segunda-feira, setembro 17, 2007

Mistérios e algumas verdades

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O terrorismo da CPMF não cola
Vejamos: o governo arrecadou, nos primeiros 6 meses de 2007, um excedente no montante igual ao total que se obteria com a CPMF. Fica claro, portanto, que a da senadora Kátia Abreu, que será relatora do projeto de recriação da contribuição, no Senado, vai na direção correta: o governo não precisa mesmo desta grana que tira da sociedade toda. E não se venha com a “alternativa” absurda de se querer “aliviar” a tributação sobre as folhas de pagamentos das empresas. Não apenas pessoas jurídicas pagam CPMF. Pessoas físicas também. Por que então o privilégio de se desonerar apenas um parcela, a que mais pode, em detrimento de outra, que é a mais sacrificada?

Vejam abaixo a postagem sobre o relatório do TCU apontando 400 obras inacabadas ao custo incrível de R$ 3,5 bilhões. Puro descaso, genuína irresponsabilidade, injustificável desperdício. Que se acabe com a CPMF e que o governo tenha mais respeito que o dinheiro que não é dele: aprenda a gastar com mais eficiência e seriedade.

Estatísticas: há leituras e leituras
Em a propósito do PNAD, do IBGE, já comentamos aqui sobre a festa que está fazendo em torno do crescimento da renda do trabalhador, em 7,2%. Mas esta é a pior de todas as leituras que se pode fazer sobre os dados coletados. Na verdade, o que ocorreu não foi aumento e sim RECUPERAÇÃO de renda. Não há matemática que resista à realidade: os R$ 888,00 de 2006 serão sempre MENORES que os R$ 975,00 de 1997. No campo do desemprego, os 8,5% (sobre os quais levanto suspeitas de ser irreal, mas vá lá, vamos admiti-lo), serão sempre MAIORES que os 7,8% de 1997.

O incrível nestes dados são os períodos distintos de um governo e outro: enquanto FHC tentava consertar o país esfacelado com inflação e absoluto e total descontrole fiscal, ainda precisa digladiar-se com cinco crises internacionais que, lá sim, atingiram com maior intensidade os países emergentes, já que o estouro ocorreu em alguns deles, a lembrar: Argentina, Rússia, Turquia, México e Sudeste Asiático. E ainda assim, a renda ainda é maior do que a de agora, o desemprego é menor, acabou inflação exatamente naquele, que, por sinal, foi onde se deu a maior queda nos indicadores de pobreza no país. A estabilidade é a marca daquele período, e graças ao fim da inflação e o equilíbrio das contas públicas. Neste campo o que se disse contrariamente, é pura mistificação.

Remando contra a maré e a favor
Outro dado que está deixando o atual governo em festa, é haver superado a média de crescimento do período FHC. Ah, é, não diga? Digam-me então: que mérito tem Lula para comemorar um índice de 3,6% de crescimento na média, considerando que é apenas a metade do que o restante do mundo cresceu ? A lembrar, a média do período FHC foi APENAS 10% menor à média mundial nauele período, e contra todas as adversidades de que já falamos acima, e mais ainda o agravante de que o PT estava na oposição, impedindo do país avançar ainda mais ? Crescer mais do que 2,4, sei lá até 3,0 ou 4,0% nesta época, não é mérito algum, é OBRIGAÇÃO. Ora, convenhamos, receber o país sem inflação, com as finanças equilibradas, um cenário de estabilidade econômica para o qual Lula apenas deu seqüência da agenda econômica totalmente desenhada e implementada no governo anterior, não pode ser visto como algo a ser comemorado. Até pelo contrário: tinha obrigação de ir mais além, afinal nada surgiu em seu caminho para impedi-lo, a não ser a falta de projeto e da incompetência descomunal motivada, principalmente, pelo aparelhamento vergonhoso que se praticou na máquina pública. E ainda aqui, faça-se a ressalva de que, no primeiro mandato, Lula quando muito empatou com FHC. Em todos os dados que já apontamos, vale acrescentar um do qual pouco se fala. Quando FHC assumiu, a agricultura brasileira estava estagnada havia muitos anos na casa de 75,0 milhões de toneladas de grãos. Ao entregar o governo em janeiro de 2003, a média consolidara-se em fantásticos 120,0 milhões de toneladas, crescimento superior a 50%. Lula, quando muito, foi a 121,0 milhões de toneladas, portanto, não cresceu coisa alguma e até perdeu terreno em termos de área plantada, que recuou cerca de 15%.

E aqui é que se dá o milagre: aquela agricultura tão satanizada pelo atual governo, o tal de agro-negócio, é responsável por mais de um terço de nossa balança comercial, cujo salto se deve, primordialmente a elevação de preços das commodities. Cadê o mérito do atual governo? Pelo contrário, todas as suas ações foram no sentido de querer destruir o agro-negócio.

Duas histórias enterradas
A primeira história é a da ética do PT. A própria opinião pública já considera a corrupção como a marca mais negativa do atual governo, basta ver pesquisa no Estadão deste domingo. E devemos ressaltar que, o que levou Lula ao poder, e fez grande parte da classe média votar nele, foi justamente o discurso de combate à corrupção. O quadro não poderia ser pior, são mais de cem escândalos, em apenas quatro anos e meio de governo.

A segunda história enterrada, é a verdadeira origem do dinheiro do dossiegate, mais de R$ 1,7 milhão, que jamais virá a público. Faz um ano que o escândalo estourou, e até hoje, esta marca negativa sobre a ação da PF, permanece um mistério. Coincidência ou não, todos os delegados que apanham algum petista em ações digamos, menos nobres, é imediatamente afastado do caso e transferido para os quintos do inferno.

Mistérios, mistérios...