quinta-feira, agosto 30, 2007

E a quadrilha ainda quer comemorar...

Há certos hábitos e costumes que, mesmo que tentemos evitá-los, por se acharem tão impregnados em nossas personalidades, se torna cada impossíveis tentar remove-los ou altera-los.

Quando alguém é cretino por natureza, mesmo que a aparência tente revelar uma personalidade sóbria, polida, ética, a cretinice se encontra tão intimamente no seu interior que, cedo ou tarde, acaba por se revelar em seu apogeu.

O que recomendaria o bom decoro e o bom mocismo na situação dos mensaleiros, agora réus, após a proclamação da decisão do STF em acolher a denúncia do Procurador Geral quanto ao mensalão ? Um certo recato, uma discrição talvez até severa, sem muita exposição, que é para não se exporem muito. Pois não é assim que a turma pensa. Para eles, esta coisa de ética e vergonha na cara, são comportamentos ultrapassados.

Repito o que já disse no sábado e repeti ontem: não interessa quem será condenado ou quando isto se dará. O que importa é que ficou claro que não foram simples “erros” cometidos pelos companheiros. Foram crimes. Segundo, que as acusações aos mensaleiros, agora réus, não eram apenas simples intriga da oposição, tentativa de terceiro turno ou fofoca da mídia de direita. Não há criminosos sem que se tipifique ao menos um crime cometido aos olhos da lei, e neste caso, o mensalão é o ato criminoso praticado pelos 40 réus. Claro que Dirceu não era o grande chefe da quadrilha, podemos considera-lo quando muito como o chefe operacional do esquema. Porém, mesmo que neguem, está mais do que visto que o esquema só aconteceu, e dele fizeram parte petistas e ministros, com o consentimento e conhecimento do presidente.

Quanto a festinha de comemoração dos quadrilheiros, em seu blog, Reinaldo Azevedo publica o convite que bem espelha a laia, os trambiqueiros que estão no poder e desgovernando este país. Assim, com tamanha desfaçatez, eles ainda exigirão que um dia o Estado brasileiro lhes pague uma pensão mensalão de aposentadoria. Seria o Bolsa Larápio ou Bolsa Canalha.

Cadê o seu nariz de palhaço?
Reinaldo Azevedo


Estão vendo o convite acima? É um jantar inicialmente marcado para ser de desagravo ao deputado João Paulo Cunha (PT-SP), agora estendido aos demais petistas acusados pelo Supremo Tribunal Federal de cometer uma porção de crimes.

“Ato de apoio ao mandato” quer dizer que eles estão protestando contra a decisão do STF. Têm o direito? Ah, claro que sim, não é mesmo? Mas que se note: é apenas a primeira ação para pôr na rua a tese de que tudo não passa de um complô contra esta pobre gente, que tanto luta por nós.
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Aqui e ali, o PT é acusado de repetir o passado. É uma injustiça com o partido. Esta cara-de-pau é inédita na política brasileira. Até os nossos mais notórios sem-vergonhas se intimidavam um pouco. Acusados, negavam, diziam que tudo era um complô das oposições, essas coisas habituais. Fazer festa de desagravo quando a cúpula do partido senta, perfilada, no banco dos réus é coisa de uma moralidade típica: é coisa do PT.
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O partido dá início a seu 3º Congresso no dia seguinte, 31. Fiquemos atentos aos comensais. Vamos ver quantas ilibadas reputações passam por lá. Senti falta de uma palestra da Marilena Chaui sobre a conspiração da mídia e da Justiça para deter o socialismo. Não consigo pensar em melhor acompanhamento para a picanha da desfaçatez do que “aula-magda” desta senhora.