Villas-Bôas Corrêa , Jornal do Brasil
O Presidente Lula e a sua turma de confiança podem ir tratando de atualizar para o próximo ano os fantásticos planos de obras que mudariam a face do país: 2007 é mais um ano perdido.
O adiamento para 2008 do início para valer do mandato da reeleição apenas confirma a fácil previsão que rola, mês a mês, dia a dia, desde que o maior presidente etc mergulhou nas águas da euforia com a retumbante consagração dos mais de 58 milhões de votos que douram o bis.
Consumiu meses de festas e badalações na novela interminável da remontagem da equipe, da composição da assessoria direta aos ministros e secretários. Com a idéia fixa de garantir sólida base parlamentar, para a aprovação dos projetos que mudariam a face do Brasil, acabou sendo atropelado pela temporada dos escândalos, que jorraram em cascata de lama durante meses de agonia e apreensão.
Mas, com a ajuda do Congresso que fez a sua parte, desviando para a Câmara com respingos no Senado o esguicho da podridão, com os lanhos da desmoralização de quadros históricos da nata do PT, o governo voltou à tona para retomar como prioridade absoluta a recomposição da maioria parlamentar. Entre uma viagem ao exterior e esporádicos expedientes no gabinete, com a maior pachorra deste mundo Lula foi adquirindo, ao preço de ministérios, secretarias, autarquias, nomeações e promessas de liberação de verbas, o lote das legendas disponíveis na praça para a sopa da grande arrancada. Foi a hora gloriosa do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC cantado em prosa e verso como o maior programa para embalar a vertiginosa ascensão do país ao topo do primeiro mundo.
O alarido não chegou a sufocar a indignação popular, amortecida por frustrações em série e pela evidência dos conchavos para reduzir as punições ao mínimo. Os parlamentares puxaram o cordão das absolvições em fatias generosas dos colegas enrolados nas CPIs ou nas denúncias da Justiça. O grande momento simbólico do mafuá da impunidade foi protagonizado pela ex-deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que dançou no plenário da Câmara o forró para comemorar a absolvição do colega, deputado José Mentor, também denunciado por desvio de dinheiro.
Lula aguardou com paciência de faquir que a fadiga enterrasse os escândalos no buraco do esquecimento. Viajando sempre nas asas do Aerolula em giros pelo mundo que, como lembrou em frase histórica, "agora me conhece e eu conheço o mundo".
As pesquisas confirmavam a fidelidade das áreas populares, gratas pelos 11 milhões de Bolsas Família que matam a fome crônica dos esquecidos, com a certeza da blindagem da sua popularidade firme como uma rocha, resistente a todas as procelas.
Os temporais que inundaram estradas, derrubaram pontes, casas e prédios denunciavam o descaso do governo pela rotina da conservação da rede rodoviária, dos portos com imensas filas de caminhões, causando imensos prejuízos aos produtores, cutucaram o governo. Lula prometeu um mutirão de obras e ficou nos remendos.
Mas, enfim, passou a impressão que caíra na realidade. Dos esconsos da barafunda ministerial, com os cuidados da todo-poderosa chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, brotou o PAC, ao som das fanfarras do imenso sistema de propaganda oficial.
Durou menos que uma rosa a ressuscitada esperança: a almanjarra montada no Congresso, a custo milionário, não funciona. Com eleições à vista, cada um cuida de si.
Sem a caixa abarrotada, o PAC não irá além dos tapa-buracos da emergência.
Para o governo, o ano acabou.
O Presidente Lula e a sua turma de confiança podem ir tratando de atualizar para o próximo ano os fantásticos planos de obras que mudariam a face do país: 2007 é mais um ano perdido.
O adiamento para 2008 do início para valer do mandato da reeleição apenas confirma a fácil previsão que rola, mês a mês, dia a dia, desde que o maior presidente etc mergulhou nas águas da euforia com a retumbante consagração dos mais de 58 milhões de votos que douram o bis.
Consumiu meses de festas e badalações na novela interminável da remontagem da equipe, da composição da assessoria direta aos ministros e secretários. Com a idéia fixa de garantir sólida base parlamentar, para a aprovação dos projetos que mudariam a face do Brasil, acabou sendo atropelado pela temporada dos escândalos, que jorraram em cascata de lama durante meses de agonia e apreensão.
Mas, com a ajuda do Congresso que fez a sua parte, desviando para a Câmara com respingos no Senado o esguicho da podridão, com os lanhos da desmoralização de quadros históricos da nata do PT, o governo voltou à tona para retomar como prioridade absoluta a recomposição da maioria parlamentar. Entre uma viagem ao exterior e esporádicos expedientes no gabinete, com a maior pachorra deste mundo Lula foi adquirindo, ao preço de ministérios, secretarias, autarquias, nomeações e promessas de liberação de verbas, o lote das legendas disponíveis na praça para a sopa da grande arrancada. Foi a hora gloriosa do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC cantado em prosa e verso como o maior programa para embalar a vertiginosa ascensão do país ao topo do primeiro mundo.
O alarido não chegou a sufocar a indignação popular, amortecida por frustrações em série e pela evidência dos conchavos para reduzir as punições ao mínimo. Os parlamentares puxaram o cordão das absolvições em fatias generosas dos colegas enrolados nas CPIs ou nas denúncias da Justiça. O grande momento simbólico do mafuá da impunidade foi protagonizado pela ex-deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que dançou no plenário da Câmara o forró para comemorar a absolvição do colega, deputado José Mentor, também denunciado por desvio de dinheiro.
Lula aguardou com paciência de faquir que a fadiga enterrasse os escândalos no buraco do esquecimento. Viajando sempre nas asas do Aerolula em giros pelo mundo que, como lembrou em frase histórica, "agora me conhece e eu conheço o mundo".
As pesquisas confirmavam a fidelidade das áreas populares, gratas pelos 11 milhões de Bolsas Família que matam a fome crônica dos esquecidos, com a certeza da blindagem da sua popularidade firme como uma rocha, resistente a todas as procelas.
Os temporais que inundaram estradas, derrubaram pontes, casas e prédios denunciavam o descaso do governo pela rotina da conservação da rede rodoviária, dos portos com imensas filas de caminhões, causando imensos prejuízos aos produtores, cutucaram o governo. Lula prometeu um mutirão de obras e ficou nos remendos.
Mas, enfim, passou a impressão que caíra na realidade. Dos esconsos da barafunda ministerial, com os cuidados da todo-poderosa chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, brotou o PAC, ao som das fanfarras do imenso sistema de propaganda oficial.
Durou menos que uma rosa a ressuscitada esperança: a almanjarra montada no Congresso, a custo milionário, não funciona. Com eleições à vista, cada um cuida de si.
Sem a caixa abarrotada, o PAC não irá além dos tapa-buracos da emergência.
Para o governo, o ano acabou.