Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil
Pode-se alegar que não é o primeiro caso. Nos quatro anos e sete meses dos dois mandatos, o presidente Lula testou ministros e secretários de todos os modelos conhecidos, desde os que murcham até desaparecer do cenário aos que ocupam seu espaço e invadem o território abandonado pelos titulares. A todo-poderosa ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, passa a impressão de que é a virtual presidente em exercício.
Pode ser apenas um sobressalto. Ou o reconhecimento de erros com a mão estendida para a palmatória.
Mas nunca um ministro foi tão claro, tão explícito em afirmar a sua autonomia e dispensar o presidente da tediosa burocracia como o recém-chegado ministro da Defesa, Nelson Jobim. O estilo é o homem. Como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a fama da ousada marcha ascendente e atropelou o Congresso, em inspirada parceria com o então presidente da Câmara e líder do baixo clero, o inesquecível ex-deputado Severino Cavalcanti, para emplacar o triplo reajuste da magistratura, com o senso profético na previsão dos percentuais de elevação do custo de vida de fazer inveja ao ministro-secretário Mangabeira Unger.
Dos quase 40 ministros e secretários do maior ministério do período republicano, a imensa maioria continua perdida e às cegas no reino do anonimato. O que torna mais surpreendente a desenvoltura com que o ministro Jobim aterrou no Ministério da Defesa na fogueira da crise do setor aéreo e foi dando o seu recado, no refrão com que costuma encerrar as suas freqüentes declarações: "Aqui havia problema de falta de comando. Comando agora tem".
Demonstração pública de autoridade faz parte da rotina de todos os dias. Ouvindo poucas pessoas e aceitando menos palpites, o novo superministro anunciou o plano de obras nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, para começar já, antes do aumento do fluxo de passageiros que se repete todos os anos. E, tal como Lula (só que agora para valer), com data para começar na pista principal de Guarulhos na próxima segunda-feira, 20 de agosto, e com a conclusão da primeira fase em 10 de outubro. Em Congonhas, até 6 de setembro, deverão estar concluídas as obras na pista principal, inclusive com as ranhuras para a segurança dos pousos e decolagens.
Tal e qual como no caso da ministra Dilma Rousseff, o presidente não deixa transparecer nenhuma contrariedade com o desembaraço do substituto do ex-ministro Waldir Pires, sumido desde a sua demissão. Ao contrário, Lula banha-se nas águas perfumadas do alívio das responsabilidades de decisões que não gosta de tomar e da cobrança de providências que só o irritam.
A cada oportunidade, sopra para encher o balão do ministro da moda. Com ênfase incomum ao repassar decisões que o aborrecem. Derrama-se em elogios diretos e oblíquos: "Eu acho que o caos aéreo está resolvido em parte.
O ministro Jobim está fazendo o que tem de ser feito para reestruturar o que precisa ser reestruturado".
E, para espantar dúvidas: "Ao ministro Jobim foi dada carta-branca para fazer as mudanças necessárias". Inclusive na Anac: "Na hora em que tiver de fazer mudanças na Anac, o ministro me procura para propô-las".
A dimensão da crise anunciada por uma série infindável de erros, pelo câncer burocrático da superposição de comandos, as vaias no Maracanã quando da inauguração dos Jogos Pan-Americanos, a balbúrdia no Congresso com o caso sentimental do senador Renan Calheiros, presidente do Senado, despertaram o presidente Lula do sono das ilusões e dos exageros.
Joel Silveira
A morte esperada de Joel Silveira mereceu de jornais e redes de TV o destaque merecido e o reconhecimento unânime de que o sergipano sem papas na língua foi o maior, o mais completo repórter do Brasil pelo conjunto de singulares qualidades. No simples registro da despedida do amigo, a evidência de uma vida plenamente realizada. Joel considerava o livro de memória Na fogueira, de 1998, como o da sua preferência. Vale a sugestão da releitura.
