apanhados com a mão na massa, ou seja, quando flagrados na prática de corrupção, e para não serem punidos, é alegar que ninguém lhes pode tirar o mandato que ganharam nas urnas. A esperteza até cola em algumas ocasiões, mas é evidente se tratar de uma cretinice. Tanto quanto se saiba nenhum destes espertos quando concorreu prometeu roubar, corromper, desviar dinheiro público, empregar a família, praticar tráfico de influência, legislar em causa própria.
Todos, sem exceção, prometem trabalhar em nome do povo, e o rosário é desfraldado com apelos à vida de honestidade e trabalho de cada um. Ora, se o mandato foi ganho com falsas promessas, tratou-se evidentemente de propaganda enganosa.
Até hoje, e lá se vão mais de cinqüenta anos, não vi nenhum político ser eleito porque prometera transgredir a lei, praticar corrupção, roubar. Sendo assim, o voto foi dado para um trabalho que o candidato depois de eleito não realizou. Ou seja, a urna nem é, nem nunca foi tribunal.
Se o esperto transgredir a lei, deve ser punido sim, e se a punição para o crime praticado for a perda do mandato assim deverá ser. Eleição não pode ser confundida com salvo conduto para agir criminosamente.
E acredito que é dentro deste espírito que o STF deve analisar o processo do mensalão. Não importa a figura de quem está sendo julgado: o que conta é o crime que tenha praticado e se as provas constantes do processo são consistentes. O resto é cretinice que o bando apela quando, nada tendo de melhor a apresentar em sua defesa, partem para este tipo de chantagem sentimentalóide para ver se cola.
Da mesma forma age o senado Renam Calheiros. Seja pela perícia técnica da Polícia Federal, seja pelo trabalho de campo realizado por Romeu Tuma, resta evidente que o Renan não apenas mentiu para seus pares no Senado Federal, mas que também apresentou documentos falsos sobre sua renda, o que configura falsidade ideológica, como também acobertou algumas operações sobre o seu patrimônio, o que caracteriza crime de sonegação fiscal, além do fato que permanece em aberto: Gontijo pagou com que dinheiro a jornalista Mônica Velloso, do senador ou da construtora ? Este dinheiro é caixa 2, dinheiro não contabilizado, ou o quê afinal ?
O caso dos bispos da Renascer é sui generis para um país como o Brasil acostumado a toda a sorte de bandalheira e impunidade para certa categoria de pessoas: eles "apenas" tentaram ingressar nos Estados Unidos com “alguns” dólares a mais do declarado. Em razão da mentira vão curtir 5 meses de cadeia cada um em regime fechado, e outros 5 meses em regime domiciliar, devidamente vigiados e acompanhados. Ou seja, lá, uma simples mentirinha boba, o cidadão, seja ele quem for, vai preso. Aqui, o sujeito além de mentir descaradamente em tempo integral, enche as arcas familiares com corrupção e fisiologismo, e apela para a cretina desculpa de que fez o que todo mundo faz e que ninguém lhe pode cassar o mandato ganho nas urnas. É a diferença entre um país civilizado, onde a lei é igual para todos, e um país atrasado, onde cadeia é só para ladrão de galinhas e pobre. Querem outro exemplo do quanto estamos distantes de sermos um país pobre mas decente ? Vamos relembrar um fato a que Fausto Wolff, Jornal do Brasil, se refere em sua coluna de hoje:
A Polícia Federal não está interessada em investigar a origem dos cinco milhões com que o Luizinho Silva, príncipe, filho de Çilva I, fez com que a Telemar investisse na Gamecorp. O resultado poderia ser tráfico de influência, coisa que no norte da Europa dá cadeia. Ora, mesmo que o príncipe entrasse só com a cara e a desfaçatez, sem seu dinheiro ou do governo estaria incorrendo em crime de tráfico de influência.
Assim, o Supremo Tribunal Federal reunido nesta semana para o julgamento dos mensaleiros, terá a incumbência de sinalizar ou não um divisor de águas na civilização brasileira: se der às costas, e abençoar os crimes descritos na denúncia apresentada pelo Procurador Geral, sinalizará que há uma camada da população para a qual tudo é permitido, inclusive delinqüir, praticar todo e qualquer ato criminoso numa agressão direta à lei e ao país, e que nada lhes acontece. Contudo, se ao contrário, punir os responsáveis da mais desonesta organização criminosa na prática da corrupção instalada em toda a nossa história, estará sinalizando para toda a nação de que, a lei é sim igual para todos, independente do nome ou sobrenome, ou do cargo que o criminoso tenha e ocupe.
Para o bem do Brasil, para sinalizar um caminho de esperanças na construção de uma nação finalmente justa e honrada, o STF deverá fazer uma escolha que nada tem de difícil se estiver impregnado o espírito de cada um de seus ministros pelo verdadeiro espírito público, se estiverem imbuídos de cumprirem a função para a qual a instituição foi criada. Assim, o recado histórico de um dos heróis da longínqua Guerra do Paraguai, nunca se fez tão presente: o Brasil espera que cada um dos ministros do STF cumpra com o seu dever. De suas decisões, dependerá, acreditem, o destino de um país. Que Deus os inspire e os ilumine. Amém.
Uma das espertezas dos políticos brasileiros, quando apanhados com a mão na massa, ou seja, quando flagrados na prática de corrupção, e para não serem punidos, é alegar que ninguém lhes pode tirar o mandato que ganharam nas urnas. A esperteza até cola em algumas ocasiões, mas é evidente se tratar de uma cretinice. Tanto quanto se saiba nenhum destes espertos quando concorreu prometeu roubar, corromper, desviar dinheiro público, empregar a família, praticar tráfico de influência, legislar em causa própria.
Todos, sem exceção, prometem trabalhar em nome do povo, e o rosário é desfraldado com apelos à vida de honestidade e trabalho de cada um. Ora, se o mandato foi ganho com falsas promessas, tratou-se evidentemente de propaganda enganosa.
Até hoje, e lá se vão mais de cinqüenta anos, não vi nenhum político ser eleito porque prometera transgredir a lei, praticar corrupção, roubar. Sendo assim, o voto foi dado para um trabalho que o candidato depois de eleito não realizou. Ou seja, a urna nem é, nem nunca foi tribunal.
Se o esperto transgredir a lei, deve ser punido sim, e se a punição para o crime praticado for a perda do mandato assim deverá ser. Eleição não pode ser confundida com salvo conduto para agir criminosamente.
E acredito que é dentro deste espírito que o STF deve analisar o processo do mensalão. Não importa a figura de quem está sendo julgado: o que conta é o crime que tenha praticado e se as provas constantes do processo são consistentes. O resto é cretinice que o bando apela quando, nada tendo de melhor a apresentar em sua defesa, partem para este tipo de chantagem sentimentalóide para ver se cola.
Da mesma forma age o senado Renam Calheiros. Seja pela perícia técnica da Polícia Federal, seja pelo trabalho de campo realizado por Romeu Tuma, resta evidente que o Renan não apenas mentiu para seus pares no Senado Federal, mas que também apresentou documentos falsos sobre sua renda, o que configura falsidade ideológica, como também acobertou algumas operações sobre o seu patrimônio, o que caracteriza crime de sonegação fiscal, além do fato que permanece em aberto: Gontijo pagou com que dinheiro a jornalista Mônica Velloso, do senador ou da construtora ? Este dinheiro é caixa 2, dinheiro não contabilizado, ou o quê afinal ?
O caso dos bispos da Renascer é sui generis para um país como o Brasil acostumado a toda a sorte de bandalheira e impunidade para certa categoria de pessoas: eles "apenas" tentaram ingressar nos Estados Unidos com “alguns” dólares a mais do declarado. Em razão da mentira vão curtir 5 meses de cadeia cada um em regime fechado, e outros 5 meses em regime domiciliar, devidamente vigiados e acompanhados. Ou seja, lá, uma simples mentirinha boba, o cidadão, seja ele quem for, vai preso. Aqui, o sujeito além de mentir descaradamente em tempo integral, enche as arcas familiares com corrupção e fisiologismo, e apela para a cretina desculpa de que fez o que todo mundo faz e que ninguém lhe pode cassar o mandato ganho nas urnas. É a diferença entre um país civilizado, onde a lei é igual para todos, e um país atrasado, onde cadeia é só para ladrão de galinhas e pobre. Querem outro exemplo do quanto estamos distantes de sermos um país pobre mas decente ? Vamos relembrar um fato a que Fausto Wolff, Jornal do Brasil, se refere em sua coluna de hoje:
A Polícia Federal não está interessada em investigar a origem dos cinco milhões com que o Luizinho Silva, príncipe, filho de Çilva I, fez com que a Telemar investisse na Gamecorp. O resultado poderia ser tráfico de influência, coisa que no norte da Europa dá cadeia. Ora, mesmo que o príncipe entrasse só com a cara e a desfaçatez, sem seu dinheiro ou do governo estaria incorrendo em crime de tráfico de influência.
Assim, o Supremo Tribunal Federal reunido nesta semana para o julgamento dos mensaleiros, terá a incumbência de sinalizar ou não um divisor de águas na civilização brasileira: se der às costas, e abençoar os crimes descritos na denúncia apresentada pelo Procurador Geral, sinalizará que há uma camada da população para a qual tudo é permitido, inclusive delinqüir, praticar todo e qualquer ato criminoso numa agressão direta à lei e ao país, e que nada lhes acontece. Contudo, se ao contrário, punir os responsáveis da mais desonesta organização criminosa na prática da corrupção instalada em toda a nossa história, estará sinalizando para toda a nação de que, a lei é sim igual para todos, independente do nome ou sobrenome, ou do cargo que o criminoso tenha e ocupe.
Para o bem do Brasil, para sinalizar um caminho de esperanças na construção de uma nação finalmente justa e honrada, o STF deverá fazer uma escolha que nada tem de difícil se estiver impregnado o espírito de cada um de seus ministros pelo verdadeiro espírito público, se estiverem imbuídos de cumprirem a função para a qual a instituição foi criada. Assim, o recado histórico de um dos heróis da longínqua Guerra do Paraguai, nunca se fez tão presente: o Brasil espera que cada um dos ministros do STF cumpra com o seu dever. De suas decisões, dependerá, acreditem, o destino de um país. Que Deus os inspire e os ilumine. Amém.