Pode-se alegar que não é o primeiro caso. Nos quatro anos e sete meses dos dois mandatos, o presidente Lula testou ministros e secretários de todos os modelos conhecidos, desde os que murcham até desaparecer do cenário aos que ocupam seu espaço e invadem o território abandonado pelos titulares. A todo-poderosa ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, passa a impressão de que é a virtual presidente em exercício.
Pode ser apenas um sobressalto. Ou o reconhecimento de erros com a mão estendida para a palmatória.
Mas nunca um ministro foi tão claro, tão explícito em afirmar a sua autonomia e dispensar o presidente da tediosa burocracia como o recém-chegado ministro da Defesa, Nelson Jobim. O estilo é o homem. Como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a fama da ousada marcha ascendente e atropelou o Congresso, em inspirada parceria com o então presidente da Câmara e líder do baixo clero, o inesquecível ex-deputado Severino Cavalcanti, para emplacar o triplo reajuste da magistratura, com o senso profético na previsão dos percentuais de elevação do custo de vida de fazer inveja ao ministro-secretário Mangabeira Unger.
Dos quase 40 ministros e secretários do maior ministério do período republicano, a imensa maioria continua perdida e às cegas no reino do anonimato. O que torna mais surpreendente a desenvoltura com que o ministro Jobim aterrou no Ministério da Defesa na fogueira da crise do setor aéreo e foi dando o seu recado, no refrão com que costuma encerrar as suas freqüentes declarações: "Aqui havia problema de falta de comando. Comando agora tem".
Demonstração pública de autoridade faz parte da rotina de todos os dias. Ouvindo poucas pessoas e aceitando menos palpites, o novo superministro anunciou o plano de obras nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, para começar já, antes do aumento do fluxo de passageiros que se repete todos os anos. E, tal como Lula (só que agora para valer), com data para começar na pista principal de Guarulhos na próxima segunda-feira, 20 de agosto, e com a conclusão da primeira fase em 10 de outubro. Em Congonhas, até 6 de setembro, deverão estar concluídas as obras na pista principal, inclusive com as ranhuras para a segurança dos pousos e decolagens.
Tal e qual como no caso da ministra Dilma Rousseff, o presidente não deixa transparecer nenhuma contrariedade com o desembaraço do substituto do ex-ministro Waldir Pires, sumido desde a sua demissão. Ao contrário, Lula banha-se nas águas perfumadas do alívio das responsabilidades de decisões que não gosta de tomar e da cobrança de providências que só o irritam.
A cada oportunidade, sopra para encher o balão do ministro da moda. Com ênfase incomum ao repassar decisões que o aborrecem. Derrama-se em elogios diretos e oblíquos: "Eu acho que o caos aéreo está resolvido em parte.
O ministro Jobim está fazendo o que tem de ser feito para reestruturar o que precisa ser reestruturado".
E, para espantar dúvidas: "Ao ministro Jobim foi dada carta-branca para fazer as mudanças necessárias". Inclusive na Anac: "Na hora em que tiver de fazer mudanças na Anac, o ministro me procura para propô-las".
A dimensão da crise anunciada por uma série infindável de erros, pelo câncer burocrático da superposição de comandos, as vaias no Maracanã quando da inauguração dos Jogos Pan-Americanos, a balbúrdia no Congresso com o caso sentimental do senador Renan Calheiros, presidente do Senado, despertaram o presidente Lula do sono das ilusões e dos exageros.
Joel Silveira
A morte esperada de Joel Silveira mereceu de jornais e redes de TV o destaque merecido e o reconhecimento unânime de que o sergipano sem papas na língua foi o maior, o mais completo repórter do Brasil pelo conjunto de singulares qualidades. No simples registro da despedida do amigo, a evidência de uma vida plenamente realizada. Joel considerava o livro de memória Na fogueira, de 1998, como o da sua preferência. Vale a sugestão da releitura